Mundo
03/01/2008 - 18h21

Farc anunciam "ofensiva geral" em 2008 na Colômbia

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da Folha Online

O chefe da guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionários da Colômbia), Manuel Marulanda, também chamado de "Tirofijo", fez um apelo a uma "ofensiva geral" em 2008, em mensagem aos combatentes datada do dia 24 de dezembro e publicada nesta quinta-feira pela Agencia Boliviariana de Prensa (ABP), ligada ao grupo.

"É conveniente aproveitar a crise geral pela qual passa o governo e o cansaço refletido em algumas unidades militares para começar a preparar as condições voltadas para uma ofensiva geral", diz o texto, que não faz nenhuma alusão à operação humanitária montada pela Venezuela para recuperar três reféns, que tiveram a libertação prometida pelas Farc.
O líder rebelde, de 77 anos e que fundou as Farc em 1964, acrescentou que seus quadros "estão obrigados" a desenvolver "ações armadas em estradas, caminhos, florestas, centros urbanos, aldeias e quartéis, sem dar trégua ao inimigo, tal como o faz" contra a organização.

Manuel Marulanda reitera a principal exigência das Farc --a desmilitarização dos municípios de Florida e de Pradera, no sul do país-- para realizar uma troca entre 45 reféns, entre eles a ex-candidata à presidência Ingrid Betancourt, e cerca de 500 guerrilheiros presos.

"Se o presidente Uribe ordenasse uma retirada militar de Florida e Pradera, o problema estaria solucionado há anos. E assim, ninguém perderia, todos ganhariam", estima.

Uribe, conhecido pela firmeza em relação à guerrilha, opõe-se categoricamente a essa desmilitarização, estimando que permitiria às Farc ampliar suas posições.

A guerrilha colombiana das Farc completa 44 anos de existência em 2008, e em um clima de confronto total com o atual presidente Alvaro Uribe, que tem combatido a organização rebelde com maior tenacidade do que seus antecessores.

Extremamente influente no país, o movimento que nasceu como uma reação de um grupo de 48 camponeses à violência policial, no dia 27 de maio de 1964, em Marquetalia (sul), no planalto entre as serras de Iquira e Atá, ainda é liderado pelo mesmo homem, Manuel Marulanda Vélez, mais conhecido como "Tirofijo".

Desde então, as Farc sobreviveram a 11 governos, que alternaram políticas combate e de negociação. Neste sentido, os exemplos mais radicais foram os dois últimos presidentes Andrés Pastrana (1998-2002) e o atual Alvaro Uribe.

O confronto entre Uribe e as Farc é tão forte que quando o primeiro assumiu a presidência, em 7 de agosto de 2002, os rebeldes atacaram a sede do governo com bombas, um dia no qual 20 pessoas morreram.

O governo de Uribe prometeu continuar combatendo este grupo armado, que, por sua vez, nega-se ao diálogo, a não ser sobre a troca de vítimas de seqüestro por rebeldes na prisão.

E é justamente a prática de seqüestros, assim como ligações cada vez mais claras com o narcotráfico, que levaram a guerrilha ao desprestígio junto à população.

Repressão

O governo colombiano afirmou nesta quarta-feira que em 2007 morreram 2.963 membros de grupos guerrilheiros, organizações de narcotraficantes e criminosos comuns em confrontos com tropas do Exército.

Segundo relatório das Forças Armadas divulgado pela Casa de Nariño, sede do governo colombiano, outras 5.225 pessoas foram capturadas e 1.403 se entregaram às tropas.

Dos mortos, segundo o documento, 1.731 pertenciam às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), 239 ao Exército de Libertação Nacional (ELN), nove ao Exército Revolucionário do Povo (ERP) e três ao Exército Popular de Libertação (EPL).

Ainda segundo o Exército, houve 2.507 combates das tropas com organizações ilegais, com o desmantelamento de 1.968 acampamentos guerrilheiros.

Com France Presse

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