Mundo
27/12/2007 - 23h08

Assassinato de Bhutto aprofunda crise no Paquistão

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da Folha Online

O assassinato da ex-premiê e líder da oposição Benazir Bhutto nesta quinta-feira aprofunda a crise política do Paquistão, que pode se tornar a mais séria desde o surgimento do país, há 60 anos.

O assassinato de Bhutto após um comício em Rawalpindi desencadeou uma onda de violência, principalmente na Província de Sindh, e pode levar ao adiamento das eleições parlamentares marcadas para o próximo dia 8, que têm como objetivo reavivar a democracia no Paquistão.

Arte/Folha Online

Protestos violentos contra a morte da ex-premiê deixaram ao menos 14 mortos pelo país, segundo a imprensa paquistanesa.

Bhutto, 54, de acordo com pesquisas, seria eleita pela terceira vez para primeira-ministra, em uma eleição que visa estabilizar o país, abalado pela crescente violência perpetrada por extremistas islâmicos.

Logo depois do fim do comício --no qual a ex-premiê falou sobre ameaças à sua vida--, Bhutto pôs o corpo para fora de seu carro blindado pelo teto-solar para acenar aos simpatizantes. Um terrorista primeiro atirou contra a ex-premiê e depois detonou os explosivos que carregava consigo, segundo a polícia e testemunhas.

Bhutto foi declarada morta no hospital em Rawalpindi, sede do Exército do Paquistão e a mesma cidade onde seu pai, Zulfikar Ali Bhutto --fundador do Partido do Povo do Paquistão (PPP) do qual a ex-premiê era líder-- foi enforcado em 1979, após ser deposto por um golpe militar.

"É o ato daqueles que querem que o Paquistão se desintegre", disse Farzana Raja, alto membro do PPP. "Eles acabaram com a família Bhutto", afirmou.

Por todo o Paquistão --um país acostumado à violência política e comandado por militares durante mais da metade de sua existência--, simpatizantes e mesmo oponentes de Bhutto ficaram chocados com a morte da mulher criticada por ser uma líder feudal amparada pelo apoio popular enquanto desfrutava das riquezas da família.

"Eu, como a maioria dos paquistaneses, sigo chocado e não consigo pensar com coerência sobre o que aconteceu e suas implicações para o país e para o mundo", escreveu o colunista Adil Najam, no site All Things Pakistan.

Anjum Naveed/AP
O ex-premiê Nawaz Sharif ao sair do hospital de Rawalpindi, onde Bhutto morreu
O ex-premiê Nawaz Sharif ao sair do hospital de Rawalpindi, onde Bhutto morreu

"O que eu sei é que, concordando ou não com suas posições políticas, não há como não estar chocado. Escrevendo essas linhas, estou literalmente tremendo", afirmou o colunista.

O ex-premiê do Paquistão Nawaz Sharif afirmou que seu partido irá boicotar a eleição de janeiro. Sharif culpou o ditador paquistanês, Pervez Musharraf, que tomou o poder em um golpe de Estado em 1999, por provocar a instabilidade no país.

"Eleições livres não são possíveis na presença de Musharraf", afirmou. "Musharraf é a raiz de todos os problemas."

O ditador impôs o estado de emergência no país em novembro, no que foi visto como uma manobra para impedir o veto da Suprema Corte à sua reeleição a presidente. A medida foi suspensa neste mês.

Protestos

Em Karachi, a violenta capital da Província de Sindh, milhares foram às ruas para protestar. "Há confusão por toda a parte", afirmou um comandante da polícia local.

A violência diminuiu durante a noite, após dezenas de veículos e edifícios serem incendiados. A polícia disse que não há vítimas na cidade. O Banco Central e todas as escolas ficaram fechadas durante três dias em luto.

Os EUA, que têm o Paquistão como importante aliado no combate à rede terrorista Al Qaeda e ao Taleban, acreditavam que Bhutto, educada nas universidade de Harvard e Oxford, era a melhor chance de retorno da democracia ao país.

"Os EUA condenam fortemente esse ato covarde cometido por extremistas assassinos que tentam fragilizar a democracia paquistanesa", afirmou o presidente George W. Bush em declaração. Bush ligou para Musharraf e instou os paquistaneses a honrarem a memória de Bhutto levando adiante o processo democrático.

Greg Baker/AP
Bhutto: ex-premiê governou o Paquistão por dois mandatos, mas não completou nenhum
Bhutto: ex-premiê governou o Paquistão por dois mandatos, mas não completou nenhum

O Conselho de Segurança da ONU classificou o assassinato como "um odioso ato de terrorismo".

Analistas afirmam que a morte de Bhutto --que ocorreu após uma onda de ataques suicidas pelo país e o aumento da insurgência paquistanesa na fronteira com o Afeganistão-- pode tornar impossível a realização da eleição marcada para janeiro.

"Creio que há uma real possibilidade de Musharraf decidir que a situação saiu do controle e que ele precisa impor o estado de emergência novamente", disse Farzana Shaikh, da organização de análise política Chatham House, em Londres.

"Não é a primeira crise que o Paquistão enfrenta desde sua independência em 1947, mas creio que seja a pior convergência de crises que já vimos", afirmou Shaikh.

Luto

Enquanto extremistas islâmicos têm sido considerados os principais suspeitos do assassinato, analistas dizem que opositores políticos próximos a Musharraf não podem ser descartados.

"Assim como membros do Taleban e da Al Qaeda, há muitos outros candidatos --há militares e membros dos serviços de inteligência que nunca tiveram boas relações com Bhutto", afirmou o analista M.J. Gohel.

Musharraf condenou "nos termos mais fortes possíveis o ataque terrorista que resultou na morte trágica de Bhutto e de muito outros paquistaneses inocentes".

"Essa crueldade é o trabalho daqueles terroristas contra os quais lutamos", disse Musharraf. "Busco unidade e apoio da nação (...) não descansaremos enquanto não nos livrarmos desses terroristas."

O ditador decretou três dias de luto, mas não mencionou a eleição em seu breve discurso transmitido pela televisão.

A polícia afirma que 16 pessoas morreram no ataque.

Makhdoom Amin Fahim, assessor de Bhutto, afirmou que "se ela não tivesse ficado para fora (do carro) ela não teria sido assassinada".

O porta-voz do Ministério do Interior Javed Iqbal disse que ela morreu devido à explosão, já que não havia ferimento a bala em seu corpo.

Esse foi o segundo ataque contra Bhutto em três meses. Em 19 de outubro, um homem-bomba matou cerca de 150 pessoas em Karachi, no dia em que Bhutto voltou ao país após oito anos no exílio.

Anjum Naveed/AP
Simpatizantes de Benazir Bhutto levam seu caixão no hospital local de Rawalpindi
Simpatizantes de Benazir Bhutto levam seu caixão no hospital local de Rawalpindi

Nesta quinta, a ex-premiê falou sobre os riscos que enfrentava. "Coloco minha vida em risco pois sinto que o país está em perigo", disse Bhutto durante o comício desta quinta. "As pessoas estão preocupadas. Iremos tirar o país dessa crise."

Bhutto se tornou a primeira mulher eleita democraticamente premiê em um país muçulmano em 1988, aos 35 anos. Ela foi deposta em 1990, reeleita em 1993, e novamente deposta em 1996, em ambos os casos por denúncias de corrupção e improbidade.

A ex-premiê afirmava que as denúncias tinham motivação política.

O marido de Bhutto, Asif Ali Zardari, viajou de Dubai (Emirados Árabes Unidos) a Islamabad para buscar o corpo de sua mulher e levá-lo a Larkana, cidade natal de Bhutto e onde seu pai está enterrado. Membros do partido afirma que o funeral deve ser realizado nesta sexta-feira.

Com Reuters

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Comentários dos leitores
Sra.Ellen
Reconheço que fui duro nas minhas palavras, mas você que me provocou.Perdão.
Todavia de fato tenho os artigos que comentei.
Livros que já li e emprestei não os tenho mais.
Mas vou te indicar alguns que tenho em mãos:
O mais importante deles é difícil de encontrar é de Élie Barnavi da Editora Cejup A HISTÓRIA UNIVERSAL DOS JUDEUS - 2) Ó JERUSALÉM de Dominique Lapierre e Larry Collins - Círculo do Livro 1971 e 1980 - 3) E A BÍBLIA TINHA RAZÃO... de Werner Keller - Edições Melhoramentos 1958 - 4) O GRANDE CONFLITO de Ellen G.White - Casa Publicadora Brasileira 1981 (vendidos mais de 4 milhões) 5) ISRAEL GOG E O ANTI-CRISTO de Abraão de Almeida - Editora CPAD -6) O PLANO DIVINO ATRAVÉS DOS SÉCULOS de Lawrence Olson - Editora CPAD e alguns mais recentes que você pode encontrar neste site:www.chamada.com.br e www.cpad.com.br
No quesito Oriente Médio um dos maiores especialistas no assunto é o americano Daniel Pipe do site www.midiasemmascara.com.br
Eu não me considero intelectual, sou apenas estudioso e meu principal contato é com alunos, por isso você não achou nada além de comentários em blogs.Mas tudo é válido, seja no contato pessoal ou na opinião " virtual ". Mas as vezes por falta de tempo e espaço não somos felizes nas conclusões das idéias e aí ocorre o desentendimento.
Li alguns comentários seus e achei muito interessante e inteligente, mas não pára somente nessa óptica.Gostei de suas últimas palavras.Vivemos debaixo do mesmo céu e horizontes diferentes
1 opinião
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Ellen . (192) 08/01/2008 17h32
Ellen . (192) 08/01/2008 17h32
Sr. José Nunes
É típica dos pseudo-intelectuais brasileiros a ênfase em sua "superioridade" intectual. Isso é retrato básico de país subdesenvolvido, isto é, enquanto grande parte da população se encontra na ignorância, os "intelectuais", providos de "conhecimento" são os donos da razão e da verdade. Geralmente as personalidades desses indivíduos assemelham-se aos dos "déspotas esclarecidos".
Procurei o seu nome no lattes e no google pensando em encontrar referências e artigos seus, mas só encontrei uma pessoa que ama fazer comentários em blogs.
Eu respeito a sua opinião, mas favor, não queria impor neste espaço verdades absolutas. A história já está cheia disso.
Mas já que você gosta tanto de história do Oriente (confesso que sou apaixonada) poderia nos indicar alguns livros interessantes? Se quiser também posso passar alguns que já li. É muito melhor a troca de informações do que insultos e propagandas de glórias individuais, não acha?
24 opiniões
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porfirio sperandio (351) 08/01/2008 07h50
porfirio sperandio (351) 08/01/2008 07h50
A pedido de alguns, Do Dialogo do Inferno,
(eu acredito) falam Maquiavel e Montesquieu:
"O problema capital do nosso governo é enfraquecer o espírito público pela crítica; fazer-lhe perder o hábito de pensar, porque a reflexão cria a oposição; distrair as forças do espírito, em vãs escaramuças de eloqüência. Em todos os tempos, os povos, mesmo os mais simples indivíduos, tomaram as palavras como realidades, porque se satisfazem com a aparência das coisas e raramente se dão ao trabalho de observar se as promessas relativas à vida social foram cumpridas. Por isso, nossas instituições terão uma bela fachada..." [Protocolo 5, reiterado no Protocolo 10; ênfase adicionada]
"Para tomar conta da opinião pública, é preciso torná-la perplexa, exprimindo de diversos lados e por tanto tempo tantas opiniões contraditórias que os gentios acabarão perdidos no seu labirinto e convencidos de que, em política, o melhor é não ter opinião." [Protocolo 5; ênfase adicionada]
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