Mundo
28/12/2007 - 23h11

Oliver Stone irá filmar missão de resgate de reféns das Farc

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da Folha Online

O diretor americano Oliver Stone confirmou nesta sexta-feira que viajará com a missão humanitária liderada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para resgatar os três reféns que serão libertados pela guerrilha das Farc.

"É maravilhoso, nunca estive em algo assim. Estou orgulhoso de ser parte disto", disse Stone no aeroporto venezuelano de Santo Domingo, de onde partiu nesta sexta-feira para participar da primeira parte da missão.

Efe
Chávez e Piedad Córdoba (de costas), que também participa das negociações com as Farc
Chávez e Piedad Córdoba (de costas), que também participa das negociações com as Farc

Stone, que está na Venezuela para realizar "um documentário", não revelou se filmará o momento da libertação dos reféns, em algum lugar da selva colombiana.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) vão libertar nas próximas horas Clara Rojas, 44, (ex-assessora de campanha da ex-presidenciável colombiana Ingrid Betancourt), seu filho Emmanuel, 3, nascido em cativeiro há três anos, e a ex-congressista Consuelo González, 57.

"Estou realizando um documentário sobre a América Latina e também sobre a América do Norte, mas terão que esperar um pouco, até dezembro do próximo ano, para vê-lo", disse Stone.

Oliver Stone já ganhou três Oscar, por "O expreso da meia-noite" (roteiro adaptado, 1978), "Platoon" (direção, 1986) e "Nascido em 4 de julho" (direção, 1989).

Chávez ironizou a presença do cineasta na missão, chamando Stone de "emissário do presidente americano, George W. Bush".

Missão aérea

Os dois helicópteros que lideram a missão internacional para resgatar os três reféns da guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) chegaram às 16h48 (19h48 de Brasília) desta sexta ao aeroporto Vanguardia de Villavicencio, na Colômbia.

Os helicópteros MI-17, de fabricação russa, com emblemas da Cruz Vermelha Internacional, pousaram quase ao mesmo tempo na pista do aeroporto de Vanguardia, 95 km a leste de Bogotá.

A bordo das aeronaves estavam o vice-chanceler venezuelano para América Latina e Caribe, Rodolfo Sanz, e delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que foram recebidos pelo alto comissário para a paz de Bogotá, Luis Carlos Restrepo.

Villavicencio servirá de base logística antes da segunda fase da operação, que consistirá em ir com esses mesmos helicópteros ao local de encontro determinado pela guerrilha colombiana, segundo o CICV.

"Operação Emmanuel"

"Começou a primeira etapa da Operação Emmanuel", declarou o emissário francês, o embaixador da França em Caracas Hadelin de la Tour-du-Pin, referindo-se ao nome dado à missão pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.

"A primeira fase consiste em se aproximar do objetivo, e a segunda será a operação de recuperação", afirmou Chávez. "A segunda fase deve começar no sábado. Esperamos poder terminar a operação neste mesmo dia", acrescentou.

A delegação internacional é formada por emissários de sete países latino-americanos e europeus, entre eles o assessor da presidência brasileira para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e o ex-presidente argentino Néstor Kirchner.

"Os reféns não chegarão hoje (sexta-feira)", disse Chávez.

O dirigente explicou que ainda não recebeu as coordenadas do local de encontro com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) devido às "péssimas condições meteorológicas" na região.

Acordo humanitário

Dois helicópteros MI-17 de fabricação russa e três jatos executivos Falcon franceses constituem a frota venezuelana que participará da operação.

Cerca de cem indígenas especializados na selva da região foram colocados à disposição pela Defesa Civil colombiana para participar nas tarefas para receber os reféns.

A zona onde os reféns devem ser entregues compreende menos de 310 mil km2 em cinco departamentos do centro e leste da Colômbia, com poucas estradas e várias pistas de pouso improvisadas, geralmente utilizadas pelos traficantes de drogas.

As Farc anunciaram no último dia 18 que irão libertar três reféns como um "ato de desagravo" a Chávez. O presidente venezuelano recentemente foi afastado pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, do papel de mediador entre as Farc e o governo colombiano, na busca por um acordo humanitário entre as duas partes.

O acordo consiste em trocar cerca de 40 reféns da guerrilha por 500 guerrilheiros presos.
O governo da Colômbia anunciou que o prazo para o encerramento da operação termina às 18h59 do horário local (21h59 em Brasília) do próximo domingo (30). Segundo Chávez, no entanto, não há acordo nesse sentido.

Com France Presse, Efe e Reuters

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