Mundo
24/12/2007 - 12h56

EUA ignoraram alertas sobre empresas de segurança no Iraque

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da Folha Online
da France Presse

O governo americano ignorou, nos últimos dois anos, alertas a respeito dos riscos da atuação da Blackwater e de outras empresas de segurança, que operam no Iraque sem regulamentação, segundo reportagem publicada no jornal "The Washington Post".

Segundo o jornal, que cita autoridades americanas e documentos de empresas de segurança, advertências sobre os riscos que representavam as dezenas de milhares de pessoas que trabalham no Iraque para companhias de segurança privadas --entre elas a Blackwater-- estavam presentes em relatórios de peritos americanos e de dirigentes iraquianos.

No entanto, o Departamento de Estado e o Pentágono não tomaram medidas para regulamentar as firmas até o ocorrido em 16 de setembro deste ano, quando agentes da Blackwater a serviço do Departamento de Estado para escoltar pessoal do setor diplomático abriram fogo em um cruzamento movimentado de Bagdá, matando 17 civis.

Após a tragédia, uma associação de defesa dos direitos humanos processou a Blackwater em nome de um sobrevivente e das famílias de três mortos. A ação, apresentada em um tribunal federal de Washington, acusa a empresa de homicídio e crimes de guerra e exige compensações por danos, segundo a associação, o Centro para os Direitos Constitucionais.

A Blackwater, que tem cerca de 1.000 homens no Iraque, alega que os agentes responderam a uma emboscada armada enquanto escoltavam um comboio do Departamento de Estado.

Um relatório do Congresso americano publicado em outubro indica, no entanto, que os homens da Blackwater --de propriedade de um ex-militar americano-- que participaram de operações militares americanas no Iraque estão envolvidos em 200 ações com troca de tiros desde 2005 e, na maior parte delas, foram os primeiros a disparar.

Questionado pelo Congresso por ter supostos vínculos com a Blackwater, um alto funcionário do Departamento de Estado, o inspetor-geral Howard Krongard, apresentou sua renúncia ao cargo no dia 7 de dezembro.

Krongard era irmão de um executivo da Blackwater e foi acusado pelo legislador democrata Henry Waxman de ter bloqueado uma investigação do Congresso sobre a introdução ilegal de armas no Iraque.

 

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