Cristina Kirchner toma posse nesta segunda-feira na Argentina
da Efe, em Buenos Aires
da Folha Online
A presidente eleita da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, assumirá nesta segunda-feira o cargo para um mandato de quatro anos, em uma cerimônia que contará com a presença de nove chefes de Estado e de figuras políticas de vários países.
Em um ato no Parlamento que terá início às 15h (16h de Brasília), Cristina, 54, receberá a faixa presidencial das mãos de seu marido, Néstor Kirchner, um fato inédito no país.
Cristina será a segunda presidente argentina. A primeira delas, Isabel Perón --que casou-se com Juan Perón após a morte de Evita-- era vice-presidente quando o marido morreu, em 1974, e ocupou o posto por 20 meses antes de ser deposta por um golpe militar.
Após tomar posse e pronunciar seu primeiro discurso à nação diante da Assembléia Legislativa, Cristina seguirá de carro até a Casa Rosada, sede do Executivo argentino, onde às 16h30 (17h30 de Brasília) a presidente empossará os 11 ministros de seu governo.
Após a posse, Cristina já tem 12 encontros bilaterais previstos --o primeiro deles com o primeiro-ministro francês, François Fillon, no qual se destaca a questão dos reféns da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Cristina também receberá em seu escritório a presidente do Chile, Michelle Bachelet, e os da Venezuela, Hugo Chávez; e Colômbia, Álvaro Uribe, além do príncipe Felipe, da Espanha.
Ela também se reunirá com os enviados de Canadá, Japão, China e Rússia, com as vice-presidentes de El Salvador e da África do Sul, Ana Vilma de Escobar e Phumzile Mlambo-Ngcuka, respectivamente, e com o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavía.
Cerimônia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou no final da tarde deste domingo à Argentina e estará presente à posse de hoje.
A cerimônia também será acompanhada pelos presidentes Rafael Correa (Equador),Nicanor Duarte (Paraguai), Tabaré Vázquez (Uruguai), Evo Morales (Bolívia) e Manuel Zelaya (Honduras).
Também confirmaram presença o presidente eleito da Guatemala, Álvaro Colom; o vice-presidente do Peru, Luis Giampetri Rojas; o primeiro-ministro da Guiné Equatorial, Ricardo Mangue; além dos chanceleres do México, Patricia Espinosa, e da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Riad al Maliki.
A ministra da Economia francesa, Christine Lagarde; a de Políticas Familiares da Itália, Rosy Bindi; o ministro do Interior israelense, Meir Sheetrit; a secretária de Trabalho dos Estados Unidos, Elaine Chao, e a governadora-geral do Canadá, Michaëlle Jean, também estarão presentes.
Comparecerão ainda o titular da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza; a vice-presidente do Banco Mundial, Pamela Cox; a titular do Conselho das Américas, Susan Segal; a primeira-dama do Panamá, Vivian Fernández de Torrijos, e o dirigente do partido Trabalhista britânico, Bob Blizzard.
Na noite deste domingo, a maioria dos convidados esteve presente em um jantar de honra ocorrido no palácio da Chancelaria argentina. Os representantes de Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela também participaram ontem da assinatura da ata de constituição do Banco do Sul, uma entidade de desenvolvimento regional.
Popularidade
Grande parte da popularidade de Cristina se deve ao seu marido, que assumiu em 2003 um país que lutava para se recuperar da grave recessão econômica e da crise política.
O crescimento sustentável previsto para 2007 na Argentina é de 8%, bem acima dos países vizinhos. Nos quatro anos da administração atual, o desemprego caiu de cerca de 25% para aproximadamente 8%.
A proporção da população vivendo abaixo da linha de pobreza foi de 53%, quando Kirchner assumiu, para cerca de 26% atualmente. As indústrias argentinas hoje funcionam no limite de suas capacidades, dado o consumo impulsionado pelas políticas do atual governo.
Néstor Kirchner também fomentou políticas de direitos humanos, investindo nos julgamentos dos militares --e até de um capelão-- envolvidos em crimes durante a ditadura e realizou reformas na Suprema Corte do país.
Tais medidas agradaram amplamente a população, fazendo com que ganhasse popularidade.
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