Ahmadinejad destaca "mudança positiva" dos EUA em relação ao Irã
da Efe, em Teerã
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, qualificou como uma "mudança positiva" na política dos Estados Unidos em relação ao Irã o recente relatório das agências de inteligência americanas que assegura que Teerã suspendeu seu programa atômico militar em 2003.
Em entrevista exibida neste domingo pela televisão estatal, o presidente iraniano descartou a possibilidade de o Conselho de Segurança da ONU impor novas sanções ao Irã por seu programa atômico, já que "não há nada que possa justificá-las".
"As investigações sobre as acusações americanas a respeito do programa nuclear iraniano começaram há cinco anos, e agora admitem que não houve nenhum desvio em nosso programa, o que consideramos como uma mudança na postura americana em relação ao Irã", disse.
Para Ahmadinejad, "esta medida americana é positiva".
"Temos de ter uma reação positiva quando nossos inimigos escolhem o caminho correto", acrescentou o presidente, que não precisou como será essa "reação positiva" iraniana.
Relatório
O relatório das agências de inteligência dos Estados Unidos, publicado no último dia 3, assegura que Teerã interrompeu em 2003 seu programa nuclear militar, o que serviu ao regime iraniano como desculpa para declarar-se "vitorioso" e insistir em que seu caso atômico "está encerrado".
Contudo, tanto EUA como a UE (União Européia) insistiram em que sua política não mudou a respeito das atividades nucleares iranianas, e seguirão pressionando para que a República Islâmica ponha fim a seu programa de enriquecimento de urânio.
O Irã não tem relações diplomáticas com os EUA desde o começo da década de 80, mas desde maio passado mantém contatos com Washington sobre o restabelecimento da segurança no Iraque.
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Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos disse: "Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear. É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
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