Mundo
28/12/2007 - 23h01

Bhutto alertou a CNN sobre riscos de segurança antes de atentado

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da Folha Online

Um assessor da ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto, assassinada nesta quinta-feira (27), havia enviado ao jornalista Wolf Blitzer, da rede de TV CNN, um e-mail da ex-premiê se queixando da falta de segurança que enfrentava. No entanto, a mensagem só poderia ser divulgada caso ela morresse.

Bhutto, assassinada na quinta-feira em atentado após comício em Rawalpindi, escreveu a Blitzer que se algo acontecesse com ela "Eu declararia (o ditador Pervez) Musharraf responsável".

Blitzer recebeu o email em 26 outubro, enviado por Mark Siegel, amigo e porta-voz de Bhutto em Washington. A mensagem foi enviada oito dias depois de a ex-premiê escapar de um atentado a bomba que deixou 136 mortos no dia em que chegou ao Paquistão, após oito anos de exílio.

Arte/Folha Online

Bhutto escreveu a Blitzer que ela se sentia "insegura por causa dos homens (de Musharraf)", que melhoras específicas não haviam sido feitas em relação à sua segurança, e que o líder paquistanês era o responsável.

Blitzer concordou com as condições (de não publicar) antes de receber o e-mail. Ele disse que ligou para Siegel logo após recebê-lo, para saber se havia alguma forma de usá-lo na CNN, mas teve uma resposta firme de que a mensagem só poderia ser usada se ela fosse morta. Siegel não soube dizer porque Bhutto insistiu nessa condição.

Blitzer divulgou o email na noite de quinta-feira. Ele afirmou que Bhutto havia escrito um texto para a CNN mencionando suas preocupações de segurança, e que políticos americanos tentaram intervir para aumentar sua segurança.

Blitzer foi o único jornalista que recebeu a mensagem, disse Siegel. Ele também mandou o email a Steve Israel, parlamentar americano pelo Estado de Nova York.

Siegel disse não acreditar que Bhutto tenha mudado de opiniões desde quando escreveu a mensagem. O email mencionava especificamente que ela havia pedido carros da polícia para escoltá-la quando viajasse. Siegel disse que pelas fotos tiradas na cena do crime é evidente que sua requisição não havia sido atendida.

A ex-premiê não acredita necessariamente que Musharraf quisesse matá-la, mas sentia que muitas pessoas ao seu redor queriam, disse Siegel.

O marido de Bhutto entrou em contato com Siegel na quinta-feira para lembrá-lo do e-mail e garantir que ele seria divulgado, segundo o porta-voz.

Blitzer disse não se arrepender sobre a forma que lidou com o caso. Divulgar a mensagem enquanto ela ainda estava viva seria descumprir com a palavra, afirmou.

Versões

Nesta sexta-feira o Ministério do Interior paquistanês afirmou que Bhutto morreu ao se chocar contra o teto do veículo em que se encontrava no momento do atentado suicida, tentando se esquivar da explosão, sem que fossem encontradas balas em seu corpo.

Um dos principais assessores de Bhutto rejeitou as explicações do governo e as qualificou de "porção de mentiras".

Reuters
Foto divulgada pelo Ministério do Interior mostra as alavancas do teto solar do carro de Bhutto
Foto divulgada pelo Ministério do Interior mostra as alavancas do teto solar do carro de Bhutto

De acordo com a necropsia, a líder opositora morreu por causa de uma fratura no crânio ao bater com a cabeça contra a alavanca do teto solar, quando tentava se proteger da explosão dentro do carro, disse o porta-voz do Ministério, brigadeiro Javed Cheema.

Quando o ataque aconteceu, Bhutto saía de um comício eleitoral em Rawalpindi, perto de Islamabad, e saudava seus partidários. O porta-voz avaliou que ela não teria sido vitimada, se tivesse ficado no interior do carro.

"Se ela não tivesse colocado o corpo para fora do veículo (pelo teto solar), ela teria saído ilesa, porque todos os outros ocupantes do carro não tiveram qualquer ferimento", completou.

"A alavanca a atingiu na têmpora direita e fraturou seu crânio. Não havia balas ou fragmentos de metal no ferimento", explicou a fonte.

Al Qaeda

Por outro lado, Cheema disse ainda que os serviços de inteligência interceptaram uma ligação de um homem que é considerado o chefe da rede terrorista Al Qaeda no Paquistão, Baitullah Mehsud, parabenizando um militante pela morte de Bhutto.

Ele revelou também que há provas irrefutáveis de que a Al Qaeda está tentando desestabilizar o Paquistão e mostrou um vídeo dos últimos momentos de Bhutto.

"Há uma prova irrefutável de que a Al Qaeda, suas redes e suas tropas tentam desestabilizar o Paquistão", afirmou o general Cheema, acrescentando que "gravamos a conversa, ao longo da qual ele parabeniza um ativista pelo atentado".

Aparentemente, o autor do atentado deu três disparos na direção de Benazir Bhutto, antes de detonar a bomba que carregava, sem conseguir, porém, atingir a ex-premiê, declarou o general Cheema.

O porta-voz afirmou que Mehsud também foi responsável pelo atentado suicida cometido em outubro, em Karachi, no sul do Paquistão, contra o comboio de Benazir, algumas horas após seu retorno do exílio. Esse atentado, do qual ela escapou, deixou 139 mortos.

"(Mehsud) é responsável pela maioria dos atentados no país", declarou.

As autoridades paquistanesas acreditam que Mehsud esteja instalado na zona tribal do Waziristão Sul, no noroeste do Paquistão, onde as forças governamentais combatem as milícias islamitas desde a queda do regime Taleban no Afeganistão, no fim de 2001.

Até recentemente, Mehsud foi descrito pelas autoridades como o principal comandante do Taleban da região, mas as autoridades atribuem a ele, com cada vez mais freqüência, laços com a rede de Osama bin Laden.

As exéquias de Benazir Bhutto foram acompanhadas nesta sexta-feira por milhares de pessoas em Ghari Khuda Baksh, no sul do Paquistão.

Os EUA, que têm o Paquistão como importante aliado no combate à rede terrorista Al Qaeda e ao Taleban, acreditavam que Bhutto, educada nas universidade de Harvard e Oxford, era a melhor chance de retorno da democracia ao país.

"Mentiras"

Um dos principais assessores de Bhutto rejeitou nesta sexta as explicações do governo sobre as circunstâncias e causas de sua morte e as qualificou de "porção de mentiras".

A explicação oficial "não tem fundamento", disse Faruq Naik, principal conselheiro jurídico de Bhutto e membro do Partido do Povo do Paquistão (PPP), dirigido pela ex-premiê.

Segundo Naik, a ex-primeira-ministra "foi atingida por dois tiros: um no abdômen e outro na cabeça. Não havia segurança".

"O secretário pessoal de Bhutto, Naheed Khan, e o responsável do partido, Makhdoom Amin Fahim, estavam no automóvel e viram o que aconteceu", afirmou Naik.

Segundo ele, trata-se de "uma perda irreparável", e o governo a "está transformando em uma brincadeira com tais declarações"'O país se dirige para uma guerra civil', afirmou Naik.

"Agora, o governo diz que Baitullah Mehsud é o responsável. Onde está a prova?", disse Naik, em relação à acusação do governo sobre os autores do atentado.

A morte de Bhutto provocou importantes distúrbios no Paquistão, que deixaram pelo menos 33 mortos desde quinta-feira, além das 20 pessoas que faleceram junto com a ex-primeira-ministra no atentado.

A líder política foi enterrada nesta sexta, no mausoléu da família, que fica no sul do país, seguida por uma multidão desesperada que culpou o ditador, Pervez Musharraf, pelos males que abalam o país.

Com Associated Press, France Presse e Efe

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Comentários dos leitores
Sra.Ellen
Reconheço que fui duro nas minhas palavras, mas você que me provocou.Perdão.
Todavia de fato tenho os artigos que comentei.
Livros que já li e emprestei não os tenho mais.
Mas vou te indicar alguns que tenho em mãos:
O mais importante deles é difícil de encontrar é de Élie Barnavi da Editora Cejup A HISTÓRIA UNIVERSAL DOS JUDEUS - 2) Ó JERUSALÉM de Dominique Lapierre e Larry Collins - Círculo do Livro 1971 e 1980 - 3) E A BÍBLIA TINHA RAZÃO... de Werner Keller - Edições Melhoramentos 1958 - 4) O GRANDE CONFLITO de Ellen G.White - Casa Publicadora Brasileira 1981 (vendidos mais de 4 milhões) 5) ISRAEL GOG E O ANTI-CRISTO de Abraão de Almeida - Editora CPAD -6) O PLANO DIVINO ATRAVÉS DOS SÉCULOS de Lawrence Olson - Editora CPAD e alguns mais recentes que você pode encontrar neste site:www.chamada.com.br e www.cpad.com.br
No quesito Oriente Médio um dos maiores especialistas no assunto é o americano Daniel Pipe do site www.midiasemmascara.com.br
Eu não me considero intelectual, sou apenas estudioso e meu principal contato é com alunos, por isso você não achou nada além de comentários em blogs.Mas tudo é válido, seja no contato pessoal ou na opinião " virtual ". Mas as vezes por falta de tempo e espaço não somos felizes nas conclusões das idéias e aí ocorre o desentendimento.
Li alguns comentários seus e achei muito interessante e inteligente, mas não pára somente nessa óptica.Gostei de suas últimas palavras.Vivemos debaixo do mesmo céu e horizontes diferentes
1 opinião
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Ellen . (192) 08/01/2008 17h32
Ellen . (192) 08/01/2008 17h32
Sr. José Nunes
É típica dos pseudo-intelectuais brasileiros a ênfase em sua "superioridade" intectual. Isso é retrato básico de país subdesenvolvido, isto é, enquanto grande parte da população se encontra na ignorância, os "intelectuais", providos de "conhecimento" são os donos da razão e da verdade. Geralmente as personalidades desses indivíduos assemelham-se aos dos "déspotas esclarecidos".
Procurei o seu nome no lattes e no google pensando em encontrar referências e artigos seus, mas só encontrei uma pessoa que ama fazer comentários em blogs.
Eu respeito a sua opinião, mas favor, não queria impor neste espaço verdades absolutas. A história já está cheia disso.
Mas já que você gosta tanto de história do Oriente (confesso que sou apaixonada) poderia nos indicar alguns livros interessantes? Se quiser também posso passar alguns que já li. É muito melhor a troca de informações do que insultos e propagandas de glórias individuais, não acha?
24 opiniões
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porfirio sperandio (351) 08/01/2008 07h50
porfirio sperandio (351) 08/01/2008 07h50
A pedido de alguns, Do Dialogo do Inferno,
(eu acredito) falam Maquiavel e Montesquieu:
"O problema capital do nosso governo é enfraquecer o espírito público pela crítica; fazer-lhe perder o hábito de pensar, porque a reflexão cria a oposição; distrair as forças do espírito, em vãs escaramuças de eloqüência. Em todos os tempos, os povos, mesmo os mais simples indivíduos, tomaram as palavras como realidades, porque se satisfazem com a aparência das coisas e raramente se dão ao trabalho de observar se as promessas relativas à vida social foram cumpridas. Por isso, nossas instituições terão uma bela fachada..." [Protocolo 5, reiterado no Protocolo 10; ênfase adicionada]
"Para tomar conta da opinião pública, é preciso torná-la perplexa, exprimindo de diversos lados e por tanto tempo tantas opiniões contraditórias que os gentios acabarão perdidos no seu labirinto e convencidos de que, em política, o melhor é não ter opinião." [Protocolo 5; ênfase adicionada]
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