Chávez atuou em "reality show" em ação com reféns, diz opositor
FERNANDO SERPONE
da Folha Online
As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) libertaram hoje dois dos três reféns que haviam prometido soltar em 18 de dezembro --a ex-assessora da candidata presidencial Ingrid Betancourt, Clara Rojas, e a ex-congressista Consuelo Gonzalez.
O terceiro refém prometido, Emmanuel, filho de Rojas, não foi libertado pois já não estava mais nas mãos da guerrilha.
Segundo o grupo, a ação foi um "ato de desagravo" ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que havia sido afastado das negociações pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe.
As coordenadas do local onde os reféns deviam ser resgatados foram fornecidas a Chávez.
Na opinião de Timoteo Zambrano, político venezuelano e diretor de política internacional do partido Un Novo Tiempo (oposição), a atuação do mandatário venezuelano no caso foi um "um show político-midiático" montado pelo próprio presidente. "É um reality show [de Chávez] para tentar melhorar sua imagem internacional, que está bastante deteriorada", afirmou.
Para Zambrano, se Chávez de fato quisesse ajudar os reféns começaria por tentar conseguir a libertação de todos os seqüestrados venezuelanos. As Farc e o ELN (Exército Nacional de Libertação) mantêm mais de cem reféns venezuelanos, segundo o político de oposição.
Em sua opinião, o episódio não significa uma vitória política do presidente na Venezuela.
"A libertação foi uma vitória política de Uribe, já que ele conseguiu a libertação de duas reféns sem fazer concessões à guerrilha. Uma vitória para Chávez seria alcançar a libertação de todos os reféns venezuelanos que estão nas mãos das Farc e do ELN, e isso não ocorre. Quem sabe para o mundo externo essa ação possa ser vista assim", afirmou o opositor.
"Para nós, venezuelanos não é [uma vitória], porque temos muitos seqüestrados na Venezuela. E é contraditório que o presidente esteja nesse esforço por cidadãos de outros países --estamos de acordo que isso seja feito--, mas não faça pelo venezuelanos, que são tantos que estão seqüestrados pela guerrilha colombiana e pelo ELN", completa.
Troca humanitária
Zambrano diz não crer na troca humanitária --sob intermédio de Chávez no ano passado--, que tentava a libertação de 46 reféns por 500 guerrilheiros presos, porque as Farc utilizam os reféns como escudo humano, contra as operações militares do Plano Colômbia e do governo colombiano.
"O que pode oferecer Uribe em troca dos seqüestrados?. Às Farc não interessa que devolvam guerrilheiros. O que [as Farc] querem é o poder. E isso Uribe não irá entregar."
O político venezuelano diz acreditar que será difícil que mais libertações ocorram, mesmo que Chávez continue envolvido.
"O confronto Uribe-Farc é militar. Não creio que isso vá mudar, pelo contrário, deve se aprofundar."
Libertação
Os helicópteros que levam Rojas e González, chegaram nesta tarde ao aeroporto venezuelano de Santo Domingo, perto da fronteira com a Colômbia.
Rojas estava em poder das Farc desde 23 de fevereiro de 2002, e González estava em cativeiro desde 10 de setembro de 2001.
A nova operação de resgate, que teve início às 6h do horário local [9h em Brasília], foi autorizada nesta quarta-feira pelo governo colombiano.
O anúncio da nova missão veio uma semana após o fracasso da operação anterior, planejada para resgatar Gonzáles, Rojas e seu filho Emmanuel, nascido em cativeiro.
No último dia 31, as Farc suspenderam a entrega dos reféns, sob alegação de que "atividades militares" colombianas próximas ao local do resgate impediram o processo.
Dias depois, porém, descobriu-se que a libertação não ocorreu porque o garoto Emmanuel não estava mais em poder da guerrilha.
A criança encontra-se sob custódia da Colômbia em um orfanato estatal em Bogotá.
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Especial


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Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
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