Mundo
02/01/2008 - 14h35

Ditador do Paquistão aceita ajuda do Reino Unido para investigar morte de Bhutto

Publicidade

da Folha Online

O ditador do Paquistão, Pervez Musharraf, disse nesta quarta-feira, em cadeia nacional, que solicitou ao governo do Reino Unido uma equipe de oficiais da Scotland Yard (polícia britânica) para ajudar nas investigações do assassinato da ex-premiê e líder oposicionista, Benazir Bhutto.

"Eu fiz essa solicitação ao primeiro-ministro britânico Gordon Brown e ele aceitou", afirmou Musharraf. Segundo ele, o time da Scotland Yard dará apoio aos investigadores locais.

O anúncio do ditador paquistanês vem ao encontro da exigência dos partidos de oposição, que já haviam manifestado o interesse por uma investigação nacional sobre as circunstâncias da morte de Bhutto.

"Essa á a hora para uma reconciliação, não um confronto", disse Musharraf, para quem o assassinato da ex-premiê foi planejado por "terroristas". "A nação vivenciou uma grande tragédia. Benazir Bhutto morreu pelas mãos de terroristas. Eu rezo a Deus para que mantenha sua alma em eterna paz".

Logo de início, o governo paquistanês afirmou ter evidências de que a rede terrorista Al Qaeda e o grupo fundamentalista Taleban planejaram a morte de Bhutto. A oposição, no entanto, lançou dúvidas sobre essa versão e acusou setores do próprio governo de estar por trás do atentado.

O Paquistão vive um clima de forte tensão desde a morte de Bhutto. Nesta segunda-feira, autoridades locais confirmaram a morte de 58 pessoas nos distúrbios que se seguiram no país desde a última quinta-feira.

Em seu primeiro pronunciamento em cadeia nacional, Musharraf afirmou que "elementos políticos" querem aproveitar-se da tragédia para provocar desordem. Ele acrescentou que o governo irá tratar com firmeza aqueles que atentarem contra a lei.

"Se não triunfarmos, se Deus não quiser, o futuro do Paquistão será obscuro", disse o ditador.

Eleições adiadas

Musharraf defendeu ainda a decisão da Comissão Eleitoral paquistanesa de adiar as eleições parlamentares no país --marcadas inicialmente para 8 de janeiro-- para o dia 18 de fevereiro.

"Foi uma decisão correta", disse Musharraf. Nesta quarta, a Comissão Eleitoral anunciou o adiamento, sob a justificativa de que as eleições ficariam prejudicadas em função do impacto do assassinato de Bhutto.

"Prometo a todos os partidos políticos que as eleições serão justas e transparentes, e os exorto a aceitar esta decisão pelo interesse supremo da nação, e a participar plenamente nas eleições", afirmou o presidente da Comissão Eleitoral, Qazi Mohammad Faro.

Com France Presse, Associated Press e Reuters

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca