Julgamento de ex-ditador da Libéria recomeça em Haia
da Folha Online
Após seis meses de interrupção, foi retomado nesta segunda-feira, em Haia, o julgamento contra o ex-presidente da Libéria Charles Taylor, acusado de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Especial para Serra Leoa, por liderar uma rebelião entre 1991 e 2001, em que mais de 250 mil pessoas morreram.
Charles Taylor, 59, primeiro ex-chefe de Estado africano julgado por um tribunal internacional, demonstrava tranqüilidade na abertura da sessão. Ele vestia terno e gravata escuros e óculos de armação de ouro.
O ex-presidente alega inocência nas 11 acusações em que enfrenta, entre elas crimes de guerra, crimes contra a humanidade, assassinato, estupro e recrutamento de meninos soldados entre novembro de 1996 e 2001.
A acusação terá como primeira testemunha Ian Smillie, especialista da indústria do diamante na África e conhecedor do papel de Taylor no conflito.
O procurador deseja levar ainda ao tribunal uma vítima dos crimes cometidos durante a guerra civil em Serra Leoa (1991-2001) e um liberiano que pertence ao círculo de amigos de Taylor.
Eleito presidente da Libéria em 1997, Charles Taylor é processado por ter apoiado os rebeldes da Frente Revolucionária Unida (RUF), que torturou civis durante a guerra civil no país.
Instabilidade
O julgamento ocorre em Haia por conta dos receios de que poderia provocar distúrbios se fosse realizado em Serra Leoa.
Os promotores pretendem intimar 144 testemunhas, mas esperam que a metade possa submeter seus relatos por escrito.
A expectativa é que o julgamento se encerre até o final de 2009, embora uma eventual apelação possa arrastar o processo até 2010.
No passado, os ex-ditadores africanos procuravam exílio no exterior para passar o resto de seus dias sem enfrentar punição. Taylor exilou-se na Nigéria em 2003, após ser derrubado, mas foi entregue à corte graças a pressões internacionais.
Com France Presse e Reuters
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