Ditador paquistanês culpa terroristas pela morte de Bhutto
da Folha Online
O ditador do Paquistão, Pervez Musharraf, atribuiu o assassinato da ex-premiê do país, Benazir Bhutto, nesta quinta-feira, a terroristas. Ele também decretou três dias de luto oficial pela sua morte.
A líder paquistanesa sofreu tiros no pescoço e no peito. As causas de sua morte, porém, ainda não foram determinadas, uma vez que um ataque a bomba ocorreu logo na seqüência dos disparos. Ao menos outras 20 pessoas morreram no atentado.
"Quero expressar minha determinação e dizer que nós não descansaremos até eliminarmos esses terroristas do país", afirmou Musharraf em cadeia nacional. Ele qualificou o episódio de "grande tragédia nacional".
O atentado ocorreu minutos após Bhutto participar de um comício na cidade de Rawalpindi. A ex-premiê chegou a ser hospitalizada, mas morreu às 18h16 do horário local, informou Wasif Ali Khan, membro do PPP (Partido do Povo Paquistanês), do qual Bhutto era líder.
| Greg Baker/AP |
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| Bhutto: ex-premiê governou o Paquistão por dois mandatos, mas não completou nenhum |
Segundo o assessor de segurança de Bhutto, Rehman Malik, ela levou tiros no peito e no pescoço. Em seguida, o autor dos disparos se explodiu.
"Eu a vi sentada em um veículo depois de dirigir-se às pessoas que participavam do comício. Logo depois, ouvi uma explosão", afirmou Tahir Mahmood, 55. "Estou em choque. Não posso acreditar que ela morreu."
A notícia do morte de Bhutto foi seguida de forte comoção. Em frente ao hospital, apoiadores da ex-premiê eram vistos quebrando os vidros das janelas e expressando raiva. Outros apenas choravam. Alguns dirigiram xingamentos ao ditador do Paquistão, Pervez Musharraf, principal adversário da ex-premiê.
Em Karachi, lojistas fechavam seus estabelecimentos, enquanto manifestantes saíam às ruas.
Logo após a confirmação do assassinato, Musharraf convocou um encontro de emergência com seus ministros para "discutir todos os aspectos da tragédia nacional". Ele também pediu para a população manter a calma.
A expectativa é que o governo anuncie um adiamento nas eleições parlamentares --marcadas inicialmente para o dia 8 de janeiro--, disse um membro do Ministério do Interior, que pediu para não ser identificado.
| Arte/Folha Online |
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Adversária de Musharraf, Bhutto, 54, era a figura política mais conhecida no país. Ela ficou à frente do governo entre 1988 e 1996. Desde seu retorno, em outubro, após oito anos de exílio, ela liderou uma série de manifestações contra o governo. Bhutto tinha o apoio dos Estados Unidos, que esperava que ela compartilhasse o poder com Musharraf.
Sharif
Nawaz Sharif, também ex-premiê e líder da oposição, correu ao hospital quando soube da notícia.
"Benazir Bhutto era minha irmã, e estarei com vocês para vingar sua morte", disse ele aos manifestantes que estavam do lado de fora. "Não se sintam sozinhos. Eu estou com vocês."
"Acho que talvez nenhum de nós esteja inclinado a pensar nas eleições", acrescentou Sharif.
"Teremos de nos sentar e examinar a situação com o PPP [Partido do Povo Paquistanês, agremiação de Bhutto] e ver o que acontece nos próximos dias."
Com France Presse, Associated Press e Reuters
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