Câmara dos EUA pedirá explicação sobre destruição de fitas da CIA
da Folha Online
O Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes dos EUA anunciou que poderá convocar autoridades da CIA (inteligência americana) para darem explicações sobre a destruição de vídeos que mostravam interrogatórios de supostos membros da Al Qaeda.
O presidente do comitê, Silvestre Reyes, disse que pediria a presença do assessor jurídico da CIA, John Rizzo, e de José Rodríguez, ex-diretor do Serviço Clandestino Nacional, para depor na casa no dia 16 de janeiro.
Ambos devem prestar esclarecimentos a respeito da destruição das fitas, em 2005, que mostrariam o uso de técnicas de tortura contra suspeitos.
Rodríguez foi o funcionário da agência que ordenou a destruição dos vídeos, em 2002.
Segundo fontes legislativas, a convocação representaria um revés à Casa Branca. O governo afirmou que quer realizar a sua própria investigação antes que o Congresso trate do caso.
A CIA prometeu entregar documentos sobre a destruição das gravações ao Congresso.
Nesta quarta-feira, a Casa Branca pediu que o jornal "The New York Times" corrigisse as informações de uma reportagem na qual o jornal acusa o governo de ter um papel maior no caso. Segundo o "NYT", ao menos quatro advogados da Casa Branca fizeram parte de discussões com a CIA, entre 2003 e 2005, sobre a destruição dos vídeos secretos.
A porta-voz do governo Bush, Dana Perino, criticou o jornal por conta do impacto "pernicioso e penoso de sugerir que a Casa Branca abusou da confiança da opinião pública". "Pedimos formalmente que o 'New York Times' corrija esta história", disse ela em um comunicado.
O jornal cita como fonte de seu artigo funcionários não identificados da Casa Branca e dos serviços de inteligência.
Reuniões
Segundo o "NYT", fizeram parte das discussões Alberto R. Gonzales, que era conselheiro da Casa Branca em 2005; David S. Addington, que era conselheiro do vice-presidente, Dick Cheney; John B. Bellinger 3º, que em 2005 era advogado do Conselho de Segurança Nacional; e Harriet E. Miers, que sucedeu Gonzales como conselheiro da Casa Branca.
A reportagem reconhece, no entanto, que suas fontes ofereceram relatos díspares sobre a conveniência ou não de destruir as fitas.
Um ex-funcionário de inteligência disse ao jornal que membros da Casa Branca eram favoráveis à destruição das fitas.
Outras fontes, no entanto, asseguram que ninguém no governo respaldou a destruição.
As novas informações vêm à tona um dia depois que um juiz federal marcou uma audiência para determinar se a destruição das fitas pode ser considerada uma violação à ordem de preservação de evidências devido ao processo de 16 prisioneiros de Guantánamo (Cuba).
As gravações mostrariam o uso de técnicas de tortura durante os interrogatórios de Abu Zubaydah e Abd al Rahim al Nashiri, dois supostos membros da rede Al Qaeda, em 2002.
Tortura
Na semana passada, um ex-agente da CIA que diz ter participado de interrogatórios de um suposto terrorista ligado à Al Qaeda confirmou, em entrevista ao jornal 'Washington Post', o uso de técnicas de tortura durante as sessões.
De acordo com o ex-agente John Kiriakou, o primeiro membro do alto comando da rede Al Qaeda capturado após o atentado de 11 de Setembro de 2001, Abu Zubaydah, entregou informações que permitiram à CIA desmantelar planos terroristas "em menos de um minuto" após ser submetido a técnicas de afogamento.
Kiriakou --que serviu como interrogador da CIA no Paquistão-- é o primeiro funcionário da CIA envolvido nos interrogatórios de dirigentes da Al Qaeda a falar publicamente.
Ao "Post", ele disse que não presenciou a sessão em que Zubaydah foi submetido às práticas de afogamento, mas chegou a interrogá-lo em um hospital paquistanês em 2002.
Segundo o ex-agente --que recebeu a descrição detalhada do interrogatório-- a tortura durou 35 segundos, até Zubaydah perder a consciência. De acordo com Kiriakou, o integrante da Al Qaeda afirmou, no dia seguinte, que contaria tudo o que os agentes quisessem.
O governo dos Estados Unidos nega haver prática de tortura durante os interrogatórios.
Com Efe e Associated Press
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Os auto-intitulados "defensores da humanidade" financiam guerras ao redor do mundo para a prevalência de seus interesses. Eles também financiam golpes de Estado na América Latina e financiam governos totalitários na África. Mas isso a mídia também não mostra.A prisão de Guantánamo é ilegítima e arbitrária, um verdadeiro símbolo de abuso e injustiça. Mas muitas pessoas mal sabem o que é isso, afinal, a mídia prefere mostrar "o ditador" Fidel, já que ele é o símbolo da arbitrariedade!
Os Estados Unidos, de forma suja e arbitrária chantagia vários governos na África colocando as seguintes condições: ou vocês fazem aquilo que mandamos, ou aplicaremos sanções econômicas e bloquearemos o envio de alimentos à população. Mas isso a mídia também não comenta.
O "eixo do mal" está muito próximo de nós. É nos Estados Unidos que reina as mais imundas formas de dominação global.
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