Colômbia diz que não aceita mais comissões humanitárias internacionais
da Folha Online
O governo colombiano não aceitará novas comissões internacionais humanitárias como a que participou, no final de dezembro, da fracassada operação de entrega de três reféns em poder da guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), anunciou nesta segunda-feira o chanceler Fernando Araújo.
"Esperamos que as Farc cumpram com sua palavra de fazer a entrega de Clara Rojas e Consuelo González. Neste caso, facilitaremos a entrega, mas sem aceitar a presença de comissões internacionais humanitárias", disse Araújo em entrevista à rádio Caracol.
| Fernando Vergara/AP |
![]() |
| O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Fernando Araujo, em Bogotá |
O chanceler colombiano explicou que a decisão foi tomada em razão da falta de credibilidade que os delegados internacionais que foram à Colômbia deram à posição do governo do presidente Alvaro Uribe.
"A comissão que veio a Villavicencio em um ato de transparência e de abertura do governo colombiano chegou com um discurso muito carregado contra o governo e muito favorável às Farc, duvidando todo o tempo das informações do governo e registrando como verdadeiras as mentiras das Farc", justificou.
Na cidade de Villavicencio (95 km a sudeste de Bogotá), onde foi concentrada toda a operação montada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez para receber González, Rojas e Emmanuel, estiveram delegados presidenciais vindos de Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Cuba, França e Suíça.
O grupo guerrilheiro anunciou que libertaria Gonzáles, Rojas e Emmanuel [filho de Rojas nascido em cativeiro, fruto de uma relação consentida com um membro da guerrilha] no último dia 18, como um "ato de desagravo" ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que foi afastado das mediações para um acordo humanitário entre o governo colombiano e o grupo guerrilheiro.
| Harold Escalona/Efe |
![]() |
| Clara Gonzalez de Rojas, mãe de Clara Rojas e avó de Emmanuel, durante coletiva |
Na segunda-feira (31), as Farc justificaram a desistência da entrega dos reféns dizendo que "atividades militares" colombianas próximas ao local do resgate impediram que a operação fosse concluída.
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, porém, negou a versão da guerrilha e afirmou que as Farc não poderiam cumprir sua promessa simplesmente porque Emmanuel não estaria em seu poder, pois está em um orfanato em Bogotá.
Araújo também afirmou que a comissão "pôs em dúvida todo o tempo a atuação do governo".
"Alguns de seus membros (da comissão), depois de saber sobre a identidade de Emmanuel, comprovado o verdadeiro motivo pelo qual não entregaram os reféns, porque não tinham Emmanuel, continuaram duvidando da transparência e da sinceridade das informações apresentadas pelo governo colombiano", disse o chanceler.
"Nessas condições, consideramos que essas comissões só servem para criar um cenário favorável para as Farc na comunidade internacional, e acreditamos que isso deve ser cortado pela raiz, não devemos permitir mais", concluiu.
Em declarações neste mesmo sentido publicadas nesta segunda-feira pelo jornal"El Tiempo", de Bogotá, Araújo disse que "essas comissões são formadas por pessoas que não conhecem a situação colombiana nem as Farc".
As Farc não cumpriram com a entrega porque não tinham Emmanuel, como posteriormente reconheceram, após terem afirmado inicialmente ter atribuído o descumprimento do acordo a operações militares.
"Sem confiança"
Ainda nesta segunda, o governo da Colômbia afirmou que "não há confiança" para negociar com as Farc.
O ministro do Interior e Justiça colombiano, Carlos Holguín Sardi, declarou que ficou provado que "não se pode negociar nem com os enganadores nem com os mentirosos".
O ministro do Interior pediu, em entrevista à radio Caracol, que "exijam das Farc que libertem a todos os seqüestrados, porque já não há confiança para negociar com esse grupo".
"Por isso já não há mais acordos ou mais missões humanitárias para que as Farc brinquem com todos, com a comunidade internacional", declarou.
Sardi considerou que aos rebeldes do grupo guerrilheiro "já não resta nem território nem capacidade operacional, salvo alguns incidentes terroristas que venham a atender a seu afã demencial de provocar danos, e por isso não se pode ter consideração (com eles) de nenhuma natureza".
Com France Presse e Efe
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Hugo Chávez diz que espera novo contato das Farc
- Filho de Betancourt pede que comunidade internacional pressione as Farc
- Venezuela comemora "identificação" de Emmanuel, mas quer esclarecimentos
- Mediadora colombiana lamenta fracasso de operação
Especial



