CIA destrói dois vídeos que mostravam interrogatórios de membros da Al Qaeda
da Folha Online
A CIA (agência central de inteligência americana) destruiu em 2005 ao menos dois vídeos que documentavam os interrogatórios de integrantes da rede terrorista Al Qaeda que estavam sob sua custódia, informou nesta sexta-feira o jornal "The New York Times".
As gravações mostrariam agentes da CIA fazendo uso de técnicas severas de interrogatório, segundo fontes ouvidas pelo jornal.
De acordo com o "NYT", as gravações foram destruídas em parte para proteger os agentes de eventuais "riscos legais" a que ficariam expostos.
A destruição das fitas levanta questões sobre se a CIA pretenderia esconder aspectos de seu programa de detenção do Congresso dos Estados Unidos.
Ao tomar conhecimento de que o "NYT" preparava uma reportagem sobre o caso, o diretor da CIA, general Michael V. Hayden, disse, em comunicado aos funcionários da agência, que as fitas foram destruídas com o intuito de "preservar a identidade dos agentes". Para ele, os oficiais e seus familiares ficariam sujeitos a retaliações caso o conteúdo das gravações viesse a público.
Além disso, afirmou Hayden, as gravações "não tinham mais valor" para os trabalhos de inteligência.
Os vídeos não foram submetidos à apreciação da corte que analisa o caso do suspeito de terrorismo Zacarias Moussaoui, nem à comissão sobre o atentado de 11 de Setembro de 2001 --que já havia solicitado à CIA o envio de transcrições e documentos sobre os interrogatórios.
O caso deverá reacender o debate sobre as leis que regulam as práticas de interrogatório de agências de inteligência. Na última quarta-feira (5), uma comissão no Congresso aprovou a ilegalidade do tratamento duro aos interrogados. A matéria, porém, ainda deve passar pelo Senado e está sujeita a sanção presidencial.
A democrata Jane Harman, da Califórnia, disse ter alertado a CIA de que a destruição de qualquer material que registra os interrogatórios seria uma "má idéia".
"Como pode a CIA alegar que as fitas não tinham relevância para uma análise no âmbito legislativo? Esse episódio reforça minha visão de que a agência não pode ter um programa de interrogatório separado", afirmou Harman.
Com "The New York Times"
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