Mundo
19/12/2007 - 11h47

Peregrinos participam de Festa do Sacrifício na Arábia Saudita

Publicidade

FARHAD POULADI
da France Presse, em Mina (Arábia Saudita)

Mais de 2 milhões de muçulmanos participaram nesta quarta-feira, em Mina, do ritual de apedrejamento das colunas que simbolizam Satã e celebraram o rito imolando um animal, no primeiro dia do Adha, a Festa do Sacrifício, sua celebração mais importante.

Mais de 10 mil policiais foram mobilizados na cidade, onde, no passado, ocorreram ondas de pânico entre os que celebravam o ritual, que custaram a vida de centenas de fiéis.

Cada peregrino deve jogar sete pedras contra cada um dos três blocos de concreto de uma altura de 25 metros. Estes blocos podem ser atingidos mais facilmente do que as colunas que eram usadas até 2004. Para maior segurança, o recinto circular foi substituído por uma barreira oval que permite maior fluidez ao movimento.

O governo saudita diz ter gasto milhões de dólares nos últimos anos para desenvolver a infra-estrutura dos lugares santos, facilitar o desenvolvimento da peregrinação e evitar tragédias.

No lugar das três colunas, as autoridades construíram pontes de três níveis que podem receber simultaneamente 360 mil peregrinos por hora, mas, para liberar o percurso, o fluxo para as colunas foi estabelecido, em 2006, em 240 mil peregrinos por hora.

Segundo a tradição, neste lugar Satã surgiu em três oportunidades, primeiro ante Abraão, depois ante sua mulher Hagar e, mais tarde, ante seu filho Ismael. Para expressar seu desprezo, Abraão e sua família jogaram pedras contra ele em sete oportunidades.

O gesto foi perpetuado e os muçulmanos devem realizar esta última etapa para poder cumprir com o Hajj.

Tragédias

Este último ritual da peregrinação é o mais perigoso, já que anteriormente ocorreram avalanches humanas nas quais morreram centenas de pessoas.

Em janeiro de 2006, 364 pessoas perderam a vida em um gigantes movimento de pânico durante o ritual de apedrejamento. Mas a avalanche humana mais grave aconteceu em 1990, quando 1.426 peregrinos, em sua maioria de origem asiática, morreram asfixiados em um túnel de Mina, aparentemente por causa de um defeito no sistema de ventilação.

O apedrejamento prossegue nesta quinta-feira e sexta-feira.

Em Mina, os fiéis devem imolar um animal, geralmente um cordeiro, em comemoração ao sacrifício que Abrãao esteve prestes a realizar quando Deus exigiu que degolasse seu filho Ismael para provar sua fé.

Na véspera, os fiéis se reuniram junto ao monte Ararat para um dia de guarda, no mesmo lugar em que o profeta Maomé transmitiu seu último sermão, há mais de 14 séculos.

Os fiéis mais ardorosos escalam o monte de cerca de 300 metros de altura, também chamado de Jbal Ar Rahma (Monte da Misericórdia), para cumprir o "woukuf", ritual que simboliza a espera do dia do Juízo Final.

Visita ilustre

Entre os fiéis presentes este ano no Hadji, destaca-se o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, convidado pelo rei Abdullah da Arábia Saudita para a primeira participação oficial de um presidente do país na peregrinação à Meca, onde este ano há 102 mil iranianos.

O convite foi interpretado como um "gesto simbólico" entre os dois países, que já se enfrentaram no passado.

Em julho de 1987, as forças de segurança sauditas reprimiram com violência uma manifestação de peregrinos iranianos contra os Estados Unidos e Israel porque, segundo Riad, o Hajj não pode servir de nenhuma maneira de fórum político.

Na ocasião, o Irã estava em guerra com o Iraque, que contava com o apoio das monarquias da região do golfo, entre elas a Arábia Saudita.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca