Governo paquistanês reage com irritação a reportagem do "New York Times"
da Folha Online
O governo paquistanês demonstrou irritação com as informações publicadas pelo jornal "The New York Times" neste domingo, segundo as quais os Estados Unidos pretendem ampliar a autorização da CIA (central de inteligência americana) e das Forças Armadas para que realizem operações secretas nas áreas tribais do país.
"Isso não depende do governo americano. Quem é responsável pelo nosso país é o governo do Paquistão", disse à France Presse o porta-voz do Exército, general Waheed Arshad.
De acordo com o "NYT", os conselheiros de segurança dos EUA cogitaram estender a atuação da CIA e do Exército em resposta às evidências de que a rede terrorista Al Qaeda e o grupo fundamentalista Taleban reforçaram suas atividades na região para desestabilizar o governo do Paquistão.
"Não há nenhum tipo de operações secretas dos Estados Unidos no Paquistão. Essas informações carecem de fundamento", acrescentou Arshad.
A reportagem do "NYT" afirma também que os Estados Unidos já conduzem boa parte das operações antiterror no Paquistão.
O porta-voz do Exército paquistanês qualificou as informações do jornal norte-americano de "especulativas" e disse ser "inaceitável" qualquer afirmação que sugira que as forças militares e de inteligência dos Estados Unidos estejam em solo paquistanês.
Segundo o "NYT", o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, e conselheiros de segurança do presidente George W. Bush encontraram-se na última sexta-feira (4) para discutir a proposta --que faz parte da reavaliação da estratégia americana no Paquistão após o assassinato da ex-premiê e líder oposicionista, Benazir Bhutto.
"Depois de anos priorizando o Afeganistão, achamos que os extremistas agora vêem uma chance de grande êxito, ao criar o caos no Paquistão", afirmou uma fonte citada pelo jornal.
Durante a reunião, os oficiais discutiram também qual seria a melhor forma de lidar com o Paquistão no processo eleitoral e pós-eleitoral. As eleições legislativas no país estão marcadas para o dia 18 de fevereiro.
De acordo com os participantes do encontro, a ameaça ao governo do ditador paquistanês, Pervez Musharraf, tornou-se tão séria que o próprio ditador e as lideranças militares concordariam em permitir uma ação mais ampla dos Estados Unidos no país. Por enquanto, porém, ainda não foi tomada nenhuma decisão a esse respeito.
Nos planos dos Estados Unidos, a CIA teria menos restrições para selecionar e atacar alvos no Paquistão, em alguns casos com a ajuda da inteligência paquistanesa. Os Estados Unidos já conduzem boa parte das operações antiterror no Paquistão.
Com France Presse e "The New York Times"
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