Mundo
14/12/2007 - 09h14

Condenação de Fujimori indica fim da impunidade na AL, diz analista

Publicidade

FERNANDO SERPONE
da Folha Online

A condenação do ex-presidente peruano Alberto Fujimori indica que a impunidade de líderes que cometeram crimes chega ao fim na América Latina, na opinião de Peter Hakim, presidente do Inter-American dialogue, instituto de análise política de Washington.

Fujimori, 69, que governou o Peru de 1990 a 2000, foi condenado na última terça-feira (11) a seis anos de prisão por abuso de autoridade. Ele ainda enfrentará julgamentos por duas acusações de violações aos direitos humanos, e outras quatro de corrupção.

"Líderes como Fujimori e [Augusto] Pinochet [ditador do Chile entre 1973 e 1990] não ficam mais impunes na América Latina, afirmou Hakim em entrevista por telefone à Folha Online.

Pilar Olivares/Reuters
Ex-presidente do Peru Alberto Fujimori (1990-2000) durante julgamento por violações aos direitos humanos em Lima
Ex-presidente do Peru Alberto Fujimori (1990-2000) durante julgamento por violações aos direitos humanos em Lima

"De certa forma, há um fim da impunidade", diz Hakim, que já deu aulas no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e na Universidade Columbia, e testemunhou diversas vezes perante o Congresso dos EUA.

O analista reconhece, no entanto, que a impunidade ainda existe na região, mas acredita há "uma nova tendência".

"Cada vez mais prevalece a idéia de que um líder --presidente, ministro, chefe de Estado-- é responsável por seus atos durante seu mandato".

"Pinochet e Fujimori cometeram crimes grandes. Nos dois casos, havia uma oposição política e um repúdio internacional muito forte, eles são exemplos extremos", explica Hakim.

Para o especialista, apesar de a pena de Fujimori ser uma sentença em primeira instância, o ex-presidente "com certeza irá cumprir" a pena, apesar de afirmar que irá recorrer.

"Já o consideraram culpado, e ainda há outros dois temas que terá de enfrentar no tribunal. Ele será condenado por um ou outro e preso, não tenho dúvidas. Não há saída para ele".

Fuga

Após ser eleito presidente por três vezes, Fujimori fugiu para o Japão em 2000 em meio a uma grave crise política desencadeada por denúncias de corrupção contra o seu governo.

O ex-presidente mandou sua renúncia por fax do Japão, onde ficou até 2005, já que goza de cidadania japonesa. Do Japão, Fujimori viajou ao Chile, onde finalmente foi detido. Em setembro de 2007, a Suprema Corte chilena aprovou o pedido de extradição do nipo-peruano.

Mariana Bazo/Reuters
Simpatizantes do ex-presidente colocam faixas de apoio a Fujimori em Lima
Simpatizantes do ex-presidente colocam faixas de apoio a Fujimori em Lima

Ao ser questionado sobre os motivos que fizeram Fujimori deixar o Japão --se ficasse no país, continuaria impune, já que o Japão se recusou a extraditá-lo por ser cidadão japonês-- Hakim diz acreditar que "ele --como muitos políticos-- parecia crer que era invencível".

Para o analista, o ex-presidente superestimou o seu apoio no Peru, pensando que um grande número de pessoas no país estaria a seu favor após seu retorno.

"Acho que essa é uma doença geral dos políticos, superestimar seu apoio e popularidade".

Hakim afirma ainda que Fujimori "poderia ter sido um presidente bem avaliado pelos peruanos", mas abusou de seu poder de tal maneira que "tudo o que fez para o bem do Peru se perdeu", ao deixar as instituições do país em uma situação "bastante deteriorada".

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca