Ditador paquistanês ordena ação firme para conter distúrbios
da Folha Online
O ditador paquistanês, Pervez Musharraf, ordenou neste sábado uma ação firme das forças de segurança para restabelecer a ordem no país. A medida foi anunciada como uma resposta à crescente onda de violência que se espalha no Paquistão desde o assassinato da ex-premiê e líder opositora, Benazir Bhutto, nesta quinta-feira (27).
Ao menos 38 pessoas morreram e 53 ficaram feridas durante os distúrbios nas principais cidades paquistanesas nos últimos dois dias, informou o porta-voz do Ministério do Interior, Javed Iqbal Cheema. Também foram registrados atos de vandalismo, pilhagem e violentos protestos.
Nas ruas de Peshawar e Karachi, por exemplo, era possível observar muitos carros, ônibus e motos queimados neste sábado. Em Karachi, um posto de gasolina e uma lanchonete de fast-food de uma rede americana foram destruídas por incêndios na madrugada de quinta-feira para sexta-feira.
| B.K.Bangash/AP |
![]() |
| Filhas de Benazir Bhutto, Bakhtawar(dir.) e Asifa, visitam o túmulo da mãe neste sábado |
Em reunião com funcionários do governo e responsáveis pela segurança, Musharraf deu ordens de agir "com firmeza" contra "aqueles elementos que querem se aproveitar da situação se lançando à pilhagem e ao saque".
O ditador disse que os distúrbios são atos de "malfeitores e elementos anti-sociais" que se escondem sob a aparência de manifestantes políticos.
A Província Sindh (sudoeste), reduto do partido de Bhutto, o PPP (Partido Popular do Paquistão), continua praticamente paralisada, com todas as linhas de ferrovias cortadas, as lojas e postos de gasolina fechados e constantes, segundo os canais de TV privados do país.
Estima-se que em cerca de dois dias a população sofrerá problemas de abastecimento de alimentos em Karachi, capital financeira do Paquistão, onde pode haver um colapso na Bolsa de Valores durante sua reabertura, na próxima segunda-feira (31).
A empresa nacional de ferrovias pediu neste sábado que o Exército e os paramilitares mobilizem suas tropas para proteger o sistema ferroviário.
| Faisal Mahmood/Reuters |
![]() |
| Apoiadores de Bhutto realizam protesto em Islamabad contra seu assassinato, na quinta |
O Exército está posicionado em Sindh, e os paramilitares, nas principais cidades da Província noroeste de Punjab, mas Cheema disse que a intervenção das tropas será "o último recurso" para manter a ordem.
A violência no Paquistão parece uma combinação do ódio dos partidários do PPP com a ação de delinqüentes que se aproveitam do caos, afirmaram analistas consultados pela agência Efe.
Eleições
A realização das eleições parlamentares --marcada para o próximo dia 8-- parece cada vez menos provável, depois que a Comissão Eleitoral advertiu hoje que a situação de segurança é "desfavorável".
O órgão convocou uma reunião para a próxima segunda-feira para decidir sobre o pleito, mas constatou que os preparativos eleitorais sofreram um "sério golpe", por conta dos distúrbios.
Em comunicado, a Comissão referiu-se ao incêndio de escritórios e material eleitoral em diversas localidades de Sind, e aos pedidos para adiar as eleições feitos por dois colégios da zona tribal de Kurram, na fronteira com o Afeganistão.
Bhutto foi assassinada em um comício de campanha em Rawalpindi. De acordo com as últimas pesquisas eleitorais, a ex-premiê era a franca favorita para vencer as eleições.
Com Efe e France Presse
Leia mais
- Líder taleban nega acusações de que participou de assassinato de Bhutto
- Bhutto alertou a CNN sobre riscos de segurança antes de atentado
- Papa Bento 16 transmite mensagem de pesar por morte de Bhutto
- Governo paquistanês diz ter evidências de que Al Qaeda e Taleban mataram Bhutto
- Funeral de Bhutto termina em clima de violência no Paquistão
Especial



