Presidente da Colômbia discute troca humanitária com membros da UE
da Folha Online
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, chegou nesta segunda-feira a Bruxelas, onde nesta terça tratará com responsáveis da União Européia (UE) sobre uma possível troca humanitária que possibilite a libertação de seqüestrados pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
Uribe, que chegou a Bruxelas vindo da França, dá continuidade na capital belga a sua viagem pela Europa, que prevê ainda visita à Espanha, a partir desta terça à noite.
O líder colombiano se reunirá com Javier Solana, Alto Representante da União Européia para Política Externa e Segurança Comum, e com o presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso.
| Vladimir Sichov/Efe |
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| O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe,(dir.), encontra-se com o ex-marido e com o filho de Ingrid Betancourt, refém das Farc |
Uribe e Solana tratarão sobre os últimos acontecimentos na Colômbia, especialmente "uma possível troca humanitária", assim como as relações Bogotá-UE e as negociações em andamento para um acordo de associação entre os europeus e a Comunidade Andina de Nações (CAN), segundo comunicado divulgado pela assessoria do dirigente europeu.
Fontes diplomáticas colombianas disseram esperar que a UE ratifique seu apoio à luta de Bogotá contra o terrorismo, e que as iniciativas do país sul-americano no combate a seqüestros sejam destacadas, assim como a recente aceitação da criação de uma "zona de encontro" para que pudesse ser buscado um acordo humanitário, com a mediação de emissários de França, Espanha e Suíça.
O acordo com a guerrilha prevê a soltura de aproximadamente 45 reféns por 500 guerrilheiros presos.
Um dos objetivos de Uribe é fazer com que a UE saiba que a Colômbia "mantém-se firme em questões de segurança e está aberta a um acordo humanitário que permita a libertação dos seqüestrados", afirmaram à agência de notícias Efe fontes da delegação presidencial colombiana, após sua chegada a Bruxelas.
As fontes acrescentaram que também querem que se entenda que as guerrilhas das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN), assim como os agrupamentos paramilitares, são "grupos terroristas" e que o governo de Bogotá "sempre" tentou conseguir a libertação incondicional dos seqüestrados.
Sendo assim, os membros do governo colombiano afirmaram que esperam receber apoio da UE para obter essa libertação e nos esforços na luta contra o terrorismo.
As autoridades colombianas calculam que as Farc mantêm atualmente cerca de 750 pessoas seqüestradas.
Sarkozy
Uribe recebeu nesta segunda o apoio de seu colega francês, Nicolas Sarkozy, à mediação da igreja nas negociações com a guerrilha.
Sarkozy pediu a Uribe que facilite a libertação de mais seqüestrados, como fez para a recente soltura de Clara Rojas e de Consuelo González de Perdomo, na qual também interveio o governo da Venezuela.
Além disso, o presidente francês exigiu "garantias de autonomia e de margens de discussão" aos trabalhos de "facilitação" promovidos por França, Espanha e Suíça, cuja reativação foi anunciada por Uribe às vésperas de sua atual viagem à Europa.
No encontro de quase uma hora que os dois presidentes tiveram nesta segunda em Paris, iniciado após um abraço trocado na frente das câmeras, o principal assunto foram as possíveis formas de se conseguir a libertação dos reféns das Farc, especialmente a da colombiana Ingrid Betancourt, que também tem cidadania francesa.
A França foi o primeiro destino da viagem que Uribe faz pela Europa para conseguir apoio contra as Farc e contra a iniciativa de seu colega venezuelano, Hugo Chávez, para que a guerrilha seja reconhecida como um Exército.
Sarkozy disse a Uribe que, se depender da França, as Farc continuarão na lista européia de grupos terroristas e que tal classificação só poderá ser revista quando o grupo mudar sua tática de atuação.
O chefe de Estado francês, que fez da libertação de Betancourt uma prioridade desde sua chegada ao Palácio do Eliseu em maio do ano passado, pediu a Uribe que considere qualquer cooperação "útil" que permita a soltura dos reféns doentes e de sexo feminino mantidos pelas Farc.
Após agradecer Uribe por ter ajudado na recente libertação de Rojas e González de Perdomo, Sarkozy encorajou o colega a seguir no mesmo caminho e a "facilitar" novas liberações, disse um porta-voz do Palácio do Eliseu.
Na entrevista coletiva após a reunião, ao ser perguntado sobre uma possível intermediação de Chávez em futuras libertações, Uribe disse que "as únicas instâncias negociadoras hoje" são, "exclusivamente", a igreja colombiana e "os dois representantes dos três países europeus" (França, Espanha e Suíça).
No entanto, o colombiano declarou que se mantém "disposto a dar boas-vindas e a contribuir para qualquer libertação unilateral e incondicional que as Farc queiram fazer (...) ao presidente da Venezuela".
Em relação ao espaço para manobras que os emissários europeus terão, o presidente colombiano lembrou que eles, "no passado, sempre tiveram facilidades e a permissão do governo" de Bogotá para suas missões na selva. Além disso, assegurou que "agora terão todas as garantias".
Uribe também frisou a importância de os europeus "trabalharem articuladamente com a igreja", que propôs uma zona de encontro --numa localidade rural despovoada e sem quartéis da polícia ou do Exército-- para a negociação da troca de reféns por cerca de guerrilheiros presos.
"Estamos dispostos a um acordo humanitário", disse Uribe, que ressaltou que seu governo teria que examinar, atendendo "ao marco jurídico", a lista de guerrilheiros proposta pelas Farc.
Neste domingo à noite, a guerrilha negou que já haja contatos com a igreja e, para a viabilização dessa negociação, voltou a pedir a desmilitarização das localidades de Pradera e Florida.
Questionado sobre a sugestão feita por familiares de Betancourt, com os quais se reuniu no domingo à noite em Paris e que propuseram o envio de uma força internacional de interposição à futura zona de encontro, Uribe disse nesta segunda que a aceitaria se fosse necessário.
O presidente colombiano se mostrou satisfeito com o encontro, cheio de "confiança, franqueza e espírito construtivo", que teve com Sarkozy, que deu um "grande respaldo" à sua política de "segurança e democracia".
Sarkozy "disse que o relógio da França e o da Colômbia estão perfeitamente sincronizados", declarou Uribe à imprensa.
O presidente colombiano insistiu na necessidade de uma missão médica internacional dar assistência imediata aos reféns na selva, iniciativa descartada pelas Farc no domingo à noite.
Com France Presse e Efe
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