Mundo
26/01/2008 - 08h27

Prévia deste sábado faz democratas baixarem nível

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DANIEL BERGAMASCO
da Folha de S.Paulo, em Nova York

Na semana da última primária democrata com valor eleitoral antes da Superterça --quando mais de 20 Estados americanos escolherão seus candidatos à Presidência--, a Carolina do Sul assistiu à troca de farpas mais afiadas não só entre os rivais Hillary Clinton e Barack Obama, mas também dos candidatos a primeira-dama e primeiro-marido pelo partido Michelle Obama e Bill Clinton.

Michelle, cada vez mais presente na campanha do senador de Illinois, disparou em uma entrevista: "Se você não consegue conduzir a sua própria casa, você certamente não consegue conduzir a Casa Branca", frase que foi interpretada na imprensa americana como provocação a Hillary, que foi traída por Bill Clinton com a ex-estagiária Monica Lewinski quando ele era presidente. Questionada, Michelle negou a alusão.

O ex-presidente Bill Clinton --que tinha os mesmos 46 anos que Obama tem hoje quando se elegeu pela primeira vez, em 1992-- disse que o senador pode estar concorrendo à Presidência "cedo demais" e também que, na visão do candidato, só os presidentes republicanos tiveram boas idéias para o país desde 1980, o que Obama diz ser uma distorção da alusão que ele fez a Ronald Reagan.

"Bill Clinton está mais atrapalhando do que ajudando a campanha de Hillary na Carolina do Sul. Em um Estado onde 50% dos eleitores são negros, ele está atacando o candidato negro, e isso não está sendo bem visto nem entre quem decidiu votar nela", disse à Folha Elaine Kamarcks, analista política da Universidade Harvard.

Obama chega hoje como favorito nas pesquisas a vencer a primária no Estado, na qual estão em jogo 54 delegados em um universo de 4.049 (o número total soma os conquistados pelos candidatos nas prévias mas também os "superdelegados", democratas atuantes que votam em quem quiserem na convenção do partido).

O maior valor da vitória na eleição de hoje, contudo, é de imagem. O Estado da Flórida, que fará primária na terça, teve seus delegados invalidados pela cúpula nacional do partido por ter antecipado sua votação sem autorização. Com isso, a Carolina do Sul se torna o último termômetro da campanha democrata antes do dia 5 de fevereiro, a chamada Superterça.

Se vencer mais essa disputa (ele ganhou em Iowa, enquanto Hillary se deu melhor em New Hampshire, Michigan e Nevada), o candidato reforçará aos eleitores que segue no páreo para ser o candidato democrata na eleição presidencial, em 4 de novembro.

O voto negro

Uma das funções delegadas por estrategistas a Michelle Obama na campanha da Carolina do Sul é "desempatar" o voto da mulher negra. As pesquisas detectam que existe uma clara divisão do eleitorado: negros e homens votam em Obama, enquanto brancos e mulheres tendem a votar em Hillary. "As mulheres negras são a zona cinzenta, e podem influenciar o voto da família", diz Kamarcks.

A divisão do eleitorado foi retratada em uma reportagem da rede de TV CNN que causou polêmica. Telespectadores e celebridades como a atriz Whoopi Goldberg criticaram a emissora por retratar a dúvida da mulher negra de forma simplista, como se a dúvida fosse apenas de raça e gênero e não de propostas. A CNN fez outra reportagem se explicando.

Para os estrategistas de campanha, Michelle é um trunfo para convencer as mulheres negras a votarem em Obama. Formada em sociologia na Universidade Princeton e em direito na Universidade Harvard, Michelle, 44, tem duas filhas --Malia, 9, e Sasha, 6-- com o marido. Sempre bem vestida e atenciosa com eleitores, ao menos diante das câmeras, Michelle tem ampliado seu papel.

Longe da briga entre Hillary e Obama, o senador John Edwards se mantém no terceiro lugar nas pesquisas nacionais, onde sempre esteve, desde o início da campanha. Uma derrota na Carolina do Sul, onde nasceu e onde fez a campanha mais cara entre os democratas, é tida como fatal para sua candidatura. Deixado de lado pela mídia, Edwards veiculou um comercial de TV no qual exibe manchetes citando "Obama e Hillary", "Hillary e Obama". No final, escreve: "Será mesmo?", sugerindo que a cobertura distorce a vontade do eleitor.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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