Mundo
02/01/2008 - 10h52

Violência no Quênia mata 300; presidente chama oposição para resolver crise

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da Folha Online

O presidente do Quênia, Mwai Kibaki, chamou os parlamentares da oposição para um encontro na sede oficial do governo, na capital Nairóbi, em uma tentativa de apaziguar o país, enquanto o número de mortos já passa de 300, após a eclosão de violentos distúrbios pós-eleitorais, afirma a Reuters.

O governo do Quênia acusou o partido de seu rival Raila Odinga, nesta quarta-feira, de praticar um genocídio no país.

"Está ficando claro que esses atos de genocídio e limpeza étnica no Quênia foram planejados, financiados e ensaiados pelos líderes do Movimento Democrático Laranja [de Raila Odinga] antes das eleições", afirma um comunicado lido nesta manhã pelo ministro Kivutha Kibwana.

Os apoiadores de Odinga, porém, lançam as mesmas acusações ao governo do presidente Mwai Kibaki.

A onda de violência se agravou no último domingo, quando a Comissão Eleitoral do Quênia declarou Kibaki vencedor das eleições. A oposição alega que mais de 1 milhão de votos foram fraudados.

A comunidade internacional pediu calma à população queniana. Já o Reino Unido solicitou à União Africana e a Commonwealth que trabalhem para a reconciliação entre Odinga e Kibaki.

"Há relatórios independentes sobre sérias irregularidades na contagem dos votos" disse o ministro britânico de Relações Exteriores, David Miliband, e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em uma nota conjunta. Eles chamaram por um "intenso processo legal e político" para dar fim à crise.

A reação contra o resultado eleitoral desencadeou também uma batalha entre as tribos rivais Luo e Kikuyu [grupo étnico de Kibaki]. Segundo o chefe da Cruz Vermelha para o Quênia, a violência étnica provocou uma boa parte das mortes.

Grupos ligados aos direitos humanos acusam as forças de segurança do Quênia pela repressão brutal aos protestos da oposição. "Como reação, os manifestantes provocaram o assassinato da população Kikuyus", afirmaram a Comissão de Direitos Humanos do Quênia e a Federação de Internacional de Direitos Humanos.

Durante os distúrbios, as forças de segurança do Quênia chegaram a receber ordens de atirar para matar caso fosse preciso para conter os manifestantes.

Nesta quarta-feira, enquanto jovens armados com facões faziam barreiras nas estradas em áreas rurais, alguns trabalhadores na capital Nairóbi tentavam furar o cordão policial para chegar ao trabalho.

"Eles chamam isso de democracia", afirmou um funcionário do banco central, enquanto a polícia tentava barrá-lo.

Massacre em igreja

Nesta terça-feira, uma multidão incendiou uma igreja, matando cerca de 50 pessoas que buscavam se proteger dos confrontos étnicos.

O fogo queimou uma igreja perto da cidade de Eldoret, onde centenas de membros da tribo Kikuyu, de Kibaki, haviam se abrigado. Testemunhas afirmam que corpos queimados, inclusive de mulheres e crianças, estavam entre as ruínas da construção.

"É a primeira vez na história do Quênia que um grupo ataca uma igreja. Nunca esperamos que a selvageria fosse tão longe", afirmou o porta-voz da polícia Eric Kiraithe.

Com Associated Press e Reuters

 

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