Consuelo González defende troca humanitária e solução negociada
da Efe, em Caracas
Consuelo González de Perdomo, a ex-congressista colombiana libertada junto com Clara Rojas após seis anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), defendeu em Caracas uma troca humanitária e uma solução negociada para o conflito em seu país.
"Continuo achando que a solução deve ser política, pela negociação", disse, na sua primeira entrevista coletiva desde quinta-feira, quando ela e Clara Rojas foram entregues a uma comissão enviada pela Venezuela.
Falando aos jornalistas, Consuelo González, acompanhada de suas duas filhas, se declarou determinada a promover ações a favor da troca humanitária e a trabalhar para "vincular o povo" ao esforço de paz. Ela revelou que voltará à Colômbia no próximo domingo.
A ex-congressista disse que a ação do presidente venezuelano, Hugo Chávez, "foi decisiva" para permitir que as duas recuperassem a liberdade. E falou sobre a primeira tentativa de resgate, no fim de 2007.
"No dia 30 de dezembro tínhamos certeza de que nos libertariam no dia seguinte. Indiscutivelmente houve operações militares na região onde seríamos soltas, o que não permitiu a nossa chegada ao local", afirmou.
Sobre o pedido de Chávez para que os Governos deixem de considerar as Farc como um grupo terrorista, a ex-congressista disse que "qualquer ação que permita avançar na busca da paz e da troca humanitária é válida".
González observou que não ouviu diretamente o discurso do presidente venezuelano e por isso não tinha critérios para comentar a proposta. "Mas se com isso pudermos atingir a paz, seria preciso analisar a idéia muito profundamente", ressaltou.
A política colombiana confirmou que na quinta-feira o chefe do grupo de guerrilheiros que a levou durante 18 dias pela selva até o local da libertação entregou fotos e cartas de oito reféns que tinham sido seus companheiros de cativeiro.
Depois de afirmar que teve "seis anos de vida suspensa", a ex-congressista disse que "não há como medir a felicidade" do momento que vive. Ela agora quer "começar a aproveitar o tempo" ao lado de sua família, e reafirmou seu "compromisso" com a troca humanitária.
González ressaltou que quer "convocar" todas as instâncias em seu país e em todos os países democráticos a favor de uma "ação coletiva".
Ela garantiu que nunca pensou no suicídio durante o cativeiro. Mas entrou "muitas vezes em estado de depressão profunda". E sentiu uma "imensa tristeza" quando recebeu a notícia da morte de seu esposo.
"Não posso me desgastar alimentando um ódio", disse também, ao comentar o que sofreu nos anos de cativeiro.
"O simples fato de privar de liberdade uma pessoa é censurável", ressaltou, antes de acrescentar que não sofreu tortura física, mas viu seus companheiros de cativeiro acorrentados.
"Ver os companheiros dessa forma, amarrados a um pau na hora de dormir, nos afetava muito", disse.
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