Mundo
20/12/2007 - 08h30

Câmara dos EUA pedirá explicação sobre destruição de fitas da CIA

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da Folha Online

O Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes dos EUA anunciou que poderá convocar autoridades da CIA (inteligência americana) para darem explicações sobre a destruição de vídeos que mostravam interrogatórios de supostos membros da Al Qaeda.

O presidente do comitê, Silvestre Reyes, disse que pediria a presença do assessor jurídico da CIA, John Rizzo, e de José Rodríguez, ex-diretor do Serviço Clandestino Nacional, para depor na casa no dia 16 de janeiro.

Ambos devem prestar esclarecimentos a respeito da destruição das fitas, em 2005, que mostrariam o uso de técnicas de tortura contra suspeitos.

Rodríguez foi o funcionário da agência que ordenou a destruição dos vídeos, em 2002.

Segundo fontes legislativas, a convocação representaria um revés à Casa Branca. O governo afirmou que quer realizar a sua própria investigação antes que o Congresso trate do caso.

A CIA prometeu entregar documentos sobre a destruição das gravações ao Congresso.

Nesta quarta-feira, a Casa Branca pediu que o jornal "The New York Times" corrigisse as informações de uma reportagem na qual o jornal acusa o governo de ter um papel maior no caso. Segundo o "NYT", ao menos quatro advogados da Casa Branca fizeram parte de discussões com a CIA, entre 2003 e 2005, sobre a destruição dos vídeos secretos.

A porta-voz do governo Bush, Dana Perino, criticou o jornal por conta do impacto "pernicioso e penoso de sugerir que a Casa Branca abusou da confiança da opinião pública". "Pedimos formalmente que o 'New York Times' corrija esta história", disse ela em um comunicado.

O jornal cita como fonte de seu artigo funcionários não identificados da Casa Branca e dos serviços de inteligência.

Reuniões

Segundo o "NYT", fizeram parte das discussões Alberto R. Gonzales, que era conselheiro da Casa Branca em 2005; David S. Addington, que era conselheiro do vice-presidente, Dick Cheney; John B. Bellinger 3º, que em 2005 era advogado do Conselho de Segurança Nacional; e Harriet E. Miers, que sucedeu Gonzales como conselheiro da Casa Branca.

A reportagem reconhece, no entanto, que suas fontes ofereceram relatos díspares sobre a conveniência ou não de destruir as fitas.

Um ex-funcionário de inteligência disse ao jornal que membros da Casa Branca eram favoráveis à destruição das fitas.

Outras fontes, no entanto, asseguram que ninguém no governo respaldou a destruição.

As novas informações vêm à tona um dia depois que um juiz federal marcou uma audiência para determinar se a destruição das fitas pode ser considerada uma violação à ordem de preservação de evidências devido ao processo de 16 prisioneiros de Guantánamo (Cuba).

As gravações mostrariam o uso de técnicas de tortura durante os interrogatórios de Abu Zubaydah e Abd al Rahim al Nashiri, dois supostos membros da rede Al Qaeda, em 2002.

Tortura

Na semana passada, um ex-agente da CIA que diz ter participado de interrogatórios de um suposto terrorista ligado à Al Qaeda confirmou, em entrevista ao jornal 'Washington Post', o uso de técnicas de tortura durante as sessões.

De acordo com o ex-agente John Kiriakou, o primeiro membro do alto comando da rede Al Qaeda capturado após o atentado de 11 de Setembro de 2001, Abu Zubaydah, entregou informações que permitiram à CIA desmantelar planos terroristas "em menos de um minuto" após ser submetido a técnicas de afogamento.

Kiriakou --que serviu como interrogador da CIA no Paquistão-- é o primeiro funcionário da CIA envolvido nos interrogatórios de dirigentes da Al Qaeda a falar publicamente.

Ao "Post", ele disse que não presenciou a sessão em que Zubaydah foi submetido às práticas de afogamento, mas chegou a interrogá-lo em um hospital paquistanês em 2002.

Segundo o ex-agente --que recebeu a descrição detalhada do interrogatório-- a tortura durou 35 segundos, até Zubaydah perder a consciência. De acordo com Kiriakou, o integrante da Al Qaeda afirmou, no dia seguinte, que contaria tudo o que os agentes quisessem.

O governo dos Estados Unidos nega haver prática de tortura durante os interrogatórios.

Com Efe e Associated Press

Comentários dos leitores
André Luis Nakamura (24) 22/12/2007 10h20
André Luis Nakamura (24) 22/12/2007 10h20
Lamentável que o governo norte americano torture pessoas, ainda que suspeitas de um dos piores atentados. Sendo muito breve, se fosse uma situação oposta, imaginem norte americanos suspeitos de atentados capturados em outro país, torturados e humilhados sem o mínimo direito de defesa... será que a ONU permitiria? 1 opinião
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Adrián Fanjul (1) 20/12/2007 10h59
Adrián Fanjul (1) 20/12/2007 10h59
SAO PAULO / SP
Os casos narrados são pouco no contexto dos crimes contra a humanidade cometidos pelo governo estadunidense. Desde a invasão ao Iraque centenas de milhares de pessoas que nada têm a ver com terrorismo nenhum foram mutiladas e/ou assassinadas. O mundo tem suficientes evidências da tortura sistemática em Abuh Graib e do genocídio contra a população de Fallujah, incluindo as crianças, cometido pelos mercenários enfurecidos, encorajados pela reeleição de Bush.
Agora que os neoconservadores começam a recuar depois do fracasso de tentativa de guerra contra o Irã, começamos a ouvir esse tipo de acusações, mas ainda estamos longe do verdadeiro Nüremberg que é necessário contra esse governo e seus aliados.
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Ellen . (192) 13/12/2007 13h52
Ellen . (192) 13/12/2007 13h52
Quando será que o governo norte-americano tirará a capa de cordeiro defensor da liberdade e dos direitos humanos para mostrar sua verdadeira face de um lobo que utiliza os meios mais sujos para manter a riqueza daqueles que dominam o setor financeiro mundial?O governo dos Estados Unidos não apenas comete crimes contra a humanidade como é o maior violador dos direitos humanos. Os soldados enviados ao Iraque para "democratizar e libertar o país" cometem os mais violentos crimes que vão desde estupros até a morte de crianças inocentes. Mas isso a mídia não mostra.
Os auto-intitulados "defensores da humanidade" financiam guerras ao redor do mundo para a prevalência de seus interesses. Eles também financiam golpes de Estado na América Latina e financiam governos totalitários na África. Mas isso a mídia também não mostra.A prisão de Guantánamo é ilegítima e arbitrária, um verdadeiro símbolo de abuso e injustiça. Mas muitas pessoas mal sabem o que é isso, afinal, a mídia prefere mostrar "o ditador" Fidel, já que ele é o símbolo da arbitrariedade!
Os Estados Unidos, de forma suja e arbitrária chantagia vários governos na África colocando as seguintes condições: ou vocês fazem aquilo que mandamos, ou aplicaremos sanções econômicas e bloquearemos o envio de alimentos à população. Mas isso a mídia também não comenta.
O "eixo do mal" está muito próximo de nós. É nos Estados Unidos que reina as mais imundas formas de dominação global.
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