Mundo
01/01/2008 - 18h25

Agência ligada às Farc diz que Uribe lançou "nuvem de fumaça"

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da Folha Online

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, lançou uma "nuvem de fumaça" com sua hipótese de que Emmanuel, filho da refém Clara Rojas, está em Bogotá em poder de um órgão de assistência estadual, afirmou hoje uma agência de notícias favorável às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

No último dia 18, as Farc declararam que iriam libertar Clara Rojas, ex-assessora da ex-presidenciável Ingrid Betancourt, seu filho Emmanuel, nascido em cativeiro e fruto de relação com membro das Farc, e a ex-congressista Consuelo González de Perdomo.

A ação seria um "ato de desgravo" a Chávez, afastado em novembro por Uribe da mediação das negociações para a troca de 45 reféns do grupo por 500 guerrilheiros presos.

"Quem pode pensar que as Farc, que não reconhecem todas as instituições do Estado, vão confiar ao ICBF (Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar) um filho deles", questionou a Agência de Notícias Nova Colômbia (Anncol) em seu site.

Uribe "desapareceu com o filho de Clara como que por mágica. Lançou uma 'nuvem de fumaça'", informou a Anncol em seu site, no qual costuma divulgar comunicados, entrevistas e declarações da guerrilha.

O presidente colombiano, com sua "aversão visceral, não aceita nem permite que a insurgência realize uma ação positiva", acrescentou.

A agência, que costuma publicar suas notas de Estocolmo, fez as afirmações em resposta à hipótese levantada na segunda-feira por Uribe a partir da base aérea de Apiay, vizinha à cidade colombiana de Villavicencio, de que Emmanuel está em Bogotá nas mãos do ICBF.

Segundo o chefe de Estado colombiano, o menino, que nasceu em cativeiro há mais de três anos, estaria em Bogotá, após ser entregue pelo grupo ao Instituto em 2005.

"Infelizmente, este senhor [Uribe] é uma ave de mau agouro. Suspeitamos desde o momento do anúncio de sua visita à base de Apiay", onde estava sendo organizada a operação para o resgate dos três reféns das Farc.

A agência também se referiu à denúncia das Farc de um aumento das operações militares nas florestas colombianas, o que fez com que adiassem a entrega dos seqüestrados.

"Sempre tivemos o temor da perseguição. Sabíamos das enormes dificuldades para realizar esta ação. Sabíamos que na área há 20 mil soldados --máquinas de matar-- dispostos a tudo", disse a "Anncol".

"Com sua língua de fogo, confundindo tudo, jogando palavras de ódio contra as Farc. Aí se viu seu ódio", acrescentou, acusando Uribe de se negar "a ouvir" porque "é a palavra do anticristo".

Com Efe

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