Chávez se defende contra acusação de funcionário americano
da Efe, em Caracas
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, respondeu neste domingo a um funcionário dos Estados Unidos que o acusou de facilitar o tráfico de drogas, e disse que ainda que ele lute pela paz, as pessoas acusam-no de ser uma ameaça.
Em seu programa dominical de rádio e televisão "Alô, Presidente!", ele afirmou que acusam-no de ser uma ameaça.
A começar pelo "chefe do império que está bombardeando o Iraque e que tem bombas atômicas para acabar com meio mundo, mas tudo bem, a vida é assim, alguém que luta pela paz é acusado de ser uma ameaça e de querer acabar com o mundo", criticou.
O chefe de Estado venezuelano se referiu às declarações publicadas hoje pela imprensa local e atribuídas ao chefe do serviço antidrogas americano, John Walters.
Ele teria dito que chegou "a hora de encarar o fato de que o presidente Chávez está se transformando em um grande facilitador do tráfico de cocaína para a Europa e outras partes do hemisfério".
O "alto funcionário do Governo dos Estados Unidos disse que eu sou traficante de drogas e isso está sendo repetido por todo o mundo, como parte de uma campanha de nível internacional contra mim, mas que não é contra a minha pessoa, mas contra a Venezuela, contra a revolução e contra o povo venezuelano", acrescentou Chávez.
O mais forte pronunciamento
Alguns analistas venezuelanos concordaram em que a declaração de Walters foi "o mais forte pronunciamento de um funcionário do Governo de Washington contra Chávez".
A Venezuela surgiu pelo terceiro ano consecutivo na lista do Departamento de Estado americano de países que "fracassaram" em 2007 na batalha antidrogas.
"Isto é perigoso para a Venezuela, para a Colômbia, para os Estados Unidos. Cada vez mais é reconhecido como perigoso para os europeus e tem que ser solucionado. É difícil entender por que o presidente Chávez não dirige seu Governo para tomar atitudes básicas para combater esta ameaça", afirmou Walters.
As apreensões de droga na Venezuela caíram para 57,5 toneladas em 2007, uma redução de 12,5 toneladas frente a 2006, disse na última sexta-feira o Escritório Nacional Antidrogas (ONA) venezuelano.
"É importante destacar o desmantelamento de 13 laboratórios em 2007. Esse fato significou um golpe à produção da cocaína", destacou o chefe da ONA, coronel Néstor Reverol.
Cartéis
O desmantelamento desses laboratórios em áreas rurais próximas à Colômbia, com uma capacidade total para processar cerca de uma tonelada de cocaína por mês, refletiu em que os cartéis não utilizam mais a Venezuela só como país de passagem de entorpecentes, especialmente de cocaína, destacou Reverol.
Foram descobertos dez laboratórios no estado de Táchira e outros três no estado de Zulia. Eles eram usados para processar "folha de coca importada da Colômbia", depois tratada com produtos químicos desviados de empresas venezuelanas.
Além das apreensões e da destruição de laboratórios, Reverol destacou a detenção de 4.150 pessoas durante o ano passado. Ele disse que, do total, quase 400 são estrangeiras.
Tudo isso torna "difícil determinar se aumentou ou diminuiu" a incidência do tráfico de drogas, afirmou ele.
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