Mundo
04/01/2008 - 18h46

Justiça retoma julgamento de Fujimori com depoimentos de sobreviventes

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da Folha Online

O julgamento do ex-presidente do Peru Alberto Fujimori (1990-2000) por violações dos direitos humanos foi retomado nesta sexta-feira com os depoimentos de dois sobreviventes do massacre de Barrios Altos (1991), após a pausa para as festas de fim de ano.

No nono dia do processo, Natividad Condor Cahuana e Felipe León, dois dos sobreviventes, lembraram que dez pessoas vestidas de ternos escuros entraram no local onde realizavam uma festa e dispararam à queima-roupa contra os presentes, matando quinze pessoas, entre elas um menor.

Fujimori é julgado desde 10 de dezembro pelos massacres de Barrios Altos e o assassinato de nove estudantes e um professor da Universidade La Cantuta (1992), cometido pelo grupo militar Colina, que foi supostamente criado pelo ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos para lutar contra o terrorismo.

O ex-presidente também é julgado pelos seqüestros em 1992 do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer.

No dia 26 de dezembro, Fujimori durante o julgamento por violação dos direitos humanos, que, durante seu governo, transmitia apenas as diretrizes gerais, baseadas no princípio do "soldado amigo", e que jamais traçou estratégias antiterroristas --e que, menos ainda, ordenou uma "guerra suja" contra a subversão.

Interrogado por seu defensor César Nakazaki, Fujimori afirmou que na década passada não elaborou "planos nem operações militares em qualquer nível (porque) o presidente tem mando, mas não comando, e não interfere em planos militares que, além de tudo, não entende".

"Sempre apontei grandes planejamentos e diretrizes, o presidente não elabora estratégias nem diz como serão aplicadas; isso diz respeito à esfera militar", argumentou, dizendo que nunca ordenou uma política de guerra suja e de extermínio contra os grupos armados.

Fujimori admitiu que, durante seu governo, foram cometidos excessos por parte dos militares, mas que não ordenou que se instalasse uma guerra suja ou de extermínio aos grupos armados, porque isso entraria em contradição com sua ordem de 1991 de combate à subversão dentro da lei e com "pleno respeito aos direitos humanos".

O ex-presidente baseou sua defesa no fato de que uma ordem de exterminar, arrasar um povo ou fazer desaparecer subversivos deve ser feita por escrito e não verbalmente.

"Tudo tem que constar por escrito e em nenhum momento foi dada uma ordem de assassinatos ou desaparecimentos", afirmou.

Fujimori está detido desde 22 de setembro na sede da Direção de Operações Especiais da Polícia Nacional, ao leste de Lima, aonde chegou após ser extraditado do Chile por dois casos de violações dos direitos humanos e cinco de corrupção.

Em julgamento por abuso de autoridade, o ex-presidente foi condenado a seis anos de prisão.

Com France Presse, Efe e Reuters

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