Fujimori diz que não elaborou estratégia antiterrorista de seu governo
da France Presse, em Lima
O ex-presidente peruano Alberto Fujimori declarou nesta quarta-feira, durante seu julgamento por violação dos direitos humanos, que, durante seu governo (1990-2000), transmitia apenas as diretrizes gerais, baseadas no princípio do "soldado amigo", e que jamais traçou estratégias antiterroristas --e que, menos ainda, ordenou uma "guerra suja" contra a subversão.
Interrogado por seu defensor César Nakazaki, Fujimori, 69, afirmou que na década passada não elaborou "planos nem operações militares em qualquer nível (porque) o presidente tem mando, mas não comando, e não interfere em planos militares que, além de tudo, não entende".
"Sempre apontei grandes planejamentos e diretrizes, o presidente não elabora estratégias nem diz como serão aplicadas; isso diz respeito à esfera militar", argumentou, dizendo que nunca ordenou uma política de guerra suja e de extermínio contra os grupos armados.
Fujimori admitiu que, durante seu governo, foram cometidos excessos por parte dos militares, mas que não ordenou que se instalasse uma guerra suja ou de extermínio aos grupos armados, porque isso entraria em contradição com sua ordem de 1991 de combate à subversão dentro da lei e com "pleno respeito aos direitos humanos".
O ex-presidente baseou sua defesa no fato de que uma ordem de exterminar, arrasar um povo ou fazer desaparecer subversivos deve ser feita por escrito e não verbalmente.
"Tudo tem que constar por escrito e em nenhum momento foi dada uma ordem de assassinatos ou desaparecimentos", afirmou.
Fujimori responde desde 10 de dezembro em juízo pelas matanças de Barrios Altos (1991) e da Universidade de La Cantuta (1992), ambas em Lima e que provocaram a morte de 25 pessoas, assassinados esquadrão paramilitar Colina.
A acusação busca provar se Fujimori ordenou ou encobriu a ação desse esquadrão formado por militares. Se for considerado culpado, poderá pegar até 30 anos de prisão.
Em outro julgamento por abuso de poder, Fujimori foi condenado a seis anos de prisão.
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