Mundo
29/12/2007 - 13h48

Ditador paquistanês ordena ação firme para conter distúrbios

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da Folha Online

O ditador paquistanês, Pervez Musharraf, ordenou neste sábado uma ação firme das forças de segurança para restabelecer a ordem no país. A medida foi anunciada como uma resposta à crescente onda de violência que se espalha no Paquistão desde o assassinato da ex-premiê e líder opositora, Benazir Bhutto, nesta quinta-feira (27).

Ao menos 38 pessoas morreram e 53 ficaram feridas durante os distúrbios nas principais cidades paquistanesas nos últimos dois dias, informou o porta-voz do Ministério do Interior, Javed Iqbal Cheema. Também foram registrados atos de vandalismo, pilhagem e violentos protestos.

Nas ruas de Peshawar e Karachi, por exemplo, era possível observar muitos carros, ônibus e motos queimados neste sábado. Em Karachi, um posto de gasolina e uma lanchonete de fast-food de uma rede americana foram destruídas por incêndios na madrugada de quinta-feira para sexta-feira.

B.K.Bangash/AP
Filhas da ex-premiê Benazir Bhutto, Bakhtawar(dir.)e Asifa visitam o túmulo da mãe
Filhas de Benazir Bhutto, Bakhtawar(dir.) e Asifa, visitam o túmulo da mãe neste sábado

Em reunião com funcionários do governo e responsáveis pela segurança, Musharraf deu ordens de agir "com firmeza" contra "aqueles elementos que querem se aproveitar da situação se lançando à pilhagem e ao saque".

O ditador disse que os distúrbios são atos de "malfeitores e elementos anti-sociais" que se escondem sob a aparência de manifestantes políticos.

A Província Sindh (sudoeste), reduto do partido de Bhutto, o PPP (Partido Popular do Paquistão), continua praticamente paralisada, com todas as linhas de ferrovias cortadas, as lojas e postos de gasolina fechados e constantes, segundo os canais de TV privados do país.

Estima-se que em cerca de dois dias a população sofrerá problemas de abastecimento de alimentos em Karachi, capital financeira do Paquistão, onde pode haver um colapso na Bolsa de Valores durante sua reabertura, na próxima segunda-feira (31).

A empresa nacional de ferrovias pediu neste sábado que o Exército e os paramilitares mobilizem suas tropas para proteger o sistema ferroviário.

Faisal Mahmood/Reuters
Apoiadores de Bhutto realizam protesto contra seu assassinato na última quinta em Islamabad
Apoiadores de Bhutto realizam protesto em Islamabad contra seu assassinato, na quinta

O Exército está posicionado em Sindh, e os paramilitares, nas principais cidades da Província noroeste de Punjab, mas Cheema disse que a intervenção das tropas será "o último recurso" para manter a ordem.

A violência no Paquistão parece uma combinação do ódio dos partidários do PPP com a ação de delinqüentes que se aproveitam do caos, afirmaram analistas consultados pela agência Efe.

Eleições

A realização das eleições parlamentares --marcada para o próximo dia 8-- parece cada vez menos provável, depois que a Comissão Eleitoral advertiu hoje que a situação de segurança é "desfavorável".

O órgão convocou uma reunião para a próxima segunda-feira para decidir sobre o pleito, mas constatou que os preparativos eleitorais sofreram um "sério golpe", por conta dos distúrbios.

Em comunicado, a Comissão referiu-se ao incêndio de escritórios e material eleitoral em diversas localidades de Sind, e aos pedidos para adiar as eleições feitos por dois colégios da zona tribal de Kurram, na fronteira com o Afeganistão.

Bhutto foi assassinada em um comício de campanha em Rawalpindi. De acordo com as últimas pesquisas eleitorais, a ex-premiê era a franca favorita para vencer as eleições.

Com Efe e France Presse

 

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