Maioria dos paquistaneses quer a renúncia de Musharraf, diz pesquisa
da Folha Online
Dois terços dos paquistaneses querem a renúncia do ditador Pervez Musharraf, aponta a primeira pesquisa de opinião desde o dia 3 de novembro --quando o governo decretou o estado de emergência.
O levantamento mostra também que o grupo aliado a Musharraf deverá sofrer uma forte derrota nas eleições legislativas, marcadas para o dia 8 de janeiro.
| K.M. Chaudary/AP |
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| Advogados paquistaneses queimam cartaz durante manifestação contra Musharraf; maioria quer renúncia de ditador, diz pesquisa |
De acordo com a pesquisa, o partido da ex-premiê Benazir Bhutto conta com 30% das intenções de voto, enquanto a agremiação do também ex-premiê Nawaz Sharif teria 25% dos votos. Já o partido de Musharraf receberia o apoio de 23% do eleitorado.
A renúncia de Musharraf é pedida por 67% dos entrevistados.
"Esse é certamente o pior resultado que Musharraf já viu. Ele estava em uma posição bem melhor há um ano", disse Rov Varsalone, diretor do IRI, instituto que vem conduzindo pesquisas no país desde 2002.
A pesquisa, realizada entre os dias 19 e 28 de novembro, consultou 3.520 pessoas nas quatro Províncias paquistanesas, informou o IRI, ligado ao Partido Republicano dos Estados Unidos.
Os resultados revelam a queda na popularidade de Musharraf neste ano, por conta do aumento nas ações de extremistas islâmicos, a imposição do estado de emergência e a prisão de milhares de pessoas que protestaram contra o governo.
Caso a tendência apontada pelo IRI se confirme nas urnas, Musharraf enfrentará um parlamento hostil, que poderia inclusive mover um processo de impeachment contra ele.
Musharraf já anuncoiu que o estado de emergência será suspenso no próximo sábado. Mas antes, a Constituição será emendada para garantir mais poder ao ditador e evitar que ele seja levado à Justiça, disse à agência Efe o procurador-geral Malik Mohammed Qayyum.
Musharraf pretende também alterar a lei que impede um candidato de tornar-se primeiro-ministro por três vezes, como seria o caso de Bhutto.
Ataques
Subiu para dez o número de mortos nos dois ataques suicidas quase simultâneas que atingiram um posto militar em Quetta, no sudoeste do Paquistão nesta quinta-feira.
Segundo o vice-chefe de polícia do país, Rehmatullah Niazi, três soldados morreram na primeira explosão. Segundos depois, uma outra bomba estourou matando mais dois soldados, um policial e quatro civis.
Dezenas ficaram feridos e foram hospitalizados.
Forças de segurança cercaram rapidamente a área, que fica perto de um área da cidade que abriga instalações militares.
Quetta, cidade próxima da fronteira com o Afeganistão, é cenário freqüente de ataques a tiros. Muitas destas ações têm ligação com a insurgência de nacionalistas da região que pleiteiam autonomia para a Província, que é pobre apesar de possuir recursos naturais.
Com France Presse, Efe, Associated Press e Reuters
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