Fidel Castro completa um ano e meio sem aparecer em público
JOSÉ LUIS PANIAGUA
da Efe, em Havana
Fidel Castro completa neste fim de semana um ano e meio sem aparecer em público em Cuba. O país, que não sofreu mudanças substanciais neste período, saberá em fevereiro se o líder continuará ou não à frente do Governo.
Em 26 de julho de 2006, quando Fidel discursou em Bayamo, na província de Granma, durante o Dia da Rebeldia Nacional, principal data do calendário oficial cubano. Então, o líder cubano deslocou-se à província de Holguín, ao norte de Granma, e coordenou a tribuna de oradores em um ato de inauguração de grupos geradores de eletricidade. Foi sua última aparição pública.
Naquela noite, Fidel Castro caiu gravemente doente, a ponto de chegar a pensar que "era o fim", como ele mesmo lembrou em um artigo publicado, na quinta-feira passada, no jornal oficial "Granma".
Fidel Castro, porém, não deixou de trabalhar, e continuou a ocupar-se da revisão da entrevista que serviria como base para o livro "Cem horas com Fidel", do jornalista e escritor Ignacio Ramonet.
Acostumado a longos discursos públicos, o líder cubano encontrou, a partir de março do ano passado, em seus artigos publicados, denominados "reflexões", o palanque no qual poderia expressar suas opiniões sobre questões internacionais e em alguns casos, aspectos da realidade nacional.
Em artigo, com data de 14 de janeiro e publicado no dia 16 - dia seguinte do encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, Fidel afirmou que não desfruta de capacidade física para participar de atos públicos, e por isso escreve.
Nesses 18 meses, o líder cubano deu duas entrevistas a TV, a primeira em junho do ano passado e a última em setembro. Conversou, também, com o presidente venezuelano Hugo Chávez - a última vez em meados de outubro -, durante uma visita do governante sul-americano à ilha.
Afastado de seu meio preferido, Fidel Castro continua escrevendo, enquanto o interesse está concentrado no dia 24 de fevereiro, quando se saberá se o líder cubano seguirá como chefe do Executivo.
A Assembléia Nacional do Poder Popular - o Parlamento cubano -, será instalada nesse dia e, após escolher a sua nova direção, apontará os integrantes do Conselho de Estado, principal órgão do Governo, do qual Fidel é presidente.
Além do futuro de Fidel Castro, a Assembléia tem, pela frente, um período de cinco anos no qual Cuba deverá enfrentar decisões importantes, segundo Raúl Castro, que em 18 meses de Presidência interina não tomou medidas substanciais, embora tenha anunciado a necessidade de investir em reformas estruturais.
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