Mundo
23/01/2008 - 21h31

Ex-refém Consuelo González lidera marcha contra seqüestros na Colômbia

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da Folha Online

A ex-congressista colombiana Consuelo González de Perdomo, liberada em 10 de janeiro após seis anos em poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), liderou nesta quarta-feira uma marcha de 5 mil pessoas, segundo a agência Efe, em protesto contra os seqüestros em Neiva, capital do Departamento de Huila.

A manifestação durou cerca de duas horas e, após percorrer as ruas de Neiva, terminou com uma missa na catedral da cidade, situada a 400 quilômetros ao sul de Bogotá. O evento contou com a participação do ministro do Interior e Justiça colombiano, Carlos Holguín Sardi.

Efe
Manifestantes participam da marcha contra os seqüestros realizados pela guerrilha
Manifestantes participam da marcha contra os seqüestros realizados pela guerrilha

González de Perdomo, seqüestrada pelas Farc em 10 de setembro de 2001, foi entregue a uma comissão do Comitê Internacional da Cruz Vermelha perante delegados da Venezuela, assim como a advogada Clara Rojas, que estava em cativeiro desde 2002.

Durante o protesto, seis policiais simularam ser reféns, e o público exibiu cartazes pedindo a libertação dos seqüestrados.

González de Perdomo, ex-integrante da Câmara de Representantes colombiana, reiterou que não descansará até que seus companheiros de cativeiro sejam libertados.

Por sua vez, o ministro Holguin Sardi disse que o governo entende "a dor dos parentes dos seqüestrados".

"Mas aqui as soluções possíveis são apenas duas: ou permitem a missão médica ou os libertam", disse.

O governo, os congressistas e organismos humanitários já pediram várias vezes às Farc que permitam que missões médicas visitem os seqüestrados para verificar seu estado de saúde, mas o movimento insurgente vem rejeitando essa possibilidade.

Reuters
Manifestantes em marcha pelo fim dos seqüestros se acorrentam, em alusão a tratamento dado aos homens reféns das Farc
Manifestantes em marcha pelo fim dos seqüestros se acorrentam, em alusão a tratamento dado aos homens reféns das Farc

Clara Rojas, libertada junto com Gonzáles de Perdomo, cancelou o discurso que deveria fazer nesta quarta no 4º Congresso Internacional de Vítimas do Terrorismo, realizado em Madri.

Fontes da organização do congresso disseram que Rojas cancelou sua participação "porque estava esgotada", após a viagem de Bogotá a Madri e as intensas jornadas da segunda e terça-feira.

As mesmas fontes disseram que o primeiro dia do fórum, que reúne em Madri mais de 400 vítimas do terrorismo, foi muito longo, terminou com várias horas de atraso e Clara Rojas tinha a voz rouca.

No lugar de Rojas, discursou Clara González --mãe de Rojas-- na mesa de vítimas desse país.

Farc

O segundo nome na hierarquia das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes, afirmou que a guerrilha deve ser vista como "Estado em formação" e força "beligerante", porque governos colombianos anteriores assim a reconheceu.

"As Farc são uma força beligerante reconhecida por governos anteriores da Colômbia e do mundo", declarou Reyes à revista comunista "Voz", que enviou um questionário via internet.

Reyes comentou assim a proposta do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de reconhecer status político aos rebeldes das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN) e retirar o qualificativo de terroristas atribuído pelos Estados Unidos e a União Européia (UE).

"É inquestionável a gestação do novo Estado Bolivariano, socialista, nas Farc", acrescentou.

O presidente colombiano, Alvaro Uribe, rejeitou a iniciativa de Chávez, assim como Washington e a UE.

Reyes destacou que as Farc são uma "organização político-militar, com propostas sociais, econômicas e políticas para a paz dos afetados pelo neoliberalismo".

Ele reiterou que a troca de 40 reféns civis e militares por 500 prisioneiros das Farc
depende da "imediata desmilitarização" dos municípios de Pradera e Florida (sul da Colômbia).

Com France Presse e Efe

 

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