Mundo
10/01/2008 - 23h41

Libertação de reféns aumenta expectativa em torno de Ingrid Betancourt

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da Folha Online

A libertação de duas reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) aumenta a expectativa do fim do cativeiro da franco-colombiana Ingrid Betancourt.

AP
Foto de Betancourt divulgada pelas Farc; prova de vida é incentivo para libertação
Foto de Betancourt divulgada pelas Farc; expectativas de libertação aumentam

Ex-candidata à Presidência da Colômbia, Betancourt foi seqüestrada em 2002 na mesma ocasião que Clara Rojas, libertada nesta quinta-feira junto com a ex-congressista Consuelo González.

Betancourt completa no dia 23 de fevereiro seis anos em poder da guerrilha. "De Ingrid não tenho notícias há três anos", disse Rojas, após chegar ao aeroporto de Maiquetía, em Caracas.

"Acredito que Ingrid, com todas estas mensagens que recebeu em razão das provas de sobrevivência, vai recuperar seu ânimo e seu desejo de viver", assinalou Rojas, que ficou "francamente angustiada" com a aparência depressiva de Betancourt nas imagens exibidas no final de novembro passado.

"Ingrid, ânimo, espero vê-la em breve", disse Rojas, confiante que "ela está nos ouvindo".

Familiares

Muito "emocionada", a filha da ex-candidata presidencial Melanie Delloye disse que o "gesto de boa vontade" da guerrilha colombiana deve ser reconhecido pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, assim como "o sucesso da mediação" do governante venezuelano, Hugo Chávez.

"É uma nova esperança após tantos anos de imobilismo. Demonstra que as coisas mudam, que o retorno à vida é possível", acrescentou Melanie.

Marlene Bergamo/Folha Imagem
Yolanda Pulecio, mãe da ex-candidata à Presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, aguarda a libertação da filha, em foto de arquivo
Yolanda Pulecio, mãe da ex-candidata à Presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, aguarda a libertação da filha, em foto de arquivo

A mãe e a irmã de Betancourt, Yolanda Pulecio e Astrid Betancourt, respectivamente, comemoraram de "todo coração" o resgate.

As duas agradeceram os esforços feitos há seis anos pela comunidade internacional, em particular de França, Suíça e Espanha, para mediar o conflito colombiano.

Yolanda e Astrid também pediram à guerrilha que "continue na via das libertações humanitárias, demonstrando assim sua sincera vontade de resolver a situação dos reféns".

Em um ato em frente à prefeitura de Paris, o comitê de apoio a Ingrid Betancourt disse que a operação de resgate é uma prova de que a colaboração entre Chávez e Uribe é de uma eficácia "incontestável".

O porta-voz do comitê, Hervé Marro, afirmou que o resgate das duas reféns causou "uma explosão de alegria", mas só pontual, pois ainda restam outros 3.000 na floresta em poder da guerrilha.

"Queremos que estes esforços voltem a ser realizados para Ingrid e para o resto dos reféns", afirmou.

O marido de Betancourt, Juan Carlos Lecompte, pediu-lhe que mantenha a esperança. "Fiquei muito emocionado com as imagens que vi. Podia perceber que, de cara, era Ingrid que estava ali. Preciso lhe dizer que tenha força, que coma, porque estava muito fraca, que não perca as esperanças, porque, com a ajuda do presidente Chávez, ela pode estar de volta", disse Lecompte.

Segundo Lecompte, sua mulher conheceu o bebê de Clara Rojas, Emmanuel nascido em cativeiro. "Ela (Rojas) me disse que Ingrid fez roupinha para o menino, que cantava canções de ninar para ele em francês", comentou.

"Foi uma emoção muito grande, e esperamos que aconteça logo a libertação dos que ficaram lá. Pedimos a Chávez que continue com isso e que o governo colombiano recapacite e ponha a vida e a liberdade dos reféns acima de qualquer outra coisa", acrescentou.

"Esforços redobrados"

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que a "França se alegra profundamente" com a libertação das reféns e prometeu redobrar os esforços para conseguir que a guerrilha entregue Betancourt.

A operação demonstra que "as coisas se movimentam, que a mobilização produziu seus primeiros resultados", disse à imprensa Sarkozy, que agradeceu aos presidentes da Venezuela e da Colômbia e a "todos os que se preocupam com a situação dramática" dos reféns, especialmente Betancourt.

Howard Yanes/AP
Consuelo Gonzáles, libertada nesta quinta-feira, Maria Fernanda Perdomo, sua filha, e o presidente Chávez com o neto de Consuelo
Consuelo Gonzáles, libertada nesta quinta-feira, Maria Fernanda Perdomo, sua filha, e o presidente Chávez com o neto de Consuelo

"É um grande incentivo para perseverar" e "redobraremos os esforços para que o resto dos reféns retorne, em primeiro lugar Betancourt", disse o presidente francês.

O ex-marido de Betancourt Fabrice Delloye disse que a libertação demonstra que as divergências entre Chávez e o presidente colombiano, Álvaro Uribe, "diminuíram consideravelmente".

"Agora é preciso trabalhar bastante para que os outros reféns retornem", entre eles Ingrid, que "não se encontra em bom estado de saúde", afirmou Delloye à emissora France Info.

Ele pediu a Sarkozy e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que "façam de tudo para convencer ao mesmo tempo as Farc, Chávez e Uribe" para a necessidade de que o resto dos reféns seja solto.

Libertação

O avião com Rojas e González chegou nesta tarde a Caracas, onde as duas reencontraram familiares e estiveram com o presidente venezuelano. González estava em cativeiro desde 10 de setembro de 2001.

AP
Fotomontagem mostra as duas ex-reféns Consuelo Gonzalez (à esq.) e Clara Rojas
Fotomontagem mostra as duas ex-reféns Consuelo Gonzalez (à esq.) e Clara Rojas

A nova operação de resgate, que teve início às 6h do horário local [9h em Brasília], foi autorizada nesta quarta-feira pelo governo colombiano.

O anúncio da nova missão veio uma semana após o fracasso da operação anterior, planejada para resgatar Gonzáles, Rojas e seu filho Emmanuel.

No último dia 31, as Farc suspenderam a entrega dos reféns, sob alegação de que "atividades militares" colombianas próximas ao local do resgate impediram o processo.

Dias depois, porém, descobriu-se que a libertação não ocorreu porque o garoto Emmanuel não estava mais em poder da guerrilha.

A criança encontra-se sob custódia da Colômbia em um orfanato estatal em Bogotá.

Com France Presse, Efe e Reuters

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Comentários dos leitores
José Vitor (38) 15/10/2009 10h28
José Vitor (38) 15/10/2009 10h28
Título da Folha: "Farc ataca pequeno avião com 15 passageiros a bordo"
Texto da EFE: "Supostos guerrilheiros das Farc..."
Essa Folha de SP não presta mesmo...
sem opinião
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J. R. (1044) 07/10/2009 05h54
J. R. (1044) 07/10/2009 05h54
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Os Estados Unidos dão proteção a terroristas. A 33 anos Luis Posada Carriles foi o responsável pela bomba que derrubou o avião de passageiros de Cuba, matando 72 pessoas. Sistematicamente os USA tem se recusado a Cuba em extraditá-lo, mas agora é a Venezuela que faz coro à punição do terrorista. Isso lembra o episódio do líbio que a Escócia libertou recentemente, sob protestos dos USA, envolvido na explosão a bordo do avião da Lockerbie, que cumpriu a maior parte da sentença de 27 anos. A lei internacional que vale para os Estados Unidos não é a mesma lei internacional que eles aceitam para o mundo. Isso é prevaricação, viva o TPI, é o melhor que temos. Mesmo que eles não reconheçam seus terroristas, também terão que protegê-los em seu território, sabendo que não poderão sair de lá ou serão presos. Ficaria feliz em saber que algum dia o TPI condenará o neto de banqueiro da União Federal chamado George W. Bush, o açougueiro nazista.
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212 opiniões
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J. R. (1044) 04/10/2009 15h17
J. R. (1044) 04/10/2009 15h17
Lula lá 3° tempo, os votos estão garantidos, só falta remover o entulho da frente. Voto não faltará, a questão é conter os "revoltosos", apenas um "aumento" de salário resolve. 1 opinião
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