Após cruzar fronteira, tropas turcas se retiram do norte do Iraque
da Folha Online
As tropas turcas que cruzaram a fronteira com o norte do Iraque na madrugada desta terça-feira começaram a se retirar, de acordo com um comunicado divulgado por autoridades do Curdistão.
A ofensiva turca acontece supostamente em decorrência de uma perseguição a rebeldes do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), que lutam pela criação de uma região autônoma.
Segundo o gabinete de Massud Barzani, presidente da região semi-autônoma, cerca de 500 soldados turcos entraram na zona fronteiriça, mas não se aproximaram das linhas das forças de segurança do Curdistão iraquiano.
Em entrevista à CNN, o porta-voz do governo curdo, Jamal Abdullah, estima que 300 soldados turcos tenham participado da ofensiva. Ele informa que as tropa turcas avançaram cerca de 2 a 3 quilômetros após a fronteira.
A incursão desta terça-feira foi a mais recente de uma série de pequenas ofensivas contra o PKK. A incursão durou cerca de 13 horas, informaram autoridades do governo do Curdistão.
No domingo (16), caças F-16 turcos bombardearam bases dos combatentes do PKK, no norte do Iraque, incluindo a região de montanhas onde está sua principal base.
Segundo um comunicado do PKK, citado pela agência Firat, os bombardeios provocaram a morte de sete pessoas, das quais cinco pertenciam a este grupo rebelde e duas eram civis.
O ministro das Relações Exteriores iraquiano, Hoshyar Zebari, disse nesta terça-feira em entrevista coletiva ao lado dda secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que a presença do PKK no país é "inaceitável", mas preocupa-se com "ações unilaterais" que podem prejudicar ambos os países, Turquia e Iraque.
Rice disse que os EUA, o Iraque e a Turquia "tem um interesse comum em deter as atividades" dos separatistas turcos no norte do Iraque.
Ajuda dos EUA
Uma reportagem do jornal "Washington Post" publicada nesta terça-feira aponta que os EUA passaram à Turquia informações da inteligência que ajudaram o Exército em ações contra os rebeldes.
Segundo o "Post", que cita fontes do Pentágono, militares americanos criaram um centro de informações da inteligência em Ancara, na Turquia, fornecendo imagens e outras informações em tempo real recolhidas de aviões americanos que sobrevoam os redutos rebeldes.
De acordo com a fonte citada pelo "Post", os EUA auxiliam a Turquia ao "apontar alvos". Em seguida, o Exército turco decide se deve ou não agir, e notifica autoridades americanas.
Pressão
A Turquia diz ter o direito de usar a força para combater rebeldes separatistas que se refugiam na região semi-autônoma do Curdistão, no norte do Iraque. Porém, os Estados Unidos e a União Européia temem que uma escalada na tensão possa desestabilizar a região.
"Nosso Exército fará o que for necessário", disse o premiê turco, Tayyip Erdogan, em uma coletiva de imprensa, ao ser questionado a respeito das ofensivas de pequeno porte.
O governo turco sofre pressão da opinião pública para agir contra o PKK após confrontos entre rebeldes e soldados turcos nos últimos meses.
A Turquia culpa o Iraque por falhar em deter as atividades do PKK, e os EUA por não pressionarem autoridades iraquianas.
Com France Presse
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