Família real japonesa chegou ao poder no século 6 a.C; saiba mais
da Folha Online
Mais antiga monarquia hereditária do mundo, a família real japonesa chegou ao poder no século 6 a.C. O título de imperador ou de soberano sagrado, porém, passou a ser usado pelos governantes apenas entre os séculos 6 e 7.
De acordo com a mitologia do Japão, a deusa do Sol presenteou o neto com os três tesouros sagrados representados por um espelho, uma espada e uma jóia --símbolos da legitimidade e da autoridade do imperador. Os presentes foram passados aos descendentes --o primeiro foi o imperador Jimmu, que ascendeu em 11 de fevereiro de 660 a.C.
| 8.12.2001/Reuters |
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| O príncipe herdeiro do trono do Japão, Naruhito, que vem ao Brasil |
Desde Jimmu, a Casa Imperial do Japão reconhece a existência de 125 monarcas legítimos. Muitos historiadores, porém, consideram os 14 primeiros imperadores -- de Jimmu a Chuai-- apenas como figuras míticas pois, inicialmente, acreditava-se que os imperadores possuíam poderes mágicos e pudessem conversar com os deuses. Na época, eles não participavam do cotidiano do país, do qual se ocupavam ministros e assessores.
Uma exceção ocorreu entre os séculos 7 e 8, quando vários imperadores tentaram fazer com que os clãs regionais se submetessem ao controle do Império central.
Durante o período Nara (710 a 794), o príncipe Shotoku, filho da imperatriz Suiko, criou a primeira Constituição japonesa e estabeleceu o budismo com a religião dominante no país.
No início da época Heian (794 a 1185), o imperador Kammu estabeleceu a capital em Kyoto. O município manteve o título de capital imperial durante 1.074 anos, quando o tronou foi para Tóquio --então chamada Edo--, em 1868.
Por cerca de 700 anos, o Japão foi então governado por uma sucessão de senhores da guerra chamados shoguns. No início do período Edo (1.600 a 1.868), o Império readquire parte do prestígio, mas não o poder. Neste período, o clã Tokugawa estabelece seu poder em Edo (atual Tóquio), enquanto a corte imperial permanece em Kyoto e cumpre suas tarefas, principalmente rituais religiosos.
Em meados do século 19, a residência oficial do imperador passa a ser o Palácio de Kokyo, no centro de Tóquio.
Símbolo do Estado
Com o final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o imperador deixa de ser considerado um ser divino e passa a ser visto como símbolo do Estado.
Depois da derrota japonesa, as forças de ocupação implementam reformas radicais no governo e no sistema imperial. Sob uma nova Constituição, o imperador é descrito como 'símbolo do Estado e da união do povo, devendo sua posição à vontade da população'. O papel dele passa a ser simbólico, e as funções ficam sujeitas à aprovação do governo.
Neste período pós-guerra, esforços são feitos para aproximar a família imperial dos japoneses.
Sucessão controversa
Existe atualmente, no Japão, uma discussão sobre a lei de sucessão. Originalmente, a lei --datada de 1947-- prevê a ascensão apenas de primogênitos homens. Na história, porém, existem registros da ascensão de oito mulheres ao trono. O debate atual está fundamentado no fato de que o príncipe herdeiro Naruhito é pai de uma única filha.
Ele e sua mulher, a princesa Masako, são pais de Aiko, nascida em 1º de dezembro de 2001. O casal teve a menina oito anos após o casamento, devido a problemas de fertilidade.
Os príncipe Tomohito de Mikasa e Takamado, primos do imperador Akihito, também tiveram apenas filhas. Nenhum membro homem nasceu na família imperial por cerca de 41 anos. O irmão de Naruhito, o príncipe Akishino, também teve, a princípio, duas filhas. Sua mulher, a princesa Kiko, deu à luz um garoto em setembro de 2006. A criança, o príncipe Hisahito, é agora o terceiro na sucessão do trono imperial.
Fonte: Agência Real Japonesa (http://www.kunaicho.go.jp)
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