Mundo
26/01/2008 - 17h07

Ao menos 50 quenianos morrem apesar de toque de recolher em Nakuru

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da Folha Online

Ao menos 50 pessoas morreram entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado em Nakuru, capital da Província do Vale de Rift (oeste do Quênia), e no Distrito de Molo, apesar do toque de recolher. O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, que visitou a região, denunciou graves violações aos direitos humanos.

Annan, que atua como mediador no país desde terça-feira, visitou a Província de helicóptero.

"Encontramos nove corpos e nove pessoas morreram no hospital geral de Nakuru. Outra pessoa também foi assassinada há alguns minutos", disse à agência France Presse um alto oficial da polícia que pediu anonimato.

"Do total, 13 pessoas morreram à noite, seis a tiros e outras sete assassinadas a machadadas nas favelas da cidade", explicou a mesma fonte.

Peter Andrews/Reuters
Jovem queniano com flecha na cabeça aguarda tratamento médico em Nakuru
Jovem queniano com flecha na cabeça aguarda tratamento médico em Nakuru

Desde quinta-feira à noite, ao menos 65 pessoas morreram em Nakuru. A polícia impôs um toque de recolher noturno na cidade.

Outros 15 corpos foram encontrados neste sábado no Distrito de Molo, região oeste do Quênia.

"Recuperamos 11 corpos e um pouco mais tarde outros quatro", disse um delegado que pediu anonimato.

As vítimas foram assassinadas a flechadas em enfrentamentos étnicos, segundo o oficial.

Os distúrbios étnicos e políticos começaram após a controversa reeleição, em 27 de dezembro, do presidente Mwai Kibaki, rejeitada pelo líder da oposição, Raila Odinga, que acusa o chefe de Estado de fraudes.

O vale de Rift se transformou nos últimos dias no epicentro dos violentos enfrentamentos diários entre membros da comunidade kalenjin, que apóia Odinga, da etnia Luo e os kikuyos, a etnia de Kibaki.

Em Nakuru, cidadãos da etnia kikuyu se organizaram para retaliar os ataques sofridos nos últimos dias.

Mediação

Depois de visitar a Província, Kofi Annan afirmou neste sábado em Nairóbi ter visto abusos "graves e sistemáticos dos direitos humanos".

"Vimos abusos graves e sistemáticos dos direitos humanos", declarou Annan em uma entrevista coletiva em Nairóbi, ao retornar da visita ao oeste do país, epicentro, ao lado da capital, da violência provocada pelas eleições, criticadas pela oposição e por observadores internacionais.

"Não podemos autorizar esta impunidade", disse o mediador.

Jon Hrusa/Efe
Menino com caixa de comida em ponto de distribuição de alimentos da ONU
Menino com caixa de comida em centro de distribuição de alimentos

Para Annan, "não se trata da ira de cidadãos furiosos pelos resultados das eleições gerais. Agora é outra coisa, uma violência mais étnica do que política".

Em um mês, além dos mais de 800 mortos nos distúrbios de caráter étnico-político, cerca de 250 mil pessoas se viram obrigadas a abandonar suas casas.

Kofi Annan declarou que "os líderes políticos têm a obrigação de entrarem em acordo para que o Quênia não continue nesta situação crítica durante cinco anos".

Ele disse que o governo queniano deve estabelecer as medidas necessárias para "garantir a segurança essencial de qualquer cidadão nestes momentos terríveis".

Annan disse que permanecerá por mais alguns dias no Quênia para tentar reunir novamente Kibaki e Odinga, "para que ponham ponto final a esta crise nacional, humanitária e econômica que também afeta toda a região".

Com France Presse e Efe

 

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