Chávez atribui derrota a momento errado e imaturidade social
da Efe, em Caracas
da Folha Online
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou hoje que a sua derrota eleitoral no domingo (2) se deve ao fato de que a sociedade venezuelana ainda "não está madura" para assumir uma proposta socialista como a apresentada na reforma constitucional.
A explicação foi dada durante entrevista à TV venezuelana.
"É possível que ainda não fosse o momento. Será preciso amadurecer mais, e continuar construindo o nosso socialismo", disse Chávez. Ele reconheceu que, ontem à noite, se perguntou se "havia se equivocado" ao propor a reforma rejeitada nas urnas.
Chávez disse que é preciso continuar a trabalhar para convencer os setores de classe média de que estes seriam beneficiados por um modelo socialista. Além disso, disse que o "bombardeio midiático" provocou dúvidas em muitos chavistas que não foram às urnas.
| Francesco Spotorno/Reuters |
![]() |
| Chávez atribui derrota em referendo a momento errado e imaturidade social |
"Vamos analisar o que aconteceu. A oposição manteve a votação de dezembro de 2006, mas nós tivemos 3 milhões de votos a menos", comentou o governante.
Nas eleições presidenciais de dezembro de 2006, Chávez recebeu 7,3 milhões de votos, contra 4,3 milhões do candidato de oposição Manuel Rosales. No domingo (2), a oposição conseguiu 4,5 milhões de votos para o "não" à reforma contra 4,3 milhões do "sim".
Chávez acrescentou que o projeto de sociedade socialista "continua no seu programa de governo". Ele afirmou ainda que decidiu aceitar a derrota porque, caso contrário, setores da oposição poderiam provocar uma onda de distúrbios. "Se eu tivesse me empenhado em esperar até a apuração do último voto, como alguns queriam, não sei quantos mortos estaríamos contando agora, porque ainda não teríamos um número final", argumentou.
O governante disse também que recebeu telefonemas dos presidentes da Nicarágua, Daniel Ortega, do Equador, Rafael Correa, da Argentina, Néstor Kirchner, e de Cuba, Fidel Castro.
Estratégia errada
Na opinião de Daniel Hellinger, especialista em Venezuela e professor de História, Política e Legislação da Universidade Webster, no Missouri (Estados Unidos), Chávez adotou uma estratégia errada ao vincular a proposta de reforma constitucional à sua imagem.
"Afirmar, durante a campanha, que com a aprovação da reforma poderia ele poderia ficar no poder até 2050, foi um erro sério de Chávez", afirmou Hellinger por telefone à Folha Online nesta segunda-feira.
A proposta rejeitada criaria novos tipos de propriedades comunitárias, permitiria que Chávez escolhesse líderes locais para realizar um novo desenho do mapa político, e suspendesse os direitos civis durante prolongados estados de emergência.
Sem a reforma, ele não poderá concorrer à reeleição em 2012.
Outras mudanças seriam a diminuição da carga horária de trabalho de 8 para 6 horas diárias, a criação de um fundo de segurança social para os milhões de trabalhadores informais, e de conselhos regionais para que se decidisse como empregar os fundos do governo.
EUA
O subsecretário de Estado americano, Nicholas Burns, qualificou ontem de "positivo" o resultado do referendo sobre a proposta de reforma da Constituição de 1999 na Venezuela, no qual o presidente Hugo Chávez sofreu sua primeira derrota eleitoral em nove anos.
"Nós [os EUA] sentíamos que, por meio deste referendo, Chávez seria feito presidente eternamente, e isso não é bem-visto por nós", disse Burns na entrevista.
"Em um país que quer ser democrático, o povo se expressou, e escolheu a democracia".
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Veja galeria de imagens do referendo na Venezuela
- Ministro de Chávez diz que revolucionários devem crescer "na adversidade"
- Espanha parabeniza Venezuela por "amadurecimento democrático"
- Após vitória, oposição a Chávez prega reconciliação
- Chávez sofre derrota em referendo; EUA comemoram resultado
- Entenda o que está em jogo no referendo na Venezuela
Especial



romantismo de um Che Guevara,ou a eficiência do
Bin Laden,El Gran de Coca Cola nem como tenor de
ópera bufa,tem lugar na história.É um personagem
que já nasceu póstumo...
avalie fechar
E continuará fazendo...
Essa gente, odeia a imprensa livre e os direitos individuais.
A Argentina, segue pelo mesmo caminho perigoso.
O Brasil, está aos poucos sendo cercado por um "muro" de populistas e demagogos da pior espécie.
O triste é saber, que tem muita gente aqui, que adoraria ir pelo mesmo caminho dos comunistas bolivarianos.
Vão sonhando, vão sonhando...
avalie fechar
Depois de ter apoiado, por ação ou omissão, o expansionismo totalitário do chefe de Estado venezuelano, Lula quer dar-lhe uma virgindade e apresentá-lo como uma vítima dos Estados Unidos e da Colômbia.
É bom o sr Lula tirar o cavalinho da chuva que a festinha está prestes a terminar.
avalie fechar