Democratas pedem a Bush consulta sobre Iraque e fechamento de Guantánamo
da Efe, em Washington
Os democratas do Congresso dos Estados Unidos exigiram nesta sexta-feira que o presidente George W. Bush realize consultas sobre a permanência das tropas americanas no Iraque, o fechamento da base de Guantánamo e o fim do uso da asfixia simulada em detidos.
A presidente da Câmara de Representantes americana, Nancy Pelosi, e o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, insistiram em um discurso conjunto que a obsessão com o Iraque desviou a atenção de diversas prioridades nacionais.
Como a cada ano desde o início da Presidência de Bush, a oposição democrata se antecipa ao discurso sobre o "Estado da União" que, por lei, o chefe de Estado tem que pronunciar perante ambas as câmaras legislativas no final de janeiro.
A idéia dos democratas não só é promover sua agenda de "mudança" --com a qual retomaram o controle do Congresso em 2006--, mas também dar uma espécie de "golpe midiático" às conquistas que Bush pretenda anunciar no discurso, segundo observadores.
Reid insistiu em que os Estados Unidos devem dar prioridade à diplomacia e resgatar sua "liderança moral" no mundo, o que, segundo ele, se perdeu no miasma da guerra do Iraque.
Exigências
O líder democrata recomendou que Bush, durante seu discurso, reitere que os Estados Unidos "não torturam", renuncie ao uso da asfixia simulada contra detidos e "se comprometa finalmente no fechamento" da base americana em Guantánamo (Cuba), onde permanecem mais de 300 suspeitos de terrorismo.
Reid destacou que o conflito no Iraque custou milhões de dólares e causou a morte de quase 4 mil soldados americanos, mas "a missão não foi cumprida" e o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, continua solto.
Também advertiu de que o Executivo tem que realizar consultas com o Congresso sobre qualquer plano que implique uma presença militar prolongada dos Estados Unidos no Iraque.
Já Pelosi enumerou a série de medidas que tiveram apoio bipartidário, mas que, em sua opinião, "foram ofuscadas pela guerra do Iraque, porque o presidente não quer ver a realidade desta guerra sem fim".
No discurso de segunda-feira Bush deve destacar as conquistas de sua Presidência em assuntos relacionados com a luta antiterrorista, o processo de paz no Oriente Médio e o crescimento econômico no país.
Reformas
A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, delineou hoje os parâmetros do discurso presidencial e reiterou a acusação de que o Congresso, sob controle democrata, "não pôde ou não teve a vontade" de avançar em assuntos como a reforma migratória ou a da Previdência Social.
"Não é realista esperar que o Congresso vá retomar esses grandes problemas este ano", disse Perino, destacando a liderança de Bush nestas questões.
Tanto Reid como Pelosi reconheceram hoje que, entre as eleições gerais e uma acirrada agenda legislativa, não se alcançará este ano uma reforma migratória que fortaleça a segurança fronteiriça e reconheça, ao mesmo tempo, as contribuições dos imigrantes ao tecido social e econômico do país.
"Acho que será muito difícil conseguir uma reforma migratória integral em 2008", disse Reid, ao destacar os fracassados esforços do Senado em conseguir um acordo de legalização no ano passado.
Apesar disso, o democrata ressaltou que o fracasso da reforma no ano passado se deveu à intransigência de alguns republicanos que "querem construir muros mais altos e mais compridos, e promovem medidas punitivas que são muito míopes".
Pelosi e Reid reiteraram as promessas de "um novo rumo" na política externa e econômica dos Estados Unidos que, em suas opiniões, só serão cumpridas com a chegada de um candidato democrata à Casa Branca.
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