Mundo
11/12/2007 - 09h21

Ex-agente da CIA revela práticas de tortura em interrogatórios

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da Folha Online

Um ex-agente da CIA [inteligência americana] que diz ter participado de interrogatórios de um suposto terrorista ligado à Al Qaeda, revelou nesta segunda-feira, em entrevista ao "Washington Post", o uso de técnicas de tortura durante as sessões.

No entanto, ele tentou justificar as práticas, dizendo que estas deram à inteligência subsídios que "provavelmente salvaram vidas".

De acordo com o ex-agente John Kiriakou, o primeiro membro do alto comando da rede Al Qaeda capturado após o atentado de 11 de Setembro de 2001, Abu Zubaydah, entregou informações que permitiram à CIA desmantelar planos terroristas "em menos de um minuto" após ser submetido a técnicas de afogamento.

Kiriakou --que serviu como interrogador da CIA no Paquistão-- é o primeiro funcionário da CIA envolvido nos interrogatórios de dirigentes da Al Qaeda a falar publicamente.

Ao "Post", ele disse que não presenciou a sessão em que Zubaydah foi submetido às práticas de afogamento, mas chegou a interrogá-lo em um hospital paquistanês em 2002.

Ele descreveu Zubaydah como "desafiador" e "pouco cooperativo" --até o dia em que os oficiais envolveram seu rosto em papel celofane e usaram técnicas de afogamento.

Segundo o ex-agente --que recebeu a descrição detalhada do interrogatório-- a tortura durou 35 segundos, até Zubaydah perder a consciência. De acordo com Kiriakou, o integrante da Al Qaeda afirmou, no dia seguinte, que contaria tudo o que os agentes quisessem.

"Ele disse que Alá veio até ele na cela e lhe disse para cooperar, para que as coisas ficassem mais fáceis para seus irmãos", afirmou Kiriakou.

Vídeos

As declarações de Kiriakou vieram a público um dia antes de agentes da CIA apresentarem-se ao Congresso americano para falarem sobre a destruição dos vídeos que mostravam os interrogatórios de Zubaydah e de Abd al Rahim al Nashiri --outro líder acusado de vínculos com a rede Al Qaeda.

Na última quinta-feira (6), o diretor da CIA, Michael Hayden, admitiu que as gravações foram destruídas deliberadamente.

Segundo ele, a decisão foi tomada "dentro da CIA" com o intuito de proteger a identidade dos agentes. Ainda de acordo com ele, os vídeos "não teriam mais valor" para os trabalhos de inteligência.

As fitas foram inutilizadas apesar das ordens judiciais que solicitavam ao governo a preservação das gravações dos programas de interrogatórios da CIA.

Explicações

Na última sexta-feira (7), líderes do Congresso dos Estados Unidos exigiram explicações sobre o caso.

Em particular, os legisladores querem saber se o Departamento de Justiça sabia da existência dos vídeos, e de sua posterior destruição.

Os legisladores querem determinar se as autoridades omitiram a existência das gravações enquanto um tribunal federal analisava o caso contra o franco-marroquino Zacarias Moussaoui, cuja defesa tinha solicitado materiais obtidos dos interrogatórios.

O presidente do Comitê Judicial da Câmara de Representantes, o democrata John Conyers, liderou uma investigação sobre uso da tortura e vários métodos coercitivos de interrogatórios de agentes do governo.

O governo dos Estados Unidos nega haver prática de tortura durante os interrogatórios.

A porta-voz da Casa Branca Dana Perino afirmou na sexta-feira (7) que o presidente americano, George W. Bush, não tinha conhecimento prévio da destruição das fitas.

"Conversei hoje com o presidente [Bush] sobre isso. Ele não se lembra de ter sido informado a respeito da destruição das gravações até ontem, quando foi informado por Hayden", afirmou.

Com Washington Post

Comentários dos leitores
André Luis Nakamura (24) 22/12/2007 10h20
André Luis Nakamura (24) 22/12/2007 10h20
Lamentável que o governo norte americano torture pessoas, ainda que suspeitas de um dos piores atentados. Sendo muito breve, se fosse uma situação oposta, imaginem norte americanos suspeitos de atentados capturados em outro país, torturados e humilhados sem o mínimo direito de defesa... será que a ONU permitiria? 1 opinião
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Adrián Fanjul (1) 20/12/2007 10h59
Adrián Fanjul (1) 20/12/2007 10h59
SAO PAULO / SP
Os casos narrados são pouco no contexto dos crimes contra a humanidade cometidos pelo governo estadunidense. Desde a invasão ao Iraque centenas de milhares de pessoas que nada têm a ver com terrorismo nenhum foram mutiladas e/ou assassinadas. O mundo tem suficientes evidências da tortura sistemática em Abuh Graib e do genocídio contra a população de Fallujah, incluindo as crianças, cometido pelos mercenários enfurecidos, encorajados pela reeleição de Bush.
Agora que os neoconservadores começam a recuar depois do fracasso de tentativa de guerra contra o Irã, começamos a ouvir esse tipo de acusações, mas ainda estamos longe do verdadeiro Nüremberg que é necessário contra esse governo e seus aliados.
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Ellen . (192) 13/12/2007 13h52
Ellen . (192) 13/12/2007 13h52
Quando será que o governo norte-americano tirará a capa de cordeiro defensor da liberdade e dos direitos humanos para mostrar sua verdadeira face de um lobo que utiliza os meios mais sujos para manter a riqueza daqueles que dominam o setor financeiro mundial?O governo dos Estados Unidos não apenas comete crimes contra a humanidade como é o maior violador dos direitos humanos. Os soldados enviados ao Iraque para "democratizar e libertar o país" cometem os mais violentos crimes que vão desde estupros até a morte de crianças inocentes. Mas isso a mídia não mostra.
Os auto-intitulados "defensores da humanidade" financiam guerras ao redor do mundo para a prevalência de seus interesses. Eles também financiam golpes de Estado na América Latina e financiam governos totalitários na África. Mas isso a mídia também não mostra.A prisão de Guantánamo é ilegítima e arbitrária, um verdadeiro símbolo de abuso e injustiça. Mas muitas pessoas mal sabem o que é isso, afinal, a mídia prefere mostrar "o ditador" Fidel, já que ele é o símbolo da arbitrariedade!
Os Estados Unidos, de forma suja e arbitrária chantagia vários governos na África colocando as seguintes condições: ou vocês fazem aquilo que mandamos, ou aplicaremos sanções econômicas e bloquearemos o envio de alimentos à população. Mas isso a mídia também não comenta.
O "eixo do mal" está muito próximo de nós. É nos Estados Unidos que reina as mais imundas formas de dominação global.
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