Homem que deixou menino em orfanato afirma que ele pertencia às Farc
da Folha Online
O homem que deixou em um orfanato o suposto Emmanuel, o filho da refém das Farc Clara Rojas, nascido em cativeiro, afirmou que o menor pertencia à guerrilha, segundo fontes oficiais citadas nesta quarta-feira pela imprensa colombiana.
"José Gómez disse aos investigadores que era um menino das Farc", afirma o jornal "El Tiempo", indicando que o homem, cujo testemunho foi gravado, estaria pedindo agora proteção do Estado.
Gómez, que reclamou a devolução do menino no final de dezembro, também manifestou às autoridades que "não era pai ou tio-avô do menino --como afirmara a princípio-- e que não tem nenhum parentesco com ele", acrescenta a notícia, baseada em relatórios de organismos de segurança.
A versão também foi divulgada pelas emissoras Caracol e RCN, que citaram fontes da promotoria do departamento de Guaviare (sudeste). "Gómez admitiu que o menino é das Farc", afirmou a rádio Caracol.
Moradores da localidade de El Retorno (Guaviare) consultados pela rádio informaram que o homem desapareceu há oito dias.
A revelação de que o menino estaria livre em Bogotá desde 2005 sob o nome de Juan David Gómez Tapiero foi feita pelo presidente colombiano, Alvaro Uribe, provocando surpresa. O menino, nascido da relação consentida entre a refém Clara Rojas e um guerrilheiro, seria um dos internos do Instituto Colombiano do Bem-Estar da Família (ICBF, estatal), em Bogotá.
Mas a agência de notícias Anncol, que divulga informações das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), descartou na terça-feira que o menor sob proteção do instituto estatal possa ser Emmanuel.
DNA
Familiares da Clara Rojas recolheram nesta terça-feira amostras de DNA para confirmar ou descartar a hipótese de que o menino no orfanato em Bogotá seja seu filho Emmanuel.
As Farc anunciaram em 18 de dezembro a libertação de Rojas, ex-assessora da presidenciável Ingrid Betancourt, de seu filho Emmanuel e da ex-parlamentar Consuelo González de Perdomo, como um "ato de desagravo" ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, depois que o governo de Bogotá cancelou sua mediação em favor de uma troca de 45 reféns por cerca de 500 rebeldes presos.
No entanto, na última segunda-feira, as Farc declararam que operações realizadas pelo Exército colombiano impedem a entrega dos três reféns que o grupo prometeu libertar.
"As intensas operações realizadas na zona (em que os reféns seriam entregues) nos impedem entregar, como era nosso desejo, os reféns. Insistir seria arriscar a vida das pessoas e dos guerrilheiros", disse o grupo em um comunicado lido pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, por telefone, no canal de televisão estatal da Venezuela.
Ao negar que seu governo teria intensificado operações militares na zona em que os seqüestrados seriam libertados, Uribe disse que o real motivo do adiamento da libertação dos reféns é que Emmanuel não estaria mais em poder das Farc.
O governo colombiano decidiu divulgar a hipótese de que Emmanuel está sob cuidados da ICBF por tratar-se de um "assunto que comprometia o Estado", afirmou nesta terça-feira o alto comissário colombiano para a Paz, Luis Carlos Restrepo.
"Não podíamos atuar aqui de maneira secreta. Esse era um assunto que comprometia o Estado colombiano", disse a emissoras de rádio.
Restrepo afirmou que nenhuma "outra explicação pode existir para o fato de as Farc não terem cumprido (com o cronograma de libertação), pois talvez tentassem recuperar a criança para poderem fazer a entrega conjunta de todos os seqüestrados".
Com France Presse
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