Ditador do Paquistão diz que UE deve ajudar em vez de criticar
da France Presse, em Bruxelas
O ditador do Paquistão, Pervez Musharraf, rejeitou nesta segunda-feira as críticas contra seu regime, assim como qualquer envolvimento no assassinato da líder da oposição Benazir Bhutto, e pediu que a União Européia o "ajude em vez de criticar", na luta contra o terrorismo.
"Eu não sou o doutor Jekyll e mister Hyde [personagens do livro 'O Médico e o Monstro' de Robert Louis Stevenson]", declarou Musharraf para eurodeputados em Bruxelas.
"Sigo sendo o mesmo que em 1999", afirmou, ao se referir ao ano em que tomou o poder mediante um golpe de Estado. O mandatário afirmou que foi por uma "situação extraordinária" que se viu obrigado a impor o estado de emergência em novembro e "suspender" o processo de democratização que havia iniciado.
O ditador paquistanês rejeitou, além disso, qualquer envolvimento dos serviços de inteligência paquistaneses no assassinato da ex-premiê Benazir Bhutto, no dia 27 de dezembro, afirmando novamente que a líder opositora havia sido "imprudente" ao se debruçar de seu veículo para saudar a multidão durante um encontro eleitoral.
"Nunca tivemos assassinatos de opositores no passado e não teremos mais no futuro", acrescentou.
Musharraf também negou qualquer tipo de colaboração entre os serviços de segurança paquistaneses e os combatentes do Taleban [milícia que controlava 90% do Afeganistão até a invasão da coalizão liderada pelos EUA em 2001] que utilizam o norte do Paquistão como base para atacar as forças da OTAN no Afeganistão.
O mandatário afirmou que era a "desesperança' desses combatentes, perseguidos pelas forças paquistanesas, que os levava a organizar atentados no Paquistão.
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