Mundo
19/12/2007 - 13h05

EUA libertam três residentes britânicos da prisão de Guantánamo

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da Folha Online

Três residentes britânicos que estavam detidos na prisão americana de Guantánamo, em Cuba, foram libertados pelas autoridades dos EUA nesta quarta-feira, informaram oficiais.

Os três libertados foram identificados como Jamil el Banna, da Jordânia, Omar Deghayes, nascido na Líbia, e Abdennour Sameur, de origem argelina. Eles embarcaram em um vôo fretado para o Reino Unido, ao lado de um médico e de agentes contraterroristas.

A polícia britânica informou que o trio será detido na imigração quando chegar ao país.

A lei do Reino Unido permite que suspeitos sejam detidos no aeroporto por até oito horas, e que sejam recolhidas amostras de DNA e suas impressões digitais.

Outros dois residentes britânicos --o saudita Shaker Aamer e o etíope Binyam Mohamed-- devem permanecer em Guantánamo depois que os EUA se recusaram a libertá-los, informou o secretário de Relações Exteriores, David Miliband, na semana passada. De acordo com a rede BBC, espera-se que Aamer também seja libertado e repatriado para a Arábia Saudita.

O governo do premiê Gordon Brown solicitou a libertação dos três prisioneiros em agosto deste ano, em uma mudança de sua política, considerando que anteriormente ele havia se negado a intervir em casos que não afetassem diretamente cidadãos britânicos.

Cinco cidadãos do Reino Unido foram libertados de Guantánamo em março de 2004, e outros quatro em janeiro de 2005, segundo o Ministério de Relações Exteriores do país.

Refugiados

Os cinco homens --alguns dos quais viveram e trabalharam no Reino Unido durante décadas-- tinham status de refugiados e permissão de residência permanente no país.

Os EUA acusam El Banna de ter financiado e recrutado membros para a rede terrorista Al Qaeda. Já Deghayes é acusado de associação com o terrorismo, enquanto Sameur é acusado de ter ajudado no treinamento de terroristas no Afeganistão.

Autoridades britânicas e americanas mantiveram intensas negociações sobre a libertação dos cinco prisioneiros, embora o Pentágono tenha alertado que eles são "perigosos".

Segundo a imprensa britânica, os EUA pediram ao Reino Unido garantias de que o grupo não representaria ameaça à segurança do país.

Desde 2001, Guantánamo abriga centenas de presos sem assistência legal, entre eles antigos membros do Taleban [milícia que controlava 90% do Afeganistão até a invasão da coalizão liderada pelos EUA, em 2001] e supostos integrantes da rede Al Qaeda.

 

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