Mundo
03/01/2008 - 13h47

Procuradoria Geral do Quênia pede revisão da contagem de votos

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da Folha Online

A Procuradoria Geral do Quênia solicitou nesta quinta-feira a revisão da contagem de votos das últimas eleições no país, em resposta às acusações de fraude na apuração. Há seis dias, uma violenta onda de protestos pós-eleitorais deixou ao menos 342 mortos e 100 mil desabrigados.

A oposição queniana acusa o governo de fraudar mais de 1 milhão de votos para permitir a reeleição do presidente Mwai Kibaki. Observadores da União Européia também lançaram dúvidas sobre a lisura das eleições.

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, o procurador-geral do país, Amos Wako, expressou a intenção de revisar os dados, por conta da "percepção de que os resultados das eleições presidenciais foram manipulados".

"[A revisão]Deveria ser realizada imediatamente, com caráter prioritário e por pessoas ou instituições escolhidas por consenso para garantir uma adequada apuração dos votos", afirmou Wako.

Khalil Senosi/AP
Policiais atrás de barricada montada por opositores em Nairóbi; protesto é suspenso
Policiais se posicionam atrás de barricada montada por opositores em Nairóbi; protesto é suspenso após registros de violência

A Comissão Eleitoral declarou no último domingo (29) a vitória de Kibaki, por 46,38% dos votos, contra 44,03% do candidato do opositor Raila Odinga, do Movimento Democrático Laranja (ODM). Uma hora após o anúncio do resultado, Kibaki iniciou o segundo mandato.

Após o anúncio da comissão, uma onda de violência se espalhou pelo Quênia. A reação contra o resultado eleitoral desencadeou também uma batalha entre as tribos rivais Luo (grupo étnico de Odinga) e Kikuyu (de Kibaki).

Durante os distúrbios, oficiais chegaram a receber ordens de atirar para matar caso fosse preciso para conter os manifestantes.

Desde então, a comunidade internacional pediu calma à população do Quênia repetidas vezes e exortou o governo e a oposição a realizar um esforço de reconciliação nacional. A oposição, porém, já disse que não aceita reunir-se com o governo sem mediação. "Nós não dialogamos com ladrão. Não estamos interessados em conversar com Kibaki sem mediação internacional", Odinga nesta quarta-feira.

Protesto cancelado

Após a explosão da onda de violência no Quênia, a oposição decidiu desmobilizar uma manifestação de massa convocada para esta quinta.

"Somos pessoas pacíficas e não queremos violência", afirmou William Ruto, um dos líderes do partido de Odinga, a centenas de partidários perto do parque Uhuru, em Nairóbi. "É por isso que vamos nos dispersar pacificamente agora". Segundo ele, no entanto, um novo protesto está marcado para a próxima terça-feira (8).

Anteriormente, policiais atiraram bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água contra os manifestantes, e deram tiros para o alto para dispersar a multidão. Algumas lojas da cidade foram incendiadas.

Cerca de 4.500 pessoas fugiram do país para o vizinho Uganda, e centenas foram para a Tanzânia, de acordo com um balanço da Cruz Vermelha.

Com Efe

 

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