Sem confiar em Bhutto, Sharif concorrerá à eleição no Paquistão
da Efe, em Lahore
da Folha Online
O partido do ex-premiê paquistanês Nawaz Sharif participará das eleições legislativas de 8 de janeiro, diante da suspeita de que a líder opositora Benazir Bhutto apoiará o ditador do país, Pervez Musharraf, disse nesta segunda-feira um porta-voz da legenda.
"Decidimos disputar as eleições porque Benazir Bhutto não quer boicotá-las e não podemos deixar o campo livre para a seu partido [o Partido Popular do Paquistão]", disse à Efe o porta-voz da Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N) Ahsan Iqbal.
Segundo Iqbal, se o PML-N não concorresse às eleições, Musharraf poderia conseguir, com o apoio de Bhutto, uma maioria de dois terços no Parlamento.
| Greg Baker/AP |
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| Sharif decide concorrer às eleições no Paquistão por "não confiar" em Bhutto |
"Sim, suspeitamos que Bhutto está disposta a apoiar Musharraf", assegurou o porta-voz.
A decisão do PML-N chega depois de os 15 partidos da grande aliança que lidera, a APDM, se reunirem na cidade de Lahore e não chegarem a um consenso para boicotar as eleições.
Sharif tinha defendido em princípio a não participação no pleito até que Musharraf restaurasse os magistrados do Tribunal Supremo destituídos após a declaração do estado de exceção.
Além disso, a candidatura de Sharif foi rejeitada pela Comissão Eleitoral, que alegou no mês passado que ele ainda possui uma condenação judicial.
"Não recorremos contra a medida porque não reconhecemos os juízes que deveriam julgar o recurso. Eles são leais a Musharraf, não à Constituição do Paquistão", disse Iqbal.
Sharif foi condenado em 2000 à prisão perpétua por ter ordenado, em outubro de 1999, quando era primeiro-ministro, o seqüestro do avião no qual viajava Musharraf, então chefe do Exército, que retornava de uma visita oficial ao Sri Lanka.
Apesar de Sharif não concorrer ao pleito, outros membros de seu partido poderão se candidatar "sem nenhum problema", segundo Iqbal. A decisão do partido de Sharif poderia prejudicar a legenda patrocinada por Musharraf, a Liga Muçulmana do Paquistão-Q, uma cisão do PML-N com a qual concorre pelo voto islamita moderado.
Neste domingo, Musharraf anunciou que suspenderá o estado de exceção no próximo dia 15, um dia antes do planejado. "O estado de emergência terminará no dia 15 [de dezembro]. Sempre cumpro meus compromissos", disse Musharraf ao programa "Late Edition", transmitido na noite de sábado pela rede de televisão CNN.
O presidente também prometeu que as eleições parlamentares de 8 de janeiro serão livres.
"Sim, garanto que (as eleições) serão livres e justas".
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