Governo australiano nega fundo de compensação a aborígenes
da France Presse, em Sydney
O governo da Austrália rejeitou nesta segunda-feira o pedido de US$ 870 milhões feito pele comunidade aborígene como forma de compensar as crianças nativas que foram separadas dos pais para forçar sua assimilação e que ficaram conhecidas como a "geração roubada".
O primeiro-ministro Kevin Rudd se comprometeu a pedir desculpas aos aborígenes pela política de assimilação, considerada desastrosa. Seu antecessor, se negou a fazer a retratação durante os 11 anos em que permaneceu no poder.
O ministro das Relações Indígenas, Jenny Macklin, porém, descartou a idéia de criação de um fundo de um bilhão de dólares australianos (US$ 870 milhões), como exigem alguns líderes aborígenes.
"O que vamos fazer é destinar estes fundos a serviços de saúde e educação, além de proporcionar apoio complementar para os serviços de assistência que permitirão às pessoas encontrar seus familiares", disse Macklin.
"Não vamos criar um fundo de compensação", concluiu.
O diretor jurídico do Centro Aborígene da Tasmânia, Michael Mansell, exigiu do governo a criação de um fundo milionário para compensar os 13 mil aborígenes que, durante quatro décadas, até os anos 70, foram separados de suas famílias.
As crianças foram internadas em instituições e residências de acolhimento com famílias brancas, com o objetivo de forçar a assimilação. Alguns nunca voltaram a ver suas famílias.
"O primeiro-ministro deve enfrentar o mundo e dizer que, em nome da nação, sentimos realmente o que aconteceu. Porém, enquanto negar a compensação, suas palavras cairão no vazio", disse Mansell.
Os habitantes originais da Austrália foram marginalizados após a chegada dos primeiros colonos britânicos em 1788. Atualmente existem apenas 470 mil aborígenes --eles chegaram a ser 21 milhões. Muitos vivem reclusos em acampamentos.
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