Mãe de Betancourt diz que Uribe não quer diálogo e que "Chávez é a esperança"
da Folha Online
Yolanda Pulecio, mãe da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), disse nesta terça-feira em Caracas que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, não quer o diálogo, e que o governante da Venezuela, Hugo Chávez, é a esperança e a solução para a crise.
"O presidente colombiano não quer o diálogo, e eu acho que o mais importante para uma pessoa é que tenha sensibilidade para lidar com um problema tão grave como o que estamos vivendo na Colômbia", declarou Pulecio aos jornalistas.
| Jose Miguel Gomez/Reuters |
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| Yolanda Pulecio e o prefeito de Bogotá, Samuel Moreno, participam de manifestação na capital por um acordo humanitário com as Farc |
A mãe da seqüestrada pediu aos meios de comunicação que encontrem uma forma de fazer o governo dialogar com os guerrilheiros.
Pulecio se mostrou surpresa com as revelações de outro refém das Farc, que disse que Ingrid Betancourt teria sido transportada diversas vezes em uma rede, devido a problemas de saúde.
"Não sabia, não sabia", respondeu, aflita, aos jornalistas venezuelanos que lhe revelaram o que o coronel da polícia colombiana Luis Mendieta, seqüestrado pelas Farc há mais de nove anos, contou em uma carta divulgada nesta terça.
A carta é uma das provas de vida de seqüestrados entregues à ex-congressista colombiana Consuelo González, que foi libertada na quinta-feira passada junto de Clara Rojas, ex-assessora de Betancourt, candidata à Presidência na época do seqüestro.
Rojas e Betancourt foram seqüestradas juntas em fevereiro de 2002, quando estavam em campanha em região controlada pela guerrilha.
As duas libertações, segundo Pulecio, foram "terrivelmente emocionantes".
"Fiquei tão feliz em vê-las livres (...) e ao mesmo tempo pensei nas condições em que está minha filha e outras mulheres seqüestradas", acrescentou.
| AP |
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| Foto de Betancourt divulgada pelas Farc; estado de saúde da refém é precário |
A mãe de Betancourt voltou a afirmar que Uribe terá de encontrar uma maneira de dialogar com a guerrilha, porque é grande a pressão internacional para buscar a paz da Colômbia.
Em relação às Farc, Pulecio afirmou que "o mundo não pode entender coisas como o seqüestro e o ataque a locais onde há civis".
"É claro que a guerrilha diz que são lugares onde estão militares, mas isso não quer dizer que, próximo a um quartel, não haja civis inocentes morrendo em uma guerra monstruosa", declarou.
Yolanda Pulecio afirmou que todos devem trabalhar contra a guerra, e acrescentou que Hugo Chávez "é sua esperança".
A mãe de Betancourt disse que participará de uma reunião em Caracas, esta semana, com o presidente venezuelano e com um grupo de deputados italianos.
"São deputados italianos de todas as tendências políticas, mas que acima de valores políticos, têm os valores da liberdade e da vida, e isso é o que desejamos que exista na Colômbia", afirmou.
Com France Presse e Efe
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