Mundo
30/12/2007 - 19h31

Viúvo de Bhutto pede investigação da ONU sobre causas da morte

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da Folha Online

O viúvo da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto declarou neste domingo que não deu permissão ao governo para exumar seu corpo e fazer uma necropsia e pediu à ONU que investigue as circunstâncias do assassinato.

"Não autorizei que seja realizada uma necropsia. Vivi muito tempo neste país para saber como são realizadas", declarou Asif Ali Zardari à imprensa em Naudero (sul), onde se encontra a residência da família.

Shakil Adil/AP
O filho de Bhutto, Bilawal, 19 (ao fundo, ao lado de seu pai Ali Zardari
O filho de Bhutto, Bilawal, 19 (ao fundo, ao lado de seu pai Ali Zardari

Na quinta-feira (27), Bhutto foi assassinada após participar de um comício na cidade de Rawalpindi. No momento em que acenava para a multidão através do teto solar de seu carro blindado, um terrorista atirou contra a ex-premiê. Em seguida houve uma explosão que deixou ao menos 20 mortos.

De acordo com a necropsia, a líder opositora morreu por causa de uma fratura no crânio ao bater com a cabeça contra a alavanca do teto solar, quando tentava se proteger da explosão dentro do carro, disse nesta sexta-feira (28) o porta-voz do Ministério do Interior, brigadeiro Javed Cheema.

Um dos principais assessores de Bhutto rejeitou nesta sexta as explicações do governo sobre as circunstâncias e causas de sua morte e as qualificou de 'porção de mentiras'.

A explicação oficial "não tem fundamento", disse Faruq Naik, principal conselheiro jurídico de Bhutto e membro do Partido do Povo do Paquistão (PPP), dirigido pela ex-premiê.

Segundo Naik, a ex-primeira-ministra "foi atingida por dois tiros: um no abdômen e outro na cabeça. Não havia segurança".

"O secretário pessoal de Bhutto, Naheed Khan, e o responsável do partido, Makhdoom Amin Fahim, estavam no automóvel e viram o que aconteceu", afirmou Naik.

Segundo ele, trata-se de "uma perda irreparável", e o governo a "está transformando em uma brincadeira com tais declarações".

Sucessão

O partido de Bhutto elegeu neste domingo seu filho, Bilawal, 19, como seu sucessor, informou o vice-presidente do PPP, Makhdoom Amin Fahim. Com a decisão do partido, a dinastia Bhutto entra em sua nova geração.

De acordo com Fahim, Bhutto havia designado seu marido, Asif Ali Zardari, como seu herdeiro na presidência do partido. Mas Zardari, por sua vez, indicou Bilawal. O viúvo de Bhutto ocupará a vice-liderança.

Arte/Folha Online
mapa do Paquistão com a cidade Rawalpindi em destaque

A decisão foi tomada em uma reunião do comitê executivo do PPP, realizada na residência da família Bhutto na localidade de Nauredo, na Província de Sindh. O viúvo de Bhutto e seus filhos participaram da reunião como convidados especiais.

A escolha de Bilawal para suceder Bhutto o coloca no centro da tumultuada vida política do Paquistão. Estudante de Direito de Oxford, o filho da ex-premiê não tem experiência política.

"A luta do partido pela democracia continuará com renovado vigor", disse Bilawal em entrevista coletiva. "Minha mãe sempre disse que a democracia é a melhor vingança".

Após o anúncio da sucessão, simpatizantes do PPP gritavam palavras de apoio ao herdeiro de Bhutto: "Bilawal, vá em frente, estamos com você", diziam os apoiadores.

O PPP decidiu também participar das eleições parlamentares, marcadas para o próximo dia 8, mas incertas após o impacto do assassinato da ex-premiê, na última quinta-feira.

O anúncio foi feito por Ali Zardari, que deve supervisionar a liderança partidária. Ele fez ainda um apelo à agremiação política do também ex-premiê e líder oposicionista Nawaz Sharif para desistir dos planos de boicotar o pleito.

O PPP contestou ainda a versão do governo paquistanês, segundo a qual a Al Qaeda e o Taleban tramaram o atentado contra a ex-premiê. Integrantes do partido sugerem que elementos do governo estariam por trás do assassinato.

Eleições incertas

Após a morte de Bhutto, a realização das eleições parlamentares na data definida inicialmente tornou-se incerta.

Uma reunião da Comissão Eleitoral paquistanesa para decidir sobre as eleições está marcada para acontecer nesta segunda-feira (31). No sábado, o órgão constatou que os preparativos eleitorais sofreram um "sério golpe", por conta da onda de violência que se espalhou no Paquistão desde quinta-feira passada (27), dia em que Bhutto sofreu o atentado.

Neste domingo, um porta-voz do partido governista, o PML-Q, informou que o pleito poderia sofrer um atraso de até quatro meses.

"A Comissão Eleitoral vai decidir quanto tempo o adiamento vai durar", disse o porta-voz à agência de notícias Associated Press. "Eu creio que estão pensando em um atraso de algumas semanas a três ou quatro meses."

Com France Presse, Efe e Reuters

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Comentários dos leitores
Sra.Ellen
Reconheço que fui duro nas minhas palavras, mas você que me provocou.Perdão.
Todavia de fato tenho os artigos que comentei.
Livros que já li e emprestei não os tenho mais.
Mas vou te indicar alguns que tenho em mãos:
O mais importante deles é difícil de encontrar é de Élie Barnavi da Editora Cejup A HISTÓRIA UNIVERSAL DOS JUDEUS - 2) Ó JERUSALÉM de Dominique Lapierre e Larry Collins - Círculo do Livro 1971 e 1980 - 3) E A BÍBLIA TINHA RAZÃO... de Werner Keller - Edições Melhoramentos 1958 - 4) O GRANDE CONFLITO de Ellen G.White - Casa Publicadora Brasileira 1981 (vendidos mais de 4 milhões) 5) ISRAEL GOG E O ANTI-CRISTO de Abraão de Almeida - Editora CPAD -6) O PLANO DIVINO ATRAVÉS DOS SÉCULOS de Lawrence Olson - Editora CPAD e alguns mais recentes que você pode encontrar neste site:www.chamada.com.br e www.cpad.com.br
No quesito Oriente Médio um dos maiores especialistas no assunto é o americano Daniel Pipe do site www.midiasemmascara.com.br
Eu não me considero intelectual, sou apenas estudioso e meu principal contato é com alunos, por isso você não achou nada além de comentários em blogs.Mas tudo é válido, seja no contato pessoal ou na opinião " virtual ". Mas as vezes por falta de tempo e espaço não somos felizes nas conclusões das idéias e aí ocorre o desentendimento.
Li alguns comentários seus e achei muito interessante e inteligente, mas não pára somente nessa óptica.Gostei de suas últimas palavras.Vivemos debaixo do mesmo céu e horizontes diferentes
1 opinião
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Ellen . (192) 08/01/2008 17h32
Ellen . (192) 08/01/2008 17h32
Sr. José Nunes
É típica dos pseudo-intelectuais brasileiros a ênfase em sua "superioridade" intectual. Isso é retrato básico de país subdesenvolvido, isto é, enquanto grande parte da população se encontra na ignorância, os "intelectuais", providos de "conhecimento" são os donos da razão e da verdade. Geralmente as personalidades desses indivíduos assemelham-se aos dos "déspotas esclarecidos".
Procurei o seu nome no lattes e no google pensando em encontrar referências e artigos seus, mas só encontrei uma pessoa que ama fazer comentários em blogs.
Eu respeito a sua opinião, mas favor, não queria impor neste espaço verdades absolutas. A história já está cheia disso.
Mas já que você gosta tanto de história do Oriente (confesso que sou apaixonada) poderia nos indicar alguns livros interessantes? Se quiser também posso passar alguns que já li. É muito melhor a troca de informações do que insultos e propagandas de glórias individuais, não acha?
24 opiniões
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porfirio sperandio (351) 08/01/2008 07h50
porfirio sperandio (351) 08/01/2008 07h50
A pedido de alguns, Do Dialogo do Inferno,
(eu acredito) falam Maquiavel e Montesquieu:
"O problema capital do nosso governo é enfraquecer o espírito público pela crítica; fazer-lhe perder o hábito de pensar, porque a reflexão cria a oposição; distrair as forças do espírito, em vãs escaramuças de eloqüência. Em todos os tempos, os povos, mesmo os mais simples indivíduos, tomaram as palavras como realidades, porque se satisfazem com a aparência das coisas e raramente se dão ao trabalho de observar se as promessas relativas à vida social foram cumpridas. Por isso, nossas instituições terão uma bela fachada..." [Protocolo 5, reiterado no Protocolo 10; ênfase adicionada]
"Para tomar conta da opinião pública, é preciso torná-la perplexa, exprimindo de diversos lados e por tanto tempo tantas opiniões contraditórias que os gentios acabarão perdidos no seu labirinto e convencidos de que, em política, o melhor é não ter opinião." [Protocolo 5; ênfase adicionada]
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