Mundo
27/01/2008 - 05h02

Ex-ditador indonésio Suharto morre em Jacarta

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da Folha Online

O ex-ditador indonésio Suharto, 86, morreu neste domingo no hospital Pertamina de Jacarta, após perder a consciência e entrar em coma. O ex-líder governou com mão de ferro a Indonésia de 1967 a 1998, quando foi forçado a renunciar por uma crise econômica e uma revolta popular.

Ele estava internado há 23 dias na capital indonésia, com pressão baixa, edema e outros sintomas que se unem à septicemia da qual sofre.

Ele morreu à 13h10 (4h10 de Brasília), afirmou o médico Christian Johannes, após uma falência múltipla dos órgãos.

Porta-vozes dos médicos assinalaram em entrevista coletiva que o paciente perdeu hoje a consciência pela primeira vez desde sua internação e que voltou a precisar da ajuda de aparelhos para respirar.

Na sexta-feira, ele havia conseguido voltar a respirar sozinho. Os médicos acrescentaram que a pressão sanguínea de Suharto estava muito baixa.

O ex-ditador sofreu várias recaídas desde que chegou ao hospital, no dia 4 de janeiro.

Governo

Os 32 anos do governo ditatorial de Suharto na Indonésia foram marcados por medidas consideradas antidemocráticas e escândalos de corrupção.

O ex-general dirigiu um regime que alcançou um rápido desenvolvimento econômico à custa da proibição de liberdades políticas e forte corrupção.

Suharto foi acusado de causar prejuízos ao Estado no valor de cerca de US$ 600 milhões e de construir uma fortuna ilícita de bilhões de dólares durante o seu governo.

A organização Transparência Internacional estima que a família de Suharto acumulou até US$ 35 bilhões de maneira fraudulenta.

Ele lidera as listas de dirigentes mais corruptos das últimas décadas elaborada pelo Bird (Banco Mundial) e pela organização Transparência Internacional, mas nunca foi julgado em seu país.

Direitos humanos

O ex-ditador também é criticado pela invasão e ocupação do Timor Leste, que resultou na morte de ao menos 200 mil pessoas, segundo grupos de direitos humanos.

Em maio de 1998, foi obrigado a renunciar, após meses de protestos e uma insatisfação geral devido à crise econômica que a Indonésia atravessava.

Manifestações populares o acusavam de levar a nação à falência e de não coibir eventuais abusos contra os direitos humanos.

Suharto negava todas as acusações.

Anistia

O ex-general escapou de ir aos tribunais depois que uma equipe médica declarou que ele sofria de "dano cerebral permanente" causado por dois infartos, o que impossibilitava seu testemunho.

Em 2006, a Indonésia decidiu retirar as acusações de corrupção contra Suharto. "O caso foi encerrado, Suharto não é mais um acusado, é um homem livre", disse o procurador-geral da Indonésia, Abdul Rahman Saleh, na ocasião.

Segundo o procurador-geral, a decisão foi tomada devido ao estado de saúde "precário" de Suharto. Na ocasião, ele foi internado no hospital Pertamina --onde morreu hoje-- por causa de uma hemorragia intestinal.

O ex-general escapou de ir aos tribunais depois que uma equipe médica declarou que ele sofria de "dano cerebral permanente" causado por dois infartos, o que impossibilitava seu testemunho.

O caso envolvendo o general que dirigiu o país de 1966 até 1998, ocupou as primeiras páginas de todos os jornais indonésios nesta semana, e um intenso debate foi aberto.

Os críticos afirmam que o ex-ditador tem que devolver o dinheiro que teria roubado quando governou, e deveria ser julgado por sua participação no assassinato de ao menos meio milhão de dissidentes políticos durante seu regime.

Matéria atualizada às 6h03

Com agências internacionais

 

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