Rice pede nova sanção ao Irã, apesar de informe da inteligência
da Folha Online
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, defendeu nesta terça-feira o aumento da pressão sobre o Irã, com novas sanções, apesar do relatório da inteligência dos EUA, segundo o qual houve uma paralisação no programa atômico de Teerã.
"É o momento de a diplomacia continuar trabalhando. Não podemos dizer que já não precisamos da diplomacia", afirmou Rice, a bordo do avião que a levava para a Etiópia e que fez uma escala na base espanhola de Rota (Andaluzia, sul).
| Lawrence Jackson/AP |
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| A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, durante discurso nesta segunda-feira, em Washington |
"É preciso seguir adiante com a resolução do Conselho de Segurança (das Nações Unidas) e com as pressões que estamos fazendo para que (os iranianos) não consigam se dotar do material" necessário para a bomba atômica, explicou.
O Irã continua enriquecendo urânio "em níveis cada vez mais elevados", o que lhe dará, eventualmente, capacidade para ter armas nucleares, completou Rice.
Os EUA negociam com Reino Unido, França, Alemanha, China e Rússia a aprovação de uma terceira sanção contra o Irã por sua negativa a parar o enriquecimento de urânio, ainda que Moscou e Pequim sejam reticentes sobre essa medida.
Na segunda-feira, a inteligência americana anunciou que o Irã paralisou seu programa de armamento nuclear em 2003 e que, no momento, não tem a bomba atômica, admitindo, porém, desconhecer suas intenções atuais.
Bush
Nesta terça-feira, o presidente dos EUA, George W. Bush, reiterou que existe um perigo no programa iraniano e manteve em aberto a possibilidade de recorrer à força contra a República Islâmica.
"Eu vejo o relatório como uma evidência de que eles mantinham um programa, já que o suspenderam", afirmou Bush. "É um alerta para o fato de que eles podem retomá-lo", disse.
"Sinto fortemente que o Irã é uma ameaça, e acho que a NIE [Estimativa Nacional de Inteligência, que emitiu o relatório] deixou claro que o país deve ser visto como uma séria ameaça à paz. Minha opinião não mudou", acrescentou Bush.
Também nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que os EUA fizeram bem em "corrigir" sua visão de que o país mantém um programa nuclear ativo.
"É natural que nós recebamos bem [o novo relatório]. É uma visão realista", disse Mottaki.
Para o ministro, os diversos relatórios divulgados recentemente mostram que "as atividades nucleares do país têm fins pacíficos".
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Mohammad Ali Hosseini disse que o novo documento é uma "prova" de o Irã não procurava armas nucleares, e que afirmações nesse sentido eram "falsas". "As observações de Bush e de autoridades americanas a respeito do perigo do programa nuclear iraniano não têm base nem fundamento", afirmou Hosseini.
Outras autoridades iranianas também exaltaram o documento da NIE, que, segundo eles, "desarma" os oficiais dos EUA que pressionam por uma ação militar americana contra o Irã.
Desconfiança
Os Estados Unidos e alguns de seus aliados têm acusado o Irã de tentar desenvolver armas nucleares.
No entanto, de acordo com o texto, a descoberta sugere que a diplomacia foi efetiva em conter as ambições nucleares do Irã. Não está certo ainda se as novas conclusões terão algum impacto sobre a determinação dos Estados Unidos em impor sanções contra o Irã.
Apesar da suspensão do desenvolvimento de armas, Teerã não teria desistido de produzir uma bomba nuclear, porque acreditaria que tal arma facilitaria a manutenção da segurança nacional e o alcance de objetivos políticos, de acordo com a conclusão do relatório.
O país manteve o enriquecimento de urânio para seus reatores nucleares civis, o que deixa aberta a possibilidade de que o material seja desviado para atividades com fins militares.
De acordo com o documento, o Irã poderá ser capaz de obter urânio enriquecido suficiente para produzir uma arma nuclear entre 2010 e 2015.
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