Mundo
15/01/2008 - 14h22

Betancourt teve de ser transportada em redes pela selva

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da Folha Online

A ex-presidenciável colombiana Ingrid Betancourt, em poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) há mais de cinco anos, teve de ser transportada em uma rede durante longas caminhadas pela selva, por conta de problemas de saúde, afirmou um militar seqüestrado, em carta à sua família.

"Íamos ficando doentes. Assim aconteceu comigo, com Alan [Alan Jara, político], com o Murillo [capitão de polícia Enrique Murillo] e com Ingrid. Nos transportavam em redes. Em uma ocasião pude conversar com Ingrid, estava assim. Depois nos separaram", informou o coronel Luis Mendieta.

Na carta, entregue a seus familiares pela ex-refém Consuelo González, libertada na última quinta-feira (10), Mendieta narrou as condições no cativeiro.

"Não é a dor física que me detém, ou as correntes no meu pescoço que me atormentam. É a agonia mental, a maldade e a indiferença do bem, como se nada valêssemos, como se não existíssemos", disse Mendieta na carta divulgada pela rádio Caracol.

O oficial foi seqüestrado pelas Farc no dia 1º de novembro de 1998, durante uma operação armada na localidade de Mitú, no departamento de Vaupis (sudeste).

Segundo sua esposa, María Teresa, as últimas provas de vida de Mendieta datam de agosto de 2003.

González também entregou cartas e fotografias do ex-governador do departamento de Meta Alan Jara, dos ex-deputados Jorge Eduardo Gechem e Gloria Polanco e Orlando Beltrán, e de quatro oficiais e suboficiais do Exército e da polícia.

Desperdício lúgubre

A ex-candidata a presidente da Colômbia foi seqüestrada em fevereiro de 2002, com sua então assessora de campanha Clara Rojas, libertada na última semana.

Antes da carta de Mendieta, o governo colombiano havia apreendido, no final de novembro, provas de vida de 17 reféns, inclusive dela.

Uma carta enviada à sua família provocou forte comoção. Nela, Betancourt afirma que não tem apetite e seu cabelo cai em demasia.

"A vida aqui não é vida, é um desperdício lúgubre de tempo. Vivo e sobrevivo em uma rede estendida entre dois troncos, coberta com um mosquiteiro, com uma manta como teto", escreveu Betancourt.

Com France Presse

 

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