Garcia diz que há "enorme frustração" sobre resgate de reféns das Farc
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, reconheceu nesta terça-feira que há uma "enorme frustração" por parte dos envolvidos nas negociações para libertação dos três reféns sob poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Mas Garcia negou que a operação de resgate tenha sido fracassada, porém admitiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a forma como as negociações foram suspensas.
"Eu quando saí daqui, eu disse para vocês: é uma operação onde todos podem ganhar. Eu não acho que todos tenhamos perdido, mas saímos com um pouco de frustração", disse Garcia, ao desembarcar na Base Área de Brasília.
Em seguida, o assessor especial disse: "Eu acho que houve uma enorme frustração por parte do povo colombiano e do povo venezuelano, além da opinião publica". Garcia afirmou também que não há previsão para libertação dos três reféns --Clara Rojas (ex-assessora da ex-presidenciável colombiana Ingrid Betancourt), seu filho Emmanuel, 3, nascido no cativeiro, e a ex-congressista Clara González.
Segundo ele, foram estabelecidas duas condições para que a operação seja retomada: que as Farc cessem as atividades no momento das articulações e a criação de uma zona desmilitarizada, a qual ele chama de "área humanitária".
"Se há o mérito é o de que o tema foi colocado na opinião pública. Essa questão não pode ser jogada para debaixo do tapete"
Lamento
Garcia contou que, durante os cinco dias de operação, ele conversou de duas a três vezes com o presidente Lula recebendo orientações. Segundo ele, Lula transmitiu como "primeira instrução" que ele conversasse com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.
"O presidente lamentou o fracasso parcial da operação", disse ele, destacando que houve um esforço de todos os negociadores para buscar o resultado positivo da ação. "O governo venezuelano se empenhou muitíssimo. Aviões e helicópteros foram mobilizados. Foi um trabalho de grande profissionalismo. O governo venezuelano nos deu uma atenção muito grande do ponto de vista da infra-estrutura. Agora, a coisa não funcionou. Vamos ter que ver quando isso vai ser retomado e se vai ser retomado no mesmo cenário", afirmou.
O assessor especial evitou se envolver na polêmica sobre as divergências entre os governos do presidente Hugo Chávez e de Uribe. Segundo ele, é necessário evitar a politização do assunto. "Uma certa certa despolitização é necessária", sugeriu.
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