Mundo
07/01/2008 - 17h12

Irã minimiza incidente com navios dos EUA no golfo Pérsico

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da Folha Online

O governo do Irã confirmou nesta segunda-feira a ocorrência de "um incidente" entre embarcações da Guarda Revolucionária iraniana e navios da Marinha americana no estreito de Ormuz, na entrada do golfo Pérsico.

No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Ali Hosseini, minimizou o "incidente" ao classificá-lo como "normal" e afirmar que o mesmo "foi superado imediatamente", segundo a televisão iraniana Alalam.

Fontes do Pentágono acusaram nesta segunda-feira embarcações iranianas de perseguir, provocar e "atuar de forma agressiva" contra três navios da Marinha dos Estados Unidos em Ormuz, estreito com importância estratégica para a navegação no golfo Pérsico.

Marcelo Katsuki/Fol

De acordo com o Pentágono, os guardas que estavam nas embarcações disseram via rádio aos tripulantes americanos: "Estamos indo até vocês e os explodiremos em alguns minutos".

Os americanos afirmaram que os navios iranianos se retiraram quando as embarcações americanas se preparavam "para abrir fogo em legítima defesa".

O porta-voz iraniano não deu outros detalhes sobre o episódio, mas ressaltou que "o incidente ocorreu na noite de sábado", e que "é algo rotineiro que ocorreu outras vezes no passado e foi superado de forma imediata".

Uma fonte da Guarda Revolucionária negou que os navios iranianos "tenham interceptado ou provocado embarcações americanas", e disse que as afirmações do Pentágono sobre o caso eram "infundadas", de acordo com a Alalam.

Influência

O incidente foi revelado na véspera da viagem à região do presidente americano, George W. Bush, uma viagem cuja primeira motivação --junto com a resolução do conflito israelense-palestino-- é afirmar a mobilização americana no golfo para conter o Irã.

As autoridades iranianas, lideradas pelo presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, reiteraram várias vezes sua oposição à presença militar americana na região, por considerar que "a segurança da zona deve ser responsabilidade de seus próprios países".

O chefe de Estado iraniano propôs em dezembro às nações árabes vizinhas ao Irã um acordo de cooperação econômica e em matéria de segurança, com o objetivo de "impedir a interferência estrangeira" na região, em referência aos EUA.

O governante iraniano anunciou a proposta durante a cúpula anual do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), realizada em dezembro no Qatar, da qual participou como convidado.

O grupo é formado por Arábia Saudita, Kuait, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Omã, todos vizinhos do Irã e aliados dos EUA. Alguns deles inclusive possuem bases militares americanas.

O Irã, acusado por Washington de tentar desenvolver um programa nuclear militar e de apoiar a insurgência no Iraque, criticou a viagem de Bush pelo Oriente Médio e pelo golfo Pérsico, e insinuou que seu propósito é "proteger os interesses da entidade sionista (Israel)".

Além de Israel e Cisjordânia, o presidente dos Estados Unidos deve visitar entre 9 e 16 deste mês Kuait, Barein, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Egito, para discutir o processo de paz no Oriente Médio e o programa nuclear iraniano.

Incidente

Segundo as fontes militares americanas, não é incomum que embarcações iranianas se aproximem de navios dos EUA na região, mas a transmissão via rádio foi algo fora do comum.

As embarcações iranianas também teriam despejado caixas brancas no mar. Não ficou claro qual seria o conteúdo de tais caixas, segundo o relato dos oficiais do Pentágono.

Em outubro último, os EUA qualificaram a Guarda Revolucionária do Irã como uma organização "proliferadora de armas de destruição em massa" e uma "força terrorista".

Em março de 2007, o Irã prendeu 15 marines e marinheiros britânicos na região do golfo, acusando-os de terem ultrapassado a fronteira iraniana ao inspecionarem uma embarcação.

O governo britânico negou a acusação, dizendo que o barco estava em águas iraquianas.

O grupo ficou detido por quase 15 dias, antes de serem soltos pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que disse que a libertação era um "presente" para o povo britânico.

Com France Presse e Efe

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