Mundo
14/01/2008 - 22h40

González volta a Bogotá pedindo a libertação dos outros reféns

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da Folha Online

A ex-congressista colombiana Consuelo González de Perdomo, libertada na semana passada pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), viajou nesta segunda-feira de volta a seu país com o compromisso de lutar para conseguir a libertação de quem ainda continua seqüestrado pela guerrilha.

Acompanhada de suas duas filhas e outros familiares, González partiu de Caracas na tarde desta segunda a bordo de um avião Falcon do governo venezuelano, um dia depois do retorno a Bogotá de Clara Rojas, a outra refém entregue pelas Farc a uma comissão venezuelana no dia 10 de janeiro.

Efe
Consuelo Gonzáles, ex-refém das Farc, volta à Colômbia pedindo por ação conjunta entre Bogotá e Caracas por libertação de cativos
Consuelo Gonzáles, ex-refém das Farc, volta à Colômbia pedindo por ação conjunta entre Bogotá e Caracas por libertação de cativos

Em breves declarações à imprensa no aeroporto de Caracas, González agradeceu aos venezuelanos as "mostras de solidariedade" e se declarou comprometida em trabalhar para que se consiga a liberdade dos demais seqüestrados pelas Farc.

As Farc pretendem trocar 44 seqüestrados, entre eles políticos, policiais, militares e estrangeiros, por cerca de 500 guerrilheiros presos.

Segundo o governo colombiano, além desses seqüestrados com fins de troca, as Farc têm cerca de 700 cativos por motivos econômicos.

A ex-parlamentar, que vestia uma camiseta com o lema "Liberdade para todos já" considerou que seria "altamente positiva" uma ação conjunta dos presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e Venezuela, Hugo Chávez, para conseguir essas libertações.

Gonzáles também defendeu um trabalho permanente de venezuelanos e colombianos para conseguir a troca humanitária

A ex-refém, que leva as provas de vida de oito reféns enviadas pelas Farc para entregar aos parentes dos seqüestrados, disse nesta segunda à emissora colombiana Caracol Radio, que tem um compromisso inevitável com seus companheiros ainda cativos.

A ex-congressista, que permaneceu na Venezuela desde o dia 10 de janeiro, reiterou, como já o anunciou na sexta-feira passada, que convocava às instâncias de seu país para que se concretize "uma estratégia" que leve o governo e as Farc a um acordo humanitário.

"Alô Presidente"

No domingo, González, liberada após um cativeiro de mais de seis anos, pediu a Chávez em seu programa televisivo "Alô Presidente" que interceda perante as Farc para que cessem os seqüestros.

"Presidente Chávez, se em alguma oportunidade o senhor puder entabular uma conversa com os porta-vozes das Farc, tente fazer-lhes entender que em uma luta revolucionária, que deve ter como propósito central o homem, não se cometem atos como o seqüestro, porque atentam contra a dignidade humana e toda a possibilidade de instaurar uma democracia na região", disse.

Harold Escalona/Efe
O presidente da Venezuela diz estar "às ordens da Colômbia, do governo, da guerrilha"
O presidente da Venezuela diz estar "às ordens da Colômbia, do governo, da guerrilha"

"Na Colômbia já estamos cansados de pagar com vidas humanas e com sangue humano os interesses de alguns que não são a maioria", acrescentou González, ao que Chávez respondeu: "As Farc devem tomar em conta estas palavras, o apelo de Consuelo, ao qual eu me somo".

O presidente venezuelano, que reiterou ontem sua proposta de dar um status de beligerante às Farc e tirar delas o qualificativo de terroristas, pediu à ex-congressista que leve "uma saudação" a Uribe de sua parte.

"Não tema em buscar a libertação de todos, eu estou às ordens da Colômbia, do governo, da guerrilha", afirmou Chávez, cuja proposta de retirar as Farc da lista de organizações terroristas suscitou críticas e a rejeição do governo colombiano, assim como a negativa dos EUA e da União Européia (UE).

Dois dias antes, ao discursar perante a Assembléia Nacional venezuelana, onde apresentou seu relatório de gestão, Chávez formulou seu pedido a favor de um reconhecimento internacional das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN) como forças beligerantes, que levantou reações contrárias da oposição venezuelana.

Timoteo Zambrano, responsável de Assuntos Internacionais do partido Um Novo Tempo considerou que o presidente "transita pelo caminho de abrir um escritório das Farc e do ELN na Venezuela, toda vez que lhes dá status político e reconhecimento".

Reencontro

No domingo, a advogada Clara Rojas, libertada na semana passada pela guerrilha colombiana junto com Gonzáles, retornou a Bogotá.

Após voltar para a Colômbia, Rojas pode rever seu filho Emmanuel, 3, depois de três anos de separação. "Eu me sinto a mulher mais feliz do mundo e mais orgulhosa com o meu bebê. Ele está divino, tem um olhar lindo", disse ela, emocionada.

As cenas do reencontro --em local não identificado em Bogotá-- foram divulgadas em vídeo pelo Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF).

Reuters
Ex-refém das Farc Clara Rojas abraça filho Emmanuel após 3 anos de separação
Ex-refém das Farc Clara Rojas abraça filho Emmanuel após 3 anos de separação

A diretora do ICBF, Elvira Forero, explicou que Rojas e Emmanuel passarão por "sessões de conhecimento" para que o menino forme vínculos com a família e tenha a "qualidade de vida que merece". A custódia do garoto foi concedida a ela provisoriamente, até que os trâmites para a guarda permanente se encerrem, provavelmente no prazo de duas semanas.

A ex-refém voltou a pedir compreensão dos meios de comunicação e de todo o mundo.

"Venho em um processo forte de esgotamento. Então, quero pedir para ficar tranqüila", afirmou. Ela disse que sua mãe, Clara González de Rojas, Emmanuel e ela própria passarão por tratamentos médicos, e precisam descansar 'uns dias, semanas ou meses'.

Mais uma vez, Rojas agradeceu a "todos os concidadãos, compatriotas e amigos do mundo" pelo bem que fizeram a ela e a seu filho.

Seqüelas

Emmanuel ainda sofre seqüelas de seu tempo em cativeiro. Uma fratura em um braço durante o nascimento ainda o impede de fechar a mão. Emmanuel sofreria ainda problemas psicomotores. Ele foi entregue a um orfanato com malária, leishmaniose e diarréia aguda.

O garoto é fruto de uma relação consentida entre Rojas e o guerrilheiro Juan David, de quem Rojas não tem mais notícias.

As Farc decidiram separar o garoto da mãe poucas semanas após o nascimento. De acordo com a guerrilha, em comunicado recente, Emmanuel não "poderia crescer em meio às operações bélicas, dos combates e das contingências da selva".

No princípio de 2005, os guerrilheiros deixaram Emmanuel sob os cuidados do camponês José Crisantemo Gómez Tovar, que o levou para tratamento médico em um posto de saúde. Porém, devido às evidências de maus tratos, Emmanuel foi levado ao ICBF e passou à guarda do Estado.

Libertação

No dia 18 de dezembro, as Farc anunciaram que libertariam Rojas, Emmanuel e a ex-congressista Consuelo González como "ato de desagravo" a Chávez, afastado das mediações entre a guerrilha e o governo da Colômbia pelo presidente Uribe.

A operação, no entanto, não foi bem-sucedida porque o garoto não estava mais com a guerrilha, como o governo colombiano revelou.

Uma segunda operação conduzida pela Venezuela resgatou Rojas e González na última quinta-feira (10). Elas estavam em poder das Farc havia mais de cinco anos.

Com France Presse, Efe e Reuters

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